Mostrando postagens com marcador A vida do gato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A vida do gato. Mostrar todas as postagens

2.4.26

A Vingança da Karla Sofia Gascon

 Hey que nasce um hibrido de Karla Sofia Gascon com Karol Conk que sorri na minha cara e diz: Falou que eu era derretida e agora quem derreteu foi você!

Se volto? 

Não sei, se acontecer não vai ser por agora, mas prevejo um furacão tão grande chegando na minha vida que posso intuir que das duas uma: Ou vou conseguir sustentar, ou é "nunca mais" mesmo!


Só o tempo dirá, mas a Karla, óh! A língua dela é igual um chicote!


Chupa!


26.12.24

Batedeira Planetária (Me mimei parte II)

Foi a realização de um sonho, tô namorando ela já tem um tempo... Postei no insta uma foto abraçado com ela quando o mercado livre entregou, fiquei com medo de nego achar que eu sou maluco, mas um monte de gente falou que tá louco pra adquirir uma. Achei engraçado, utensílios de cozinha parecem os novos brinquedos da vida adulta, dei um presente pro jovem gato e um pro adulto tbm. Todavia , depois refletindo melhor conclui que pra mim nem é só sobre eu amar culinária, tem mais coisa nessa história, que vai ficar registrado apenas por aqui mesmo.

Aqui em casa já tinha batedeira, daquela simples, quando eu comprei lembro que foi pq peguei uma promoção boa e eu basicamente queria pra bater clara em neve. O Calopsita usava bastante pra bater bolo e fazer cookie, ela super atendia.

Quando voltei pra Campos e vi o apartamento conclui que fazer massa nunca mais, pq eu n tinha nenhuma bancada pra sovar e verdade seja dita eu sempre odiei sovar massa, o período que eu fiz mais massa na vida foi depois que conheci o Sr Centro do mundo (um "ex" que falei ai em uns post a baixo), ele era maravilhoso na cozinha e muito bom com massas, muito bom mesmo, sova como ninguém (pode manter essa risadinha que vc deu aí, pq é em todos os sentidos). Foi então que comecei a namorar a possibilidade da batedeira planetária (pq diferente da comum ela sova massa), mas como massa não é uma coisa que eu faça com frequência, deixei pra lá. O lance é que quando eu pesquisava sobre batedeira tbm pesquisei sobre essas maquinas de massa fresca que serve para afinar a massa e fazer macarrão. Eu achava que uma coisa precisava vir conjugada da outra pq da mesma forma que não tinha espaço pra sovar, tbm não tinha espaço ideal pra afinar. Nessa o namorado do meu marido me deu a máquina, só que eu não tinha batedeira, então resolvi comprar.

De lá pra cá fiz várias coisas bem legais e confesso tá lembrando bastante do Sr Centro, de uma forma terna mesmo, sentindo saudade desse universo que dividíamos. No fim de semana assisti o filme "Rivais", um dos filmes da temporada e de alguma forma a dinâmica do filme me remeteu a minha dinâmica com ele. Na história três personagens tem suas vidas envolvidas a partir das suas relações com o Tênis, ele seguiram caminhos diferentes, mas permaneciam unidos por aquele universo, no filme inteiro essas relações aparecem mediadas pelo ritmo das quadras. Isso me lembrou absurdamente ele a minha relação com ele e com a culinária, pq no fim parecia ter se tornado a nossa única conexão. É difícil até falar, pq nós temos até visões de mundo parecidas, mas acho nossa diferença aguda tem mais a ver sobre como responder a esse mundo do que exatamente sobre como enxerga-lo. 

Eu  costumo dizer que o primeiro gesto de amor que a gente recebe na vida é alimentação e dali pra frente a gente passa a vida nutrindo o que queremos e não nutrindo o que não queremos. Minha mãe nunca foi de cozinha, mas  a minha avó era a famosa cozinheira de mão cheia. Quando eu não sabia fazer nem um arroz e o máximo que eu fazia era uns mexidos malucos ela me dizia que eu era bom de cozinha, que tinha "boa mão". Quando minha avó morreu eu já cozinhava, mas cozinhei pouquíssimas vezes pra ela. Lembro que propus fazermos um almoço num dia das mães, deu tudo muito errado, fiquei super frustrado, a minha avó não conheceu minha culinária e a minha culinária é uma declaração de amor pra ela. A cozinha me acalma, me centra, me ancora, é um lugar quase sagrado pra mim, um lugar que me encontrei e que ficou uma espécie de elo perdido com a minha avó e foi nesse solo, nessa arena que eu encontrei com o Sr Centro e lá foi o único lugar que permanecemos quando já não existia mais nada... Agora a distância nos afastou de vez mesmo, mas ficou em mim o gosto pela massa fresca que ele me ensinou e é desse jeito que uma batedeira deixa de ser apenas um eletrodoméstico e vira uma ponte para boas recordações do passado e um "oi, sumido!" no presente. 





25.12.24

Jogos de Tabuleiro (Me mimei parte I)

 Fiz um post aqui após meu retorno falando sobre minha relação com RPG e hoje vim aqui falar de uma paixão bem mais antiga, que são os jogos de tabuleiro.

Desde sempre curti jogar, fui essa criança que jogava Jogo da Vida, War, Banco Imobiliário, Scotland Yard, Detetive e etc. Segui isso até o início da minha vida adulta. Quando eu tinha meus vinte e poucos jogava com minhas primas adolescentes. Na minha família virou um hábito então até hoje jogamos nas nossas reuniões de família, mas tornaram-se as únicas ocasiões que eu jogava.

Lembro que quando casei me imaginava numa casa em que, comigo administrando os recursos, teria uma estante cheia de jogos de tabuleiro. Mas a vida adulta chega e a gente precisa administrar prioridades. Lembrei de um vídeo recente da Rita Von Hunty em que ela questiona em que momentos deixamos de ser crianças criativas, cheias de espirito artístico e curiosidade pra nos tornarmos adultos chatos e enfadonhos. Bem, não sei responder essa pergunta e nem sei se sou um bom exemplo disso, mas sei que em algum momento eu soltei a mão disso que diz muito de uma ludicidade que o simples fato de ser adulto não tinha tirado de mim, mas que talvez a correria sim. 

No ano passado resolvi virar esse jogo, comprei um "Imagem e ação" e um "Perfil" e me diverti bastante com eles, quando foi esse ano no mestrado conheci uma professora que fazia uma extensão de criação de jogos educativos e através dela se abriu pra mim o universo dos jogos de tabuleiro mais contemporâneos, diferente desses clássicos. Em geral esses jogos são pensados com relação ao tempo, para que não sejam partidas infinitas e pra serem colaborativos, ou seja, todos os jogadores unidos contra o tabuleiro, logo ou todos ganham ou todos perdem. Nessa linha o maior queridinho é o Pandemic, um jogo de 2008 onde os jogadores incorporam um grupo de profissionais contendo epidemias e tentando evitar uma grande pandemia no mundo. 

No meu aniversário minha amiga me deu o Papers Dungeons uma boa versão do RPG de mesa para a dinâmica de jogos de tabuleiros e para este natal eu me mimei e resolvi comprar o Amigo de Merda (um jogo de cartas rápido e divertido pra jogar com amigos - que tenham inteligência emocional - em mesa de bar) e de natal me dei o Pandemic


BERROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO



Eu ameeeeeeiiiii... Só não joguei mais por que talvez não tenha tantas pessoas empolgadas como eu, mas curti real oficial. A jogabilidade dele é ótima e a estética bate muito numa memoria afetiva por que ele tem todo o estilo dos clássicos que consagraram os jogos de tabuleiro. Algo me diz que daqui pra frente é só pra cima e que minha estante que já tá bem legal, vai ficar pequena pros meus jogos. 





23.12.24

Booomba ok ok

 


Falando em Brasília... Era uma quarta feira, eu tinha combinado com uma amiga que a gente ia no cinema assistir "O quarto ao Lado", filme novo do Almodóvar. Chovia baldes, resolvemos assistir num cinema tradicional na asa sul, e tanto eu quanto ela "moramos" na asa norte em Brasília. A ideia era comer alguma coisa depois do filme, colocar a conversa em dia e depois ir pra casa.

