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20.10.24

Irmãos Menendez, um soco na boca do estômago!

 


Monstros é ao nome da série da netflix que tem a intensão de contar a história de grandes criminosos que mobilizaram a mídia americana com seus crimes bizarros. Ano passado eles estrearam com "Dahmer: Um Canibal Americano". A temporada contava a história do serial killer Jeffrey Dahmer que matou e comeu parte de várias de suas vítimas durante anos. A série foi um sucesso de crítica e público e eu nem sei ao certo se havia intenção de fazer daquilo uma franquia ou se resolveram fazer a partir desse sucesso. Todos nós sabemos que isso é sempre um risco e que quando uma obra é um mega sucesso a sua continuação vem cheia de expectativas que raramente conseguem ser alcançadas (tá aí Coringa que não me deixa mentir), todavia com os Irmãos Menendez eles conseguiram.

Dividida em nove episódios a série conta a história de Erik e Lyle Menendez dois garotos de 18 e 21 anos que assassinaram seus pais. A série começa a partir do crime, mas toda trama em torno do julgamento e desdobramentos do caso vai contando tanto sobre acontecimentos anteriores e posteriores como também mostra outras versões, mas é importante destacar  que toda construção do roteiro é feito pela ótica da defesa, as outras óticas que aparecem são apresentadas sempre por antagonistas. Tanto que no fim qualquer um que assista está solidário aos assassinos, isso é tão claro que, apesar do Erik ter feito uma carta púbica mostrando seu descontentamento com a narrativa, a forma que a opinião pública se colocou a favor deles hoje é um dos pontos que a família está considerando favorável pra tentar tira-los da cadeia na atual apelação. 

Eu confesso que assisti os primeiros episódios achando meio "meh", basicamente por que achei que a franquia monstros contaria a história de assassinos em série, logo ter ocorrido um único assassinato no primeiro episódio me dava um sentimento de que tudo estava meio morno, mas se o foco em Dhamer era a quantidade de crimes absurdos e bizarros que ele cometia e não era pego, aqui o foco tá no julgamento dos irmãos e a forma que aa opinião pública foi se fazendo e se refazendo a medida que o tempo passava e novos eventos apareciam. A virada, pra mim, foi quando no terceiro episódio surge a advogada Leslie Abramson, figura polêmica que vai conduzir muito da forma que a história vai ser contada. Dali pra frente eu comecei a entender que a franquia era sobre true crime, mas não necessariamente assassinos em série.

As atuações são excelentes, desde o veterano Javier Barden até outras figuras não tão conhecidas do grande público, mas todas entregaram muito e o roteiro realmente tá um primor. Não é fácil contar uma história policial cheia de versões, não é a toa que a tentativa brasileira de contar a história de Suzane Von Richthofen se converteu em dois filmes narrando os fatos nas versões dela e dos irmãos Cravinhos. Isso é ainda mais complicado quando as partes envolvidas nas história estão vivas e ter suas história reviradas muitas vezes causa desconfortos e desdobramentos, mas Ryan Murphy foi cirúrgico e muito eficiente.

Se há algum dúvida sobre a grandiosidade da série ela cai por terra no quinto episódio. Ele acontece em uma única cena de 36 minutos, onde Erik conta em detalhes para a advogada os abusos que sofria por parte dos pais. A cena começa com ela de costa e ele sentado de frente pra ela, permanece assim até o final, mudando apenas o foco da câmera que lentamente vai fechando a medida que ele vai contando de forma emocionante violência terríveis em plano sequência. Uma cena forte, impactante e que contava apenas com um bom jogo de câmera, um roteiro bem escrito e uma atuação grandiosa. É daquele tipo de cena que merece ser estudada em cursos de cinema e afins. 

Ouvi uma crítica dizendo que Dhamer era uma história mais pesada e eu até concordo, mas honestamente acho que em termo de obra Menendez é bem mais, basicamente por que acho que de alguma forma a pegada gore do Dhamer é algo que a gente enquanto público já viu várias vezes, poderia fazer uma lista grande de filmes com cenas tão violentas quantas, mas pouquíssimas obras da dramaturgia que conta de uma forma tão honesta e sensível um relato de violência como esse. Uma ousadia uma cena dessa sem corte, uma coragem de quem sabia o roteiro e os artistas que tinha na mão, eu fiquei congelado, sem conseguir pegar o celular pra olhar a hora, durante toda a cena. Quando o episódio acabou tomei um suto, por que não acreditei que fiquei fixado ali o tempo inteiro, num mundo em que quase nada prende tanto a atenção do expectador por tanto tempo. 