Acabou o filme, era um Almodóvar, né? Falando sobre eutanásia, com Julianne Moore e Tilda Swinton na tela, camadas e mais camadas de complexidade para serem digeridas. As luzes acenderam e nós ficamos putos, por que estávamos vendo os crédito e absorvendo... Eu olho o celular primeiro e comento "Acho que aconteceu alguma coisa, tem um monte de gente perguntando onde eu estou, se tá tudo bem, se eu vi o maluco da bomba"... Ela olhou o dela a mesma coisa.. Alguém passa atrás da gente fala "parece que um maluco explodiu uma bomba no STF"...

Tiu França não abalou a república, não destruiu a democracia, não danificou nem a estátua da justiça, mas conseguiu dar uma cagada nos meus planos naquela noite. Com todo o em torno da praça dos três poderes sem poder passar (que era nosso caminho pra mudar de asas), uma chuva infinita  e sem a noção clara da seriedade do que tinha acontecido, achamos melhor voltar pra casa naquela noite. Acho que a família deveria me mandar uma placa de agradecimento pq certamente o cancelamento do meu lanche pós cinema foi o máximo do Brasil que ele conseguiu parar. 

22.12.24

Brasília

 Tenho uma sensação que já falei sobre viagem a trabalho pra Brasília antes aqui. Se eu somar todo tempo que levei lá esse ano certamente dá entre 3 a 4 meses, mais ou menos 1/3 ou 1/4 do ano, mas me deixa partilhar com vocês sobre o que tem rolado.

Há muitos anos trabalho com projetos sociais e é bem comum eu ter de viajar em função deles, a atual associação que trabalho eu já estive nela em outros momentos, da última vez meu coordenador (que é meu amigo pessoal) me chamou e falou que estava num novo momento de expansão e que precisava da minha ajuda nesse processo, daí eu voltei.

Na ocasião já estávamos em diálogos com empesas para patrocinar abertura de novos núcleos e um dessas conversas avançou bastante. A gente é do interior do Rio, daí solicitávamos a abertura em Cabo Frio e havia aí uma fala que a empresa estava muito interessada em Brasília, todavia supervisionar um projeto tão longe exigiria a garantia de despesas que não estavam contempladas pelo projeto. Começou uma queda e braço entre Brasília e Cabo Frio.

Na virada do ano eu tive um sonho que meu coordenador me ligava de madrugada dizendo que tinha sido Brasília e que eu fazia várias pesquisas sobre a cidade no meio da madrugada. O sonho era tão absurdamente nítido, que acordei olhando o celular pra ver se a ligação realmente tinha ocorrido. Não aconteceu, mas no dia 01/01/2024 eu acordei pesquisando sobre Brasília, contei pra ele e ele riu dizendo que eu ficasse tranquilo que tudo estava a favor de ser Cabo Frio. Meses depois, na sexta-feira anterior do Carnaval ele me liga e tivemos o seguinte diálogo:


Big Boss - Gato, suas pesquisas sobre Brasília? Você jogou fora?

Gato - Não, por que?

Big Boss - Por que a gente vai precisar, vai ter que ser em Brasília!


De lá pra cá loucura, sem passagens aéreas contempladas atravessamos Minas Gerais várias vezes de carro, 1250 km, uma pegada pesadíssima. A associação alugou um apartamento funcional e eu passei a eventualmente morar em Brasília. O amor por Brasília não é óbvio, na verdade é bem contra intuitivo. É fácil ter antipatia pela cidade, talvez pelo ranço da política, pelo ar seco, pelo tom artificial que tem uma cidade tão planejada, pela desigualdade gritante que a constituí desde sua criação.

Quando falei pra meu pai sobre ir pra lá, ele que ia muito quando mais novo, dizia que há 20 anos atrás era a única capital do Brasil que ele se imaginava morando. Eu fui pra lá executar um projeto, fora do plano piloto, precisei contratar pessoas, ouvir suas histórias, me incorporar naquela equipe. Conheci usuário do projeto, a famílias, os profissionais da rede de pouco a pouco fui vendo com outros olhos. No plano eu tenho uma grande amiga que mora lá a 4 anos, tbm ia tendo encontros pelo tinder ou mesmo pelo grinder... Eu comecei a viver a cidade não como turista, mas como morador mesmo. 


Pra vc começar a ver beleza em Brasília, precisa estar atento ao misto de sotaques, auditivo as histórias de uma gente aguerrida, com o olhar atento para além do plano piloto e lembrar que mesmo nos ambientes mais inóspitos o real resiste e a vida floresce. Um belo dia, voltando pra casa pelo eixo monumental, olhando as luzes da cidade e os monumentos apoteóticos, de uma hora pra outra comecei a ver beleza no que antes só me parecia excesso e de repente como num passe de mágica passei a achar os endereços que pareciam uma batalha naval intuitivos, os monumentos lindos, a organização aconchegante.


Em 2025 eu descobri outra Brasília e gostei do que vi, das músicas que ouvi, da comida que comi, das gargalhadas que dei, das histórias que escutei. Ontem estava passeando com o marido e os dogs e aí comentei com ele que já com 40 anos talvez o sonho da juventude de morar no centro de um grande centro já não esteja tão forte assim, por que as minhas prioridades são outras, mas que talvez considerasse se fosse Brasília, me deu um dejavu da fala do meu pai.  Sindicalista, petista, militante que aprendeu a amar o campo de batalha no meio da guerra, assim como eu... Dessa forma, quase que seguindo uma tradição, mais uma flor floresceu num coração no meio do planalto central do Brasil. 





Um Hiato

 Não fui embora, foi apenas um hiato gigante... Pq é isso, minha vida é uma loucura. Odeio viver falando isso, mas é real. Sempre disse que se não tenho tempo pra estar com as pessoas que gosto ou fazendo as coisas que gosto, provavelmente algo no meu estilo de vida está errado, mas foi exatamente nesse buraco que cai, parece que tô sempre me desculpando com tudo e com todos por não ter tempo para todas as coisas. 

Depois do post da Cher tive que ir pra Brasília levei três semanas, quando voltei o trabalho estava me organizando pros fechamentos de fim de ano e sair e férias, fechando o semestre na faculdade.. Uma correria sem fim. 

Agora eu entrei de férias, mas com taaaanta coisa pra por em dia que nem sei se vai ser exatamente uma bonança. É o corre de sempre com sensação térmica de 45 graus, 


Nesse meio tempo algumas coisas aconteceram, i contar resumidamente nesse post, mas resolvi explorar melhor e diluir em alguns posts que vou soltando durante semana. Então, amores! Apertem o sinto, que mamãe voltou.




14.10.24

O tal do tempo


Todas as vez que tento retornar pra esse blog retorno com um post de voltei e no fim nunca seguro. Dessa vez resolvi fazer diferente, ninguém tá lendo mesmo, que se foda, um belo dia resolvi escrever e o fiz. Já disse aqui algumas vezes que amo reler coisas que escrevia e pensava há anos atrás então quero gerar registros pro Gato do futuro, isso é um carinho nele que certamente se reler aos 50 vai dar uma ronronada.

Daí voltei e escrevi sobre várias coisas que queria falar, acho que post anterior é o último nesse sentido, que de alguma forma me atualiza pro público (oi?), agora é escrever sobre coisas que estão acontecendo mesmo, sobre o hoje, o agora.

Eu quero muito manter esse blog, mas confesso que o tempo é um desafio, ok que o período que fiz esse blog era outro momento, eu se quer trabalhava, mas mantive um bom ritmo até 2013, quando eu já trabalhava bastante, só que agora parece que nunca sobra uma hora livre pra fazer um post vez ou outra. Aliás nunca sobra uma hora livre pra anda... Eu preciso trabalhar, estudar pro mestrado, cuidar da casa, sair com o marido, encontrar algum boy, estar com os amigos, fazer atividades físicas, passear com o cachorro, ver as crianças... Parece que tempo nenhum nunca é suficiente. Eu tô com 40 anos, em 2009 tinha 25, a relação com o tempo é outra! Já estou nos segundo tempo a vida, a ampulheta já virou!  Lembro que quando eu era adolescente assistia diariamente malhação, a novela das 06, das 07 e das 08 e fora outros programas. As novelas são historias continuadas que duram oito meses em episódios de segunda a sábado durando em torno de uma hora e meia, hoje se uma série tem 10 episódios de uma hora e tá na segunda temporada eu já não pego, por mais recomendada que ela me seja. 

Mas não tô desistindo e nem dizendo que não vou mais escrever, não quero parar, nem e longe quero parar, mas talvez só precise pensar sobre como consigo encontrar tempo pra mim e quando digo "pra mim" não é pro meu enriquecimento cultural, educacional, social, não é nada disso... É pro meu silêncio, é de mim pra mim mesmo, é pra minha subjetividade. Dia desses vi um vídeo da maravilhosa Rita Von Hunty em que ela fazia uma provocação perguntando onde anda a nossa criança interior, sobre em qual momento da vida deixamos de desenhar , ou cantar, ou brincar ou fazer qualquer coisa que te fazia criativo, curioso, inventivo... Fiquei pensando sobre o quanto eu era um garoto divertido, engraçado e leve e o quanto talvez a correria da vida tenha feito eu me desconectar disso.

Sinto que o que preciso pra me resgatar é só olhar pra mim mesmo e ter tempo pra desabrochar uma coisa ou outra. É sobre um tempo que quero ter pra me olhar e esse olhar esse blog me entrega como nada mais. O tempo é outro e eu preciso dar um jeito de montar nesse touro mecânico e me manter em pé, pra não me perder de mim. 

Em geral tenho escrito nos domingos e aí coloco vários posts programados, mas quero tentar voltar a fazer como antes, quando tudo que acontecia eu queria despejar aqui e  dava um jeito de fazer isso, mesmo que precisasse acordar mais cedo, ou dormir mais tarde, ou dar uma morcegada no trabalho, mas vinha aqui por pra fora de forma muito espontânea, cheio de vontade, cheio de mim mesmo. Esse é o plano, vamos ver até onde vou chegar. 

13.10.24

Até que a morte nos separe



A vida inteira eu falei que não existe casamento pra sempre, que casamento se não acabava em briga acabava em morte, pq ninguém morria junto é preciso entender o movimento de finitude de todas as coisas, pq sim, tudo acaba ou como diria Rita Lee, tudo vira bosta.

Só que a vida gosta de pregar umas peças na gente, né? Em 2019 meus avós morreram, os dois! Foi um golpe pesado pra ser dado de uma vez só, mas hoje avalio que viver a pandemia com eles seria um tiro complicado numa família que já via se rachando em torno dos cuidados de dois idosos, precisava ser naquele momento e um viver sem o outro seria um grande problema.

Minha avó morreu um ano após o diagnóstico de Alzheimer, eu tinha pavor da ideia dela não me reconhecer, certa vez cheguei lá e ela ficou me olhando com uma cara surpresa, perguntando era quem, fiquei congelado, ela colocou os óculos e me chamou pelo nome, devo ter perdido uns 4kgs.

Eu nunca achei bonita essa história de gente que o marido morreu e morreu três meses depois de tristeza, sabe? Acho que é um pouco de romantizar dependência, a vida é imperiosa, ela lança as coisas no peito e a gente precisa aprender a lidar... Mas com eles... Bem... com eles foi diferente.

Minha avó estava internada quando meu avô foi pro hospital, ela tava em coma e nós não contamos pra ele. Os dois estavam no mesmo hospital, ela na UTI  ele na enfermaria, mas nessas grandes piadas da vida ele se foi primeiro. Eu morava em outra cidade, recebi a ligação de manhã, fui correndo pra lá, minha mãe não quis ir, minha tia estava desolada eu e minhas primas agimos tudo, absolutamente tudo, Quem já cuidou da morte de algum ente sabe da crueldade da odienta indústria da morte, são burocracias e gastos que fazem você deixar o luto pra um segundo momento. Naquele dia eu ainda fui no hospital visitar minha avó, o horário de visitas era até as 16:00, cheguei em cima da hora de bermuda, falei pras minhas primas entrarem pq até eu mudar de roupa não daria tempo no outro dia eu voltaria, 10 minutos depois a minha prima voltou pálida e disse que o médico liberou pra que eu a visse mesmo depois do horário, me preparou para o fato dela estar fria e com a ponta dos dedos e lábios roxos. Eu fui com um irmão caçula dela e ouvi ele pedir pra ela ficar boa logo, pra eles se verem, eu sabia pq o médico me deixou entrar naquele dia, eu sabia que ela já não estava mais ali, só consegui dizer que amava e agradecer no seu ouvido, não sei se ouviu, espero realmente que sim.

No final de um dia exaustivo velando o corpo do meu avô o telefone tocou do hospital perguntando se algum parente poderia ir lá, minha tia deu um grito, acabou! Eles não souberam da morte um do outro e morreram de causas naturais exatamente no mesmo dia deixando pra mim a última lição que é a ideia de que para toda regra sempre pode haver uma exceção e uma história de amor pode terminar pros dois juntos... Ao mesmo tempo, é raro mais acontece, eu mesmo vi acontecer. 


10.10.24

O Personagem Dom

 


Eu curto BDSM, curto mesmo.. Acho que ando numa fase que tenho questionado bastante meus desejos e alguns processos que me levam até eles, mas até segunda ordem, eu realmente gosto de BDSM.

Tenho lá minhas limitações, por exemplo, não curto manter relação de amizade ou proximidade com quem me relaciono nessa perspectiva. Primeiro por que acho que é importante haver um distância, dominador é um papel e esse cara não tem fragilidades, inseguranças, não hesita... A fragilidade tipicamente humana não cabe nesse papel então é necessário haver uma distância pra que não haja acesso a  ela. Segundo que preciso dessa distância pra fazer o que faço e como faço. Jamais faria com o meu marido, por exemplo. 

Acho que outro ponto é o fato de que a lógica em torno da prática é completamente distante de mim, papo de extremo oposto mesmo. O BDSM se classifica por uma série de sub práticas, mas a bem da verdade é que a grande maioria delas as pessoas até realizam, mas fora da perspectiva do BDSM. Sendo mais claro eu vou dizer pra vcs que tem gente que curte algemas, suor, mijada, fistada e etc, mas que não faz isso na perspectiva da dominação. E aí você pode me perguntar: Mas se alguém executa várias das sub práticas e ainda sim não tá fazendo BDSM, o que precisa acontecer pra ser classificado dessa forma?

Te respondo, meu pequeno gafanhoto! Pra se classificar como BDSM tem que haver uma relação de hierarquia. Há um dom que manda e um sub que obedece, se não seguir esse formato, não temos BDSM, simples assim. Daí muitas vezes vc pode negociar antes e tirar desse sexo coisas elementares como penetração ou fazer coisas bem típicas e ainda sim não ser dominação. BDSM  tá na postura, no olhar, na forma que se solicita o que você quer. É prioritariamente sobre isso, essa é a base, os demais é tudo suplemento, tudo forma de reafirmar naquela cena que alguém está disposto a tudo para atender a qualquer desejo de outrem.

Sendo muito honesto eu gosto de comandar, mas sobretudo eu gosto da entrega do sexo BDSM, acho que é muito sobre isso. Numa sociedade em que as pessoas tem tanto medo de demostrar gostar, desejar, querer alguém, você estabelece uma relação de idolatria, pra muita gente apenas nesta ficção a expressão explicita de desejo pelo outro é uma possibilidade . Ali, naqueles minutos eu sou seu dono e você é meu, completamente meu. Claro que tem um monte de troglodita maluco e gente traumatizada se dizendo dom por aí, criando inclusive situações de bastante violência e risco, mas o real BDSM todo mundo tá bem consciente sobre o que está fazendo, tudo é muito negociado e limites são respeitados.

Eu poderia fazer uma meia dúzia de teorias sobre o por que cheguei aqui e nenhuma delas passa por personalidade. Embora seja uma pessoa extremamente controladora e comumente centralizadora, sou muito vertical nas minhas relações, audível as pessoas, atento ao outro e entendo que não existe convivência salutar por muito tempo onde haja tanta rigidez na dinâmica hierárquica.