Irmão Menendez reforça minha tese de que os maiores ativos de uma obra audiovisual é roteiro e atuação o resto é penduricario pra melhorar a forma que isso é contado, é claro que você pode matar uma cena  dependendo de como ela é contada, mas tentar pegar uma obra oca e segurar ela só com efeitos especiais e explosões você nunca vai fazer nada com consistência. Irmão Menendez tem direção de arte, tem roteiro, tem atuação, tem absolutamente tudo e não vai me espantar se vermos ela concorrendo em diversos circuitos de premiação. 




22.1.23

Smiley




 Smiley é uma série espanhola ambientada em Barcelona de temática LGBTQIAPN+ que estreou no fim do ano na netflix, ela tem 08 episódios com uma média de 30 minutos e arrebatou de cara as Yag. É uma comedia romântica gay, de natal, cheio de personagens queridos e um clima de "o amor está no ar" em meio a um pano de fundo tão ápero que é o nosso querido mundinho GLS.

Primeiro comentário que fiz sobre a série no twitter é que não falaria nada para não ser o chato ranzinza, pq sim.. Tem muitos problemas conceituais, mas aqui eu hablarei, pq o blog é meu, papai compô pá eu. Na verdade ela nem de longe escapou do tribunal de Haia do twitter, então se eu falsasse não estaria sozinho.

Antes de tudo eu devo dizer que o gênero comédia romântica foi amplamente explorado nas décadas de 90 e 2000 e teve um declínio a partir da década de 10, pq de fato tem muitos problemas socio políticos em torno dele e com a ascensão de determinados debates, não tinha como passar sem nenhum arranhão. Construía padrões caricatas de mulheres desesperadas por casamento e nutria um ideal de amor romântico que até hoje tem um monte de desavisada  esperando Richard Gere chegar na sua porta numa limosine branca com uma flor vermelha. Smiley quando adapta essa estrutura pra um mundo gay não deixa de fora esses problemas o que acaba se agravando pq em todo o momento o protagonista demoniza a forma que os afetos e sexualidade se dão nesse universo para sonhar pra si uma historia repleta de heteronormatividade. 

A série acompanha a história de dois caras que se interessam um pelo outro e seus amigos, tendo como principal cenário o bar que um dos rapazes trabalha. Tudo começa quando Álex leva um fora do rapaz que tá saindo e de forma impulsiva manda uma msg de voz para cobrar o sumiço. Na mensagem ele fala sobre como se decepcionou e sobre tudo que gostaria de ter vivido, do quão disponível está pro amor. A msg cai acidentalmente no celular de Bruno, um outro homem gay que se vê solitário e também busca pra si uma história (olha como o amor pode acontecer dos lugares mais inusitados, gente? Fica orando aí que pode acontecer na vida de vocês também... rysos) .. Bruno responde a msg, eles se falam e ele acaba indo ao bar que o Álex trabalha e a conexão entre os dois é imediata (afinal é uma comédia romântica_, mas eles precisam enfrentar diferenças que não são poucas.. E a partir daí a série leva oito episódios de voltas mais reviravoltas para chegar no fim óbvio.

As coisas da diferenças são curiosas... O Álex faz um menino jovem, bonito e desejado, mas que é burrinho e fútil por que gosta de coisas como Rupaul ou mesmo de academia. Constrói-se aí a ideia de que quem cuida do corpo necessariamente alguém fútil (talvez seja por isso que eu tenha crescido com um sentimento que academia não é um ambiente que me caiba) e que existe um padrão de cultura (normalmente feita por homens brancos e europeus) que tem mais valor do que outros.  Já o Bruno é um cara feio e culto... Só que a questão é que Bruno não é feio, ele só é mais velho que o Álex... Então o que faz dele alguém abaixo do padrão do Álex é apenas uma questão de juventude. Bruno é vivido pelo ator espanhol Mikki Esparbé que tem 39 anos e Álex pelo ator Carlos Cueva de 27 anos como o belo. Imagens do culto feio:




Tá sentindo o cheirinho de etarismo? Eu tô!

Não bastasse isso tem toda coisa em cima de uma exaltação a monogamia. Álex há todo tempo deixa claro que busca um amor pra si, exclusivo, só falta dizer que quer documento de posse registrado em cartório. Em uma cena alguém comenta sobre algum casal gay com anos de relacionamento ele desdenha dizendo que com certeza é não monogâmico. Eu acho que você pode querer uma relação monogâmica pra si e tudo bem, eu vejo muitos problemas nesse modelo de relação, mas acho que é um direito todo seu escolher estar nele, o que você não pode fazer é deslegitimar o modelo do outro. Manter uma relação duradoura com qualidade não monogâmica é tanto mérito quanto manter monogâmica. Se você para pra pensar no caso das relações poli pode ser até mais desafiador em muitos aspectos, mas talvez vc pense diferente disso pq enxergue virtude no sacrifício e privação, quando pra mim a virtude está na satisfação, gozo e prazer. 