Tendo muitas vezes  achar que estar ocupando essa persona pode ter muito haver com uma fragilidade, em se tratando de um homem gordo e agora também mais velho me parece um papel onde meu corpo é melhor aceito, mas a bem da verdade é que sou muito aberto ao inusitado quando o assunto é sexo. Acho que o mais adequado seria mesmo me classificar como kink, me dizer Dom é assumir um papel que tá circunscrito no imaginário das pessoas, entrego pra elas um papel que elas já reconhecem, dentro daquilo que é mais popular é onde melhor me encaixo, mas sou muito aberto a fantasias em geral. Já fui sub tbm (real n curto tanto), já sai com pessoas com fetiches inusitados como cortar cabelo, já sai com ficzeiro, curto conteúdos de cuckold e por aí vai... Existem outros papeis que me agradam bem, mas parece que o que mais desempenhei é de Dom.

Eu tive um parceiro submisso durante muito tempo e sem dúvida foi o que mais fiz nessa perspectiva e em fases diferentes da vida. A gente já chegou a sair com terceiros e certa vez ele me disse que nós dois juntos assustamos as pessoas. Alguém imagina um bebezão como eu assustando alguém? Pois bem, é possível, talvez pq eu seja um grande talento e nem saiba, mas nem me refiro a um grande talento pro sexo não, mas pra atuação mesmo! Acredito no personagem e seguro ele e é apenas sobre isso e nada mais. 




9.10.24

Um Gato Praieiro e Estradeiro




 Ainda na vibes do que rolou com o Gato nesses anos de adormecimento do Yag precisava falar de dois eventos que me influenciaram muito no meu eu atual.

Primeiro foi lá pro ano de 2017 que durante oito meses eu vivi uma versão fitness, com um padrão rígido de atividade física e dieta e que emagreci em focker oito meses. É muito louco, gente! Tudo muda, seja fisicamente,s eja na sua autoconfiança, na sua autoestima, você recebe muita aprovação social, de pessoas desconhecidas virem me elogiar, gente que me via todo dia no ponto de ônibus do nada me abordar e falar do meu emagrecimento, o cara da farmácia que eu pesava, da xerox de baixo da minha casa, o olhar brilhando da minha mãe, os muitos amigos falando que eu estava maravilhoso. Eu fui obeso uma vida toda e de repente eu ocupava um outro lugar e um lugar muito socialmente aceito.

Durou em média de dois anos em 2020 eu já tinha engordado bastante e  não era fácil, pq nunca foi fácil ser um homem gordo, é lidar constantemente com a rejeição, com mensagens que dizem que teu corpo é feio ou mesmo doente. Mas fato é que eu cresci nesse corpo e sabia lidar com tudo isso, ser um homem gordo nunca me impediu de ter amigos, de namorar, e fazer sexo e de viver (no máximo dificultou uma coisa ou outra). Todavia ter emagrecido e engordado novamente era lidar com o oposto do que falei lá em cima, era lidar com os olhares de espantos e os comentários de "o que aconteceu?', era ver a decepção estampada mesmo. Quando emagreci comecei a trabalhar em Campos (cidade que vivo agora), haviam pessoas ali que nem me conheceram gordo, depois que engordei eu odiava ter de voltar em Campos, ter que reencontrar as pessoas. Eu lembro que em 2020, quando tentei voltar aqui escrevi um post  que era tão pesado que apeguei de vergonha. Lembro que falava que na esperança de emagrecer de novo eu parei de comprar roupas, eu não joguei minhas roupas de magro fora e não queria comprar roupa pra esse corpo, é como se ele não merecesse, não fose meu, era um corpo em transição que não merecia ser investido. Tudo meu era velho, feio  desgastado que era exatamente como eu me sentia.

Essa fase passou, algum tempo depois eu comecei numa de ficar bem vaidoso, comprar roupas, acessórios, valorizar esse corpo, foi nessa perspectiva inclusive que voltei a frequentar praia. Eu era uma criança que amava ir pra praia. Meus avós alugavam casa para passarmos  verão e e eu ia a praia todos os dias de manhã, as vezes a tarde tbm. Na adolescência comecei a me sentir muito mal com meu corpo, passei a ir de bermuda, depois sob  justificativa de não assar a barriga na prancha passei a entrar de mar no blusa, mas era não eram roupas de banho, eram roupas comuns e era bizarro eu todo dia na praia com aquele monte de roupa encharca ouvindo minha avó insistir pra eu tirar aquela camisa que eu n tirava nem um segundo. A praia foi s e tornando um lugar cada vez mais inóspito pra mim e depois de pouco a pouco fui me antipatizando, casei com meu marido que tbm não era muito fã do mar e morei anos em uma cidade de praias paradisíacas sem ir a praia jamais. Em 2021 eu queria passar a ter marca de sunga, tirar as marcas de camisetas, já estava mais vaidoso e vivendo nesse lugar paradisíaco comecei a considerar a pegar sol no quintal, até que me dei conta do absurdo e já lidando melhor com meu corpo passei a ir a praia, de início uma praia mais deserta, depois qualquer praia e de sunga e pau no cu do mundo, ra uma sensação de liberdade. Acho praia uma rolê bem cansativo e puxado, mas sim, me dou super bem com esse ambiente hoje.  Foi assim, desse jeito que virei praieiro. 

Outra coisa é sobre minha persona motorista, por que quando eu escrevia nesse blog não sabia dirigir. Tirei minha carteira em 2016 e pra mim foi quase que inacreditável. Em 2013 passei por todo processo e perdi na prova duas vezes, prometi pra mim mesmo que só voltaria a tentar quando comprasse um carro, em 2016 comprei um celtinha, duas portas  manual, sem direção hidráulica, mas olha... Que saudades! Em quatro meses tirei carteira e passei a dirigir e honestamente, carro te trás uma liberdade tão grande, é realmente uma mudança, inclusive pra tua vida social. 

Na época ouvia de várias amigas que levaram meses pra por o carro na garagem pela primeira vez, outra a mãe levou um ano indo com ela ao serviço e buscando até ela pegar segurança, outra com cinco anos de carteira não pegava estrada. Eu não tinha quem fizesse nada disso por mim e tendo meu primeiro carro aos 32 anos não levaria esse tempo todo pra pegar estrada, aliás não levaria mesmo. Com uma semana viajei pra cidade vizinha há 25 kms, na outra fui há uma a 35kms, depois outra a 60kms, na quarta semana 120 kms, cm seis meses de carteira viajei do interior do Rio até BH. Eu lembro que os últimos lugares que peguei confiança de dirigir foi na capital e pra subir a serra de Petrópolis. Pro Rio eu sempre ia até Niterói, atravessava de barca e fazia tudo de uber, hj eu dirijo até lá, mas continuo odiando andar de carro por lá, deixo meu carro na garagem e continuo fazendo tudo de uber. Acho os motoristas mal educados, a cidade cheia de armadilhas, corro mesmo, mas a bem da verdade é que com o waze na mão eu vou pra qualquer lugar. Aprender a dirigir criou em mim outra relação com a estrada, antes eu gostava de viajar, mas odiava a estrada. Eu enjoo viajando de carro, então não conseguia ler e nem fazer nada, era um tempo inútil. Hoje eu adoro estrada, não enjoo dirigindo, adoro fazer longas viagens de carro, adoro acordar cedão e amanhecer na estrada, é um paisagem muito confortável pra mim.

Se sou um exímio motorista? Não me acho, inclusive volta e meia tomo uma multa na cara, mas sou carudo e me meto em qualquer lugar. Recentemente meu trabalho abriu uma unidade em Brasília e por vários motivos a gente não tem passagem aérea contemplada, então volta e meia cortamos Minas Gerais inteira de carro e vamos pra Brasília, da última vez eu fiz a estrada toda sozinho na volta, 1200kms, a maior estrada que peguei na minha vida e repito, amo. Adoro parar nas cidades, comer na estrada conhecer os lugares. . 