Tem muito mais coisas pra poder ser dito, no meio do caminho, por exemplo Álex se envolve com um homem negro e mais pro fim da história larga esse homem no aeroporto quando tá indo pro Senegal conhecer sua família pra ir atrás do grande amor da sua vida branco. Tem muitas camadas de problemas nisso, mas eu não vou entrar nesse debate por que se fosse falar sobre cada problema da série vou ter que escrever um livro inteiro. Quero agora virar a chave e dizer que mesmo com tudo isso... Eu veria de novo e to louco por uma segunda temporada... risos... Buguei sua cabeça? Explico...

É problemático, mas sim.. É fofo.. A ambientação é deliciosa, eu adoraria frequentar aquele bar, eu realmente gostei muito das histórias secundárias e os personagens em torno deles são muito bem explorados, eu amo histórias de natal, as cenas que mostram a dinâmica do grinder são realmente bem divertidas e amo seriezinhas com temas leves de 30 minutos, é do tamanho que minha saúde mental consegue assistir após um dia inteiro de trabalho... É isso ou Dra Sandra Lee a Rainha dos Cravos. A netflix ainda não bateu o martelo pra renovação, inclusive ela já cancelou Uncoupled uma outra comédia romântica gay de 2022 cheia de problemas e que por mim nem tinha fim, ela ficaria com toda semana um novo episódio sendo lançado por cinquenta anos... rss.... Se decepcionei alguém com esse fim inusitado, sinto muito é o meu jeitinho..  A culpa de mamãe que levou anos da vida vendo Luciana Gimenez por horas e repetindo o tempo inteiro "que mulher idiota, meu Deus". Acho que na vida é assim, tem coisa que a gente gosta e merece criticas e não devemos passar pano pra isso... Eu gosto, mas é traste... Quem nunca? 




22.7.20

Em Nome De Deus





A série documental original Globo Play, conta a história do médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, que foi preso por cometer crimes sexuais. João de Deus recebeu mais de 350 denúncia de mulheres que o acusam de terem sido abusadas por ele em fases diferentes da sua trajetória enquanto espiritualista. 

A queda de João começa a partir de uma denúncia de uma mulher no programa "Entrevista com Bial" na rede Globo. Pedro Bial foi responsável pela criação do documentário e narra parte dele. A série foi montada em 18 meses e conta toda história em 06 episódios a partir da perspectiva da equipe jornalística que vai desvendando os fatos. 

A direção da série é assinada por Ricardo Calil e Mônica Almeida que também dirigiu a 1ª e 2ª temporada do "Conversa com Bial"

Se você quiser saber um pouco da minha opinião sobre a série, você pode ver o vídeo que fiz pro meu IGTV no instagram clicando aqui. 

21.7.20

Ligue Djá: O Lendário Walter Mercado



Ligue Djá é o documentário original netflix, liberado pela plataforma em 08/07/2020 sobre a vida do ícone pop latino americano Walter Mercado. Walter é um exotérico que fez muita fama na América latina  e desapareceu no auge do seu sucesso. No Brasil ele ficou conhecido quando fez um serviço de call center com consultas astrológicas e no comercial na televisão ele falava o famoso bordão "Ligue Djá"



O documentário tem 96 minutos e foi dirigido por Kareem Tabsch e Cristina Costantitni. Ele conta de toda vida do Walter, sobre a forma que a fama aconteceu, o que levou ele a se afastar dos holofotes e os bastidores de uma homenagem feita a ele em 2019.

Se você quer saber um pouco mais da minha opinião sobre o documentário basta clicar nesse link aqui e assistir o vídeo que fiz sobre o tema no IGTV.







19.7.20

Sandy Junior: A História





"Sandy Junior: A História" é a série documental da globo play que conta a trajetória dos irmãos Sandy e Junior desde o início das suas carreiras nas suas infâncias (e na minha também), passando pelas suas carreiras solos, até os bastidores da turnê "come back" 'Nossa História" em 2019 que foi a segunda turnê mais cara do mundo, abaixo apenas de Elton Jhon naquele ano.

A série conta com 07 capítulos com aproximadamente 60 minutos e foi dirigida por Douglas Avillar que era colega deles de elenco na série Sandy e Junior da rede globo e é amigo pessoal da dupla.

Era esse boy aí...


Jesus tocou


Junto com o documentário que foi disponibilizado em 10 de julho a globo disponibilizou na globo play "Estrela Guia" novela protagonizada por Sandy em 2001 e no dia 17 liberou a gravação do Show da turnê "Nossa História" em São Paulo. 

Se você quiser saber um pouco mais sobre minha opinião quanto a série você pode ver o vídeo com a resenha que fiz no meu instagram clicando aqui.