O que me motivou escrever esse post hoje foi ter emprestado o carro pra minha mãe e  tirar ele da garagem pra ela pq era muito imprensadinha e eu estou mais acostumado, me vendo tirar o carro ela falou "meu filho você dirigir é quase um milagre pq eu confesso que achei que você não aprenderia nunca". Minha mãezinha e o jetinho dela, mas eu juro que entendo, pq autoescola foi o primeiro desafio que peguei na minha vida que eu realmente não creditava que chegaria no final, pq foi exatamente por ser um homem gordo que nunca foi devidamente trabalhado na minha motricidade, que eu não tinha senso de direção nenhuma, controle motor, noção espacial, um verdadeiro caos. A primeira vez que subi numa esteira na minha vida foi em 2017 e eu tive que aprender a andar na esteira por que eu tinha medo de cair.  Hoje todas a vezes que converso com alguém que mora longe eu vou pro maps, eu olho a distância, olho o caminho, faço cálculos, não que necessariamente eu vá, mas adoro planejar viagem, reconhecer caminhos, uma realidade totalmente diferente do que eu e era há alguns anos atrás e foi desse jeito que virei estradeiro.

6.10.24

Sobreviventes




 É assim que me classifico, um sobrevivente do terror que foram os anos do governo Bolsonaro no poder. Eu resolvi fazer esse post depois que um antigo leitor, da época que esse blog era mais ativo, comentar recentemente sobre o fato deu me identificar com a personagem Bree Van de Kamp a ponto de usar o sobrenome no meu pseudônimo por anos  aqui no blog, sendo ela uma personagem armamentista e conservadora (situação que prontamente respondi no próprio post - três abaixo, caso alguém tenha interesse) . Ele falou sobre o vortex que rolou no Brasil nos últimos anos e que ficava se questionando essa minha identificação diante deste cenário.

Daí me dei conta que voltar aqui sem falar sobre como vivi esses acontecimentos era meio que me silenciar sobre algo que realmente nos engoliu e transformou tudo, a realidade tá muito diferente do que era  em 2009, quando esse blog nasceu.  É curioso que alguns analistas entendem que a gênesis da história contemporânea Brasileira foi o "vem pra rua" em 2013, época que esse blog era ativo e eu fui pra rua e comentei aqui. Outros dizem que foi o golpe em 2016, época que tentei retornar com o blog e também falei sobre isso bem aqui. Todavia em ambos os momentos acho que eu tinha um visão quase inocente da realidade dado os acontecimentos posteriores, por que verdade seja dita se meu medo em 2016 era Marina Silva como uma opção eu realmente não fazia ideia de como as coisas poderiam escalonar.

Mas voltando a 2013, me pergunto se realmente ali foi onde tudo começou, talvez possamos dizer que sim, pq aquela situação marcava um descontentamento generalizado com a  classe política e na sequência abrimos um era de outsiders que vai de Alexandre Frota a Pablo Marçal. Em 2014  a derrota de Aécio e a desconfiança das eleições com o pedido pra recontar os votos foi outro tiro, que hoje Aécio já assume que não achava que tinha perdido e fez pra perturbar o PT, foi uma trollada, fazendo humor com o processo democrático.

2016 foi o golpe de misericórdia, tudo foi horrível. Há quem diga que Dilma é alguém que de fato desperta sentimentos fortes, sem meio termo, ou se ama ou se odeia e eu tô no time que ama. Me emociono mesmo, choro quando o tema vai a fundo. A ex guerrilheira, que virou presidente, saiu num golpe orquestrado e praticamente público. A carta do Temer o áudio do Juncá falando em estancar a sangria da lava jato num acordão com imprensa, supremo e tudo... Aquele circo patético com os motivos mais bizarros do mundo que foi o impetchment de Dilma e ela naquele plenário diante dos lobos, FIRME, ALTIVA... Falando que a história cobrará sobre o golpe, falando o quão classista, misógino e racista era aquele golpe. Ela sabia o quanto 12 anos de governo PT fortaleceu minorias, emancipou pessoas e como isso era insuportável pros verdadeiros donos do poder desse pais. Dilma enfrentou os torturadores da ditadura, Dilma enfrentou os abutres da democracia, Dilma é uma gigante a quem o povo brasileiro deveria ter muita gratidão.

Dilma cai e sobe Temer, sua foto com o um grupo de ministros homens brancos de meia idade já apontava para um retorno do completo controle nas mãos de quem temia perder o controle. A reforma trabalhista deixava isso ainda claro, mas lógico que eles sabiam que dois anos era nada e que Lula ia voltar gigante. Lula é preso... Surge Bolsonaro.

Eu juro que não acreditei, meu maior medo era um retorno tucano na figura do Alckimin. Eu sabia quem era Bolsonaro por ser essa figura bizarra dos programas popularescos desde meado da década. Que estava nas arenas da Luciana Gimenez que adorava propor "debates" entre pastores da universal e travestis da lapa, sabia do Bolsonaro do CQC... Não, não era possível! Eu fui inocente, Trump já tinha se tornado o trampolim da extrema direita mundo a fora, a virada da extrema direita já estava acontecendo, mas eu não acreditava.

Foi no fim do primeiro turno que a ficha caiu, eu chorei muito, muito mesmo.. Eu que sempre dizia pro meu marido "relaxa, vai ficar tudo bem", me senti vulnerável. As semanas anteriores ao segundo turno a escalada da violência foi bizarra. Num dia as mulheres estavam nas ruas gritando "ele não", no outro a recomendação era não andarem sozinhas com o adesivo na rua. Diversos amigos meus relataram agressão, gente que nem era militante, eu mesmo uma noite antes de ir votar indo num bar comprar refrigerante ouvi alguns homens falando que Bolsonaro ia acabar com essa pouca vergonha desse monte de viados, até hj não sei se era pra mim. Nessa época tbm virilizou o vídeo no metrô de São Paulo lotado, no horário do rush com vários homens batendo no teto e gritando "Bolsonaro vai matar viado" .

Eu só podia contar com o "ninguém solta a mão de ninguém", mas com um sentimento que ninguém nem nunca segurou minha mão direito. O mundo gay em que as pessoas se bloqueiam por achar seu interlocutor feio era com quem eu podia contar.  

Damaris Alves, Ricardo Salles, Olavo de Carvalho... O desmonte estava armado, políticas públicas desmontadas, ataque as instituições, imprensa, ciência.. A democracia sendo golpeada dia após dia. Daí veio o Covid... Esquece! O espetáculo do desgoverno, a cloroquina, o negacionismo no talo... Os números de mortos, a vacina negligenciada, a morte em todo os lugares, Paulo Gustavo... O cheiro da morte. 

Quando Lula voltou em qualquer lugar a esperança reacendeu e nós precisávamos disso, mas o cenário é a treva. A extrema direita se espalha, não acabou. Pablo Marçal é a prova de que não a acabou, que Bolsonaro pode até morrer, mas temos uma sociedade contaminada pelo o ódio e a ignorância. A crise não é só política e econômica, a crise é humanitária! Marçal um risco em SP, Trump nos EUA, Le Pen na França.. Milei levou na Argentina... Na Alemanha e na Itália os descendentes de grandes figuras dos partidos nazista e fascistas retornam pra cena. 

Diante disso tudo eu penso que eu e algumas gerações depois da minha fomos criados num período que parecia que a civilização tinha chegado num porto de força e estruturação que não havia mais espaço pra que grandes absurdos como o holocausto acontecessem novamente. Nós andamos pra trás, questionamos mais vacinas, relativizamos a democracia, passamos a questionar marcos civilizatórios que nos permitiram existirmos enquanto coletividade e quando falo nós destaco especialmente a juventude que representa o futuro.

Nada tá dado, nada nunca esteve dado na verdade e se em algum momento lá na frente alguém achar isso precisamos ser memória viva desses dias pra fazer as próximas gerações se manterem atentas e fortes, por que nunca vai ter fim. 

30.9.24

Brigitte Vasaloo and me


Certa vez em uma entrevista Clarice Linspector falou sobre o fato de que não escrevia na esperança de que algo se alterasse, pq no fundo nada se altera e aí ela fecha dizendo "agente quer desabrochar de um modo ou de outro". Eu poderia citar diversos pensadores, de Paulo Freire a Sócrates, que vão defender a premissa que o processo de aprendizagem não tem a ver apenas sobre como aquilo está sendo passado, mas sobre como a minha experiência empírica vai me fazer absorver aquilo. Eu lembro que quando li Regina Navarro Lins fiquei extasiado ao me reconhecer no conceito de poliamor, mas a bem da verdade é que aquilo já estava muito claro pra mim, Regina trouxe complexidade, estabeleceu fluxos, relações de causa e efeito, lançou luz sobre corredores escuros e me espantou fantasmas, mas eu já sabia. Talvez você que esteja lendo suspeite que possa ser uma arrogância da minha parte ou a tentativa de querer passar uma imagem de "sabichão", mas a maior prova do que estou falando tá aqui nesse blog mesmo. Conheci o trabalho de Regina em 2013 quando li seu primeiro livro, mas em fevereiro de 2012 fiz um post aqui intitulado "conselhos para um gay iniciante", que dentre outras coisas escrevo: 

"Tb não me caia na esparrela de achar que um dia vc vai encontrar o homem certo e ai vc vai desejar apenas ele... Isso é uma grande tolice... Continuará desejando tantos qtos parecerem interessantes pra vc... Talvez vc entre numa relação onde consiga dar vazão a isso (e eu recomendo isso mesmo, desde que haja maturidade pra entender o quão seria é uma relação ainda que aberta)... Mas talvez não, o que tb não tem problema, faça o que suporta... Em todo caso tente ser honesto dentro daquilo que vc se propôs... (mais um gole d’água) ... As vezes vc não vai conseguir... Não precisa se matar por isso, só tente não fazer disso um hábito... Um minuto.. Preciso encher meu copo!!!"

 Eu já sabia, mas de maneira alguma diminuo a importância das contribuições de Regina pro meu autoconhecimento. Onze anos depois de conhecer ela conheci o trabalho de Brigite Vasaloo autora do livro "O Desafio Poliamoroso". Quem me apresentou foi um boy que eu fiquei alguma vezes numa viagem que fiz a Brasília (que vou chamar aqui de Poeta). Ele me recomendou o livro, mas acima de tudo ele trazia um debate muito sólido sobre poliamor, com percepções muito específicas e que estava muito calcado nas suas vivências, mas também na sua leitura/identificação com Vasaloo, o que me deixou tão curioso pra ler o livro que acabei comprando ainda quando estava lá. Eu me encantei muito pela leitura de mundo que o Poeta trazia, não só pq ele era lindo, generoso, inteligente etc etc etc... Mas pq ele também acendeu holofotes em outros corredores escuros que foram se criando com minha vivência com o poliamor em todos esses anos. Você deve está se perguntando o que de tão novo ele e Vasaloo traziam pra mim. 

Pois bem, o Poeta dizia que o que mais pegou ele no livro não foi as percepções dela da monogamia/poligamia, mas sobre como uma série de lógicas que são formadas e formadoras da monogamia influenciam nas relações não monogâmicas, fazendo com que a autora questionasse uma série de conduções de relações poliamorosas. O que pegava nesse livro não era sobre eles, era sobre nós. 

O Poeta trazia uma percepção das relações poliamoristas numa perspectiva de rede de apoio, tem um trecho do livro em que Brigitte fala sobre como as pessoas se questionam sobre questões frívolas da estrutura das relações não monogâmicas preocupando-se com coisas banais como quem vai sentar do lado de quem na cadeira do restaurante, mas sem ter nenhum questionamento sobre quem vai ser o acompanhante no hospital quando um adoecer. Brigitte parte de aspectos muito estruturantes para poder se embasar, reflete, por exemplo, sobre como o exclusivismo (a lógica que vc deve "pertencer" exclusivamente a um individuo) se constrói numa ideia muito mais ampla de que aquilo que não pertence a todos tem valor e isso é uma pedra angular do capital. A coisa deixa de ser valorizada pelo que efetivamente trás de benefício para o individuo, mas sobre o quanto os demais não podem ter, sobre o quão exclusivo aquilo é, um bom exemplo disso é o mercado de pedras preciosas. Diamante só vale o que vale pq é raro e a gente resolveu valorizar por isso, não é pelo benefício que ele pode trazer pra você. Por tanto, partindo do pré suposto, um parceiro que tem um sexo acessível para outros indivíduos, não tem nada de raro pra me entregar, não é exclusivo. Essa e muitas outras coisas me pegaram bastante, mas a coisa da rede de apoio me pegou mais, talvez por que eu tivesse vivido algo muito recentemente que vinha bem de encontro com o debate. 

Um ano antes disso acontecer o Calopsita (meu marido) conheceu um boy e ele começou a ficar muito próximo dele (vou chama-lo aqui de Sr Centro do Mundo, ou só Centro). Logo que ele me apresentou Centro me encantei, pq ele era um querido, um gostoso, bom demais de cama, valia cada segundo. Eles dois tinham uma puta conexão e eu começava a me entender com Centro. Nós passamos a virar um trio e eu meio que passei a tentar mediar um pouco a relação com o marido dele, pq sim ele era casado e esse debate do poliamor era bem rudimentar para eles. Identifico que muito da nossa aproximação com o marido dele foi em função exatamente dessa lógica da rede de apoio. Centro tinha graves questões de saúde mental, o que gerava problemas sérios, crises graves e o marido dele não tinha muito com quem contar, entendia que toda essa galera com quem ele tinha apenas relações fundamentadas em sexo, não chegavam junto pra nada nos momentos de fragilidade dele e foi nessa brecha que a gente entrou, foi entendendo que nós éramos apoio que ele começou a abrir essa porta. Daí que volta e meia ele ficava preocupado, mandava msg pra saber se Centro estava lá em casa e ficava tranquilo de saber que estava. Também houveram momentos de crise de Centro que ele nos ligou e nós prontamente corremos pra lá pra ajudar. Tudo corria bem quando em maio de 2023 ele nos pediu em namoro e nós aceitamos de pronto. A questão é que com muito pouco tempo as coisas entre eu e ele passaram a ficar mais nebulosas, eu viajava muito a trabalho, estava mais fora do que dentro, isso gerou uma aproximação forte entre ele e o meu marido, mas comigo além de haver menos afinidades, havia um incomodo meu em ter que estar sempre em volta dos problemas dele quando eu estava no meu pouco descanso em casa. Pq na minha leitura, quando estávamos com ele, tudo era sobre ele, sobre como o humor dele estava, sobre o quanto ele tinha que ser atendido para não desestabilizar e sobre o quanto toda precaução do mundo muitas vezes não era suficiente. Na contrapartida meu marido foi se sedimentando ainda mais como uma rede de apoio importante pra ele. Cada vez mais limitado, deixando de fazer coisas em função da sua saúde mental e precisando de companhia pra uma série de  coisas, Centro demandava e meu marido sempre estava lá pra segurar sua mão. Num determinado momento o marido dele deixou de trabalhar e dali pra frente ele passou a ter mais dificuldade de administrar esse tempo e se antes ele vivia lá em casa, ele começou a diminuir bem esse ritmo, mesmo morando há poucas quadras. Calopsita sentiu a falta, eu senti alívio! Até que um belo dia o meu marido teve uma apendicite, quem já teve sabe como tudo acontece mega rápido nesses casos. Numa sexta ele sentiu a dor, no sábado operou, domingo estava de alta, porém foi um período bem complicado, por que eu continuei trabalhando, tinha todos os cuidados de casa e ainda precisava ajuda-lo em coisas mínimas no pós operatório. A situação começou numa sexta, mas só na segunda, diante do total silêncio do Senhor Centro do Mundo que fui perguntar pro meu marido se ele soube do ocorrido e pasmem, ele contou que estava indo pro hospital sexta passando mal e o boy não perguntou mais nada depois. A situação gerou uma crise entre os dois, naquela altura dos acontecimentos eu já estava bem afastado dele, mas não aponto de deixar de falar. Pelo whatsapp o Senhor Cntro do Mundo reverteu a situação falando: "ah desculpa, eu não to bem e blá blá blá" e para a surpresa de zero pessoas o assunto começou a ser sobre ele novamente. No dia que ele foi lá em casa conversar com Calopsita, Centro mal me olhava, desconfio inclusive que ele achava que eu manipulei a narrativa, mas também não me preocupei em falar nada pq não tinha mais nenhuma intenção de reverter absolutamente nada com ele e achava que aquilo era sobre eles, porém a conversa com eles também  não foi pra lugar nenhum, pq claro que as questões de saúde mental também justificavam uma inabilidade social e uma incapacidade de discutir problemas. Dali pra frente foi ladeira morro a baixo. A conversa nunca veio, ele já não ia lá em casa nunca, pouco tempo depois separou do marido e foi pra casa da mãe, nós nos aproximamos, ajudamos inclusive na mudança, mas nenhum diálogo com ele... Calopsita começou a namorar outro cara, eu comecei a sair com outro garoto, mas nenhum diálogo com ele... A gente começou a se reaproximar numa lógica de amizade (embora a gente ainda se cumprimentasse se beijando), mas nenhum diálogo com ele... Cheguei até tentar transar um dia, mas foi total torta de climão que se sustentava num silêncio abissal, nenhum som... Nada. Quando recebemos a notícia que precisavamos mudar de cidade, começamos a viver esse luto, organizar a mudança e falamos com ele em torno de 3 semanas antes, ele teve uma relação meio que "ok" e nunca mais nos falamos. Meu marido hoje diz que nem gosta de ver as coisas dele no instagram e eu entendo, por que ele mergulhou fundo e terminou no vazio. 

O Poeta e Brigitte falavam comigo sobre como tantas vezes, numa perspectiva poliamorista, as pessoas criavam relações tão frágeis que muitas vezes ela não tinham se quer com o que terminar e isso me bateu muito. Fiquei pensando não só no que tinha acontecido com o Senhor Centro do Mundo, mas todas as zilhares de vezes que eu ocupei esse lugar. O meu autoconhecimento enquanto um homem poliamorista mudou bastante com o tempo, aliás não só o meu autoconhecimento, mas a minha dinâmica mesmo. Durante muito tempo me senti muito desconfortável com a ideia de que meu marido era obrigado a se adaptar o tempo inteiro as minhas demandas e que pra mim nunca parecia estar bom, é muito recente o meu entendimento de que na verdade relação aberta não é poliamor, que ela tem uma dinâmica muito parecida com a da monogamia e que não é que ele tivesse que se adaptar sempre, eu que vivi uma frankenstein de poliamor, fazendo uma série de pactuações que não me atendiam por que de fato não iam de encontro ao que funcionava pra mim. Todavia sinto que fim de tudo gerou em mim um módus operantes que fez com que por muitas vezes as pessoas com quem eu me relacionava ocupassem lugares quase que de amantes, eram como parênteses na minha história. Certa vez fiquei com um menino lindo, encantador e negro. De pouco a pouco ele foi se esquivando  de maneira que eu não conseguia se quer conversar com ele, mas a verdade é que eu já tinha entendido tudo e já que ele não me permitia aproximação escrevi um e-mail me desculpando e falando sobre as cicatrizes que um homem preto tantas vezes carrega pelos sub lugares que ocupa e que eu me achava o ás da modernidade, mas reproduzia padrões que historicamente colocava pessoas pretas como uma relação furtiva a ser escondida. Mais uma vez repito, eu já tinha debate sobre o fato de que muitas vezes o sujeito entra numa relação poliamorista como se tivesse entrando numa "não relação", as vezes a ponto de dizer que o fazia buscando "leveza", ignorando toda complexidade existente na dinâmica da manutenção de relações livres saudáveis, mas foi com o Poeta e com Vasaloo que parei para prestar atenção em pequenos nuances que eu reproduzia e que me colocavam no exato lugar que criticava. 

As novas reflexões me levaram a repensar uma outra relação, com um um boy que conheci numa viagem para Salvador, vivemos um romance meteórico e ao sair de lá ele foi taxativo em dizer que ele fazia seu destino e que não precisava haver um fim em função de uma distância geográfica. O baianinho é um querido com quem tenho muitas identificações de visão de mundo além de forte conexão sexual, mas um estilo de vida completamente distante do meu. Não se tratava apenas da distância geográfica, mas de muitas outras distâncias e todas as vezes que eu tentei apontar pra esse fato, tentei refletir com ele que por mais que a gente tivesse muito carinho um pelo outro talvez realmente não houvesse liga pra segurar uma relação ele era completamente relutante por questões que identifico serem muito dele, tinha muito a ver com o quão ele não se sente confortável em ocupar alguns dos lugares que nos distancia então talvez ele quisesse forçar uma narrativa onde coubesse sim, uma narrativa em que nem era tão distante assim ou pelo menos poderia deixar de ser, mas a verdade é que era e a coisa foi se esvaindo em silêncios e mais distância... Quando eu conheci a Vasaloo e comecei a pensar sobre essas coisas, tentei abordar, mas acho que talvez não tenha sido suficientemente posturado.

Quando estava deixando Rio das Ostras eu estava saindo com um garoto, pra esse deixei bem claro desde no início que não havia uma relação, ali não só eu já estava refletindo sobre tudo isso, como já sabia da eminência da mudança, mas olhando pra trás fico me perguntando até que ponto talvez eu não tenha dado sinais que iam em oposição a o que estava discursando pra depois colocar tudo na conta de uma interpretação equivocada dele. O Senhor Centro do Mundo foi uma ótima ilustração do que eu não queria e "o desafio poliamoroso" foi um passo importante para minha autopercepção e do quanto em muitos momentos eu me aproveito dos equívocos que as pessoas cometem quando pensam em poliamor para não enfrentar coisas que talvez não tenha coragem de enfrentar.

 Eu sou um homem poliamorista. Parceiros múltiplos sexuais são importante pra mim, afetos são importantes pra mim, cuidados são importantes pra mim, coerência é importante pra mim. Brigitte Vasaloo me fez olhar com atenção pra uma série de coisas importantes pra mim, que não quero  que sejam negligenciadas de mim e nem que sejam negligenciadas por mim.

24.9.24

Catita e a causa pet na vida do gato




Conheci Catita no segundo semestre de 2018, na ocasião eu morava num apartamento que tinha um estacionamento que ficava de frente pra ele e era aberto, ela era uma vira latinha de rua que ia pra lá dormir. Sua presença gerou meio que um paradoxo, pq ela era muito carinhosa e meiga e todo mundo do prédio colocava uma comidinha e água pra ela, mas ela tbm era infestada de pulgas e carrapatos e meio que rolou uma infestação no estacionamento. Daí o dono do lugar meio que ficava querendo tirar, mas ele mesmo sentia dó.

Todas as vezes que eu ia pegar meu carro ela vinha abanando a caldinha e se por ventura eu não passasse a mão na cabeça dela, ela chorava. Quando eu ia a padaria ou super mercado ela tbm vinha atrás de mim, a vezes chorava do meu lado, daí eu parava e fazia carinho e quando eu levantava ela chorava de novo. Precisava brigar pra ela não entrar nos estabelecimentos comerciais comigo.  Eu era míope pra muita coisa naquela época, mas a verdade era uma só, ela já tinha me escolhido. 

Naquela altura eu já tava bem afim de pegar ela pra mim, mas pensava nos gastos e em tudo que um animal de rua podia ter de doenças. Um belo dia eu estava em viagem e meu marido me manda um vídeo dela dizendo que achava que algo havia acontecido, a bichinha estava arrastando as pata de trás, fiquei perturbado, mas a noite mandou outro vídeo dela chorando tentando morder os mosquitos e sem conseguir sair do lugar. Ficou claro que aconteceu algum acidente com Catita e que ela ia morrer ali, com a gente assistindo, eu não aguentei.

Logo que cheguei enrolei ela num lençol velho, levei num veterinário amigo meu, entrei com a medicação de pulgas e carrapatos, marquei exames, dei um banho nela e levei pra minha casa. Após o raio x veio a confirmação que havia sido atropelada e a cirurgia não sairia a menos de 3000 reais. Eu não tinha o dinheiro e daí lancei uma campanha na internet, consegui levantar a grana, fiz um instagram pra ela e passei a documentar toda a recuperação.

Descobrimos que Catita já era velhinha, mais ou menos uns 08 anos e que provavelmente viveu na rua todos esse tempo, sendo uma resiliente mesmo, passando fome, frio e muita carência pq a bichinha era muito carinhosa. Em função da idade avançada o médico falou que a recuperação ia ser lenta, ensinou pra gente exercícios de fisioterapia. Todo dia descíamos com ela no colo e fazíamos. A recuperação foi realmente lenta  cada passinho era comemorado, aos pouco ela voltou a andar, depois com muita dificuldade começou a subir a escada, pelos cantinhos se escorando, um dia tomei um susto quando a vi em cima do sofá.

Ela já estava com a gente há mais ou menos 08 meses, vinha recuperando no tempinho dela quando começou uma tosse muito estranha, foi tudo muito rápido. Era verme do coração, Catita nos deixou, alguns meses depois da morte dos meus avós e eu não tenho adjetivo pra descrever pra vocês o tamanho do buraco. Eu durante toda minha infância tive cachorros, com vinte e poucos anos enterrei a ultima cachorrinha da minha infância, foi um golpe tão duro que prometi que nunca mais queria ter de novo, foi Catita que me reacendeu esse desejo novamente, com seu jeito meigo, seu olhar tão expressivo e com a generosidade com que me adotou.

Eu fui atravessado pra sempre por ela, passei a olhar pra causa dos animais de rua, antes eles realmente era invisíveis pra mim, hoje eu não posso ver um cachorrinho pela rua que não consigo pensar sobre o quanto esse bichinho está exposto e negligenciado, hoje carrego comigo o desejo de envelhecer num santuário pra animais resgatados, é um sonho mesmo. Também agarrei ranço de quem compra animal e milito contra a comercialização deles.  

Algum tempo depois conheci um protetor de animais, contei minha história pra ele que super me acolheu, um dia me ligou dizendo que um dos espaços que ele tinha pra seus bichos ficava num condomínio e ele estava sendo pressionado a retirar os animais, pediu pra ser lar temporário de uma cadelinha, mas ele foi bem safado e falou "estou mandando uma na maldade, ela é a cara de vocês". O bandido acertou em cheio, nunca mais devolvemos e foi assim que Laika entrou na nossas vidas.




Quando chegou era magrinha e com os pelos igual um ursinho arrepiado, mas nada que um bom trato não transformasse ela na princesa que ela virou. Segundo nosso amigo uma mulher levou ela pra castração pública dizendo que era da sua vizinha, que vivia largada  que uma hora ia aparecer cheia de filhotes. A mulher nunca mais voltou pra pegar.  Já tem 05 anos que Laika está com agente, ela é tão meiga, sossegadinha, medrosa, que eu fico me perguntando como esse bichinho vivia largado. Seja lá como for ela hoje tem uma família e um lar.

Durante muito tempo carreguei a culpa comigo e não ter buscado um veterinário pra Catita nos primeiro sinais, hoje eu entendo que ela veio pra minha vida pra abrir meus olhos e eu vim pra dela, pra garantir um pouquinho de alegria numa vida tão sofrida, ela foi muito amada e cuidada nos seus últimos meses. Na minha ignorância eu não deixava ela subir em cima da cama, deitar comigo e hoje Laika literalmente faz o que quer. Para um casal gay ter um animal como seu dependente em casa meio que acaba sendo a cereja do bolo na formação de uma família, nós somos melhores, mais unidos e nossa casa tem muito mais amor com  presença dela aqui e certamente nunca mais deixaremos de ter um animalzinho adotado com a gente e toda essa alegria eu devo ao meu anjinho, Catita.




21.9.24

Bela, recatada, chão de taco e do lar


 

Em 2016, logo após o golpe de estado  que retirou a presidenta democraticamente eleita, Dilma Rousseff, do poder a revista veja publicou uma matéria falando da nova primeira dama (esposa do golpista), Marcela Temer, que tinha como manchete a máxima "Bela, recatada e do lar". Na ocasião Marcela tinha 33 anos e seu marido 75, o que diz muito do modus operantes do homem e bem, das contradições da "tradicional família brasileira", do patriarcado  e etc etc etc...

Claro que geral caiu em cima, afinal com tanto avanço do debate feminista uma revista se propor a fazer uma matéria sobre uma primeira dama que parecia estar falando de uma dona de casa americana da década de 50 só podia gerar muita polêmica. A bem da verdade é que olhando pra trás isso foi apenas o começo de um mar de retrocesso que viria depois, que até hoje seguimos amargando. 

Feito a devida crítica a manchete escrota devo confessar que se pra uma primeira dama o título soa retrocesso, para uma gay jovem senhora de meia idade é a revolução, pq sim... Amo essa vibes "do lar". A parte do recatada talvez não tenha tanto alinhamento e do bela é uma questão de ponto de vista, mas do lar, eu amo e reivindico.

Durante muitos anos usei o pseudônimo aqui Gato Van e Kamp fazendo alusão a personagem da Bree Van de Kamp da instinta série desperate housewife, que era uma eximia dona de casa. Em 2010 adotei o apelido pq começava a me interessar por prenda domésticas e isso estava cada vez mais evidente na minha personalidade. Em 2014 fiz um post falando do quanto isso se sedimentou e eu realmente curtia muito. Em 2024 afirmo com toda certeza que virou um traço tão forte da minha personalidade que é comum nego reclamar que não tô mais colocando receita na minhas redes sociais.

A maior motivação pra eu escrever esse post é pq ando considerando abrir um canal pra divulgar achadinhos da shopee e que embora minha predileção seja itens de cozinha, eu tbm adoro comprar e conhecer novos produtos de limpeza, compra roupa de cama, arrumar mesa e por aí vai..

Claro que tudo isso com um toque chão de taquer, pq se vc me perguntar o melhor life stile pra se existir no planeta eu certamente vou falar que é a gay chão de taco, com eu apartamento de chão de taco num centro de um grande centro, cheia de plantas, seus gatos, vinis e frequentando suas cafeterias , teatro, exposições e afins. Vivo a frustração de nunca ter morado no centro de um grande centro (isso é um papo pra um outro post), mas atendo vários requisitos: Casa lotada de planta, pai de pet, amante de cafeterias e por aí vai... No fim da história ela faz a pinup dela e assim seguiu sendo esse hibrido de Marcela Temer e Rogéria, pq sim, equilíbrio é tudo.






13.9.24

RPG de Mesa



Se você procurar na internet uma definição sobre o que é RPG de mesa, sempre vai encontrar uma resposta meio mecânica, mas eficiente... Então eu vou partir da definição que chat GPT me deu pra começar essa conversa:

"RPG de mesa, ou Role-Playing Game, é um jogo em que os participantes criam e interpretam personagens fictícios dentro de um cenário e narrativa previamente definidos. Diferente de outros tipos de jogos, o RPG de mesa é colaborativo, sem um objetivo final fixo, e sua principal característica é a liberdade de ação e a criatividade dos jogadores."

É isso, nesta dinâmica você vai ter a figura do mestre do jogo, ele cria a trama principal e cria todos os personagens secundários (que são todos aqueles que não são vividos pelos jogadores, sejam eles aliados, inimigos ou neutros). Também temos os jogadores, que precisam construir um personagem, tanto montar sua história como criar uma ficha que vai definir suas habilidades. Partindo disso o mestre vai criar as situações e os personagens devem descrever suas ações, interagir entre si e com os personagens do mestre e etc.

As ações são sempre balizadas por dados, desta forma quando uma pessoa diz que vai fazer uma ação o mestre vai pedir pra que ele faça uma rolagem de dado que vai avaliar se ele teve sucesso ou não nas suas intenções. 

Dentro desse universo existem diversos jogos, eles te dão os elementos necessários pra vc jogar, alguns vão ter recursos como miniaturas, tabuleiro e afins, mas o básico que vai ter em todos é ficha, dados e livros. Um livro de RPG vai te dar duas dimensões importantes: O sistema e o universo.

O sistema são as regras do jogo, ele vai descrever em quais circunstâncias os dados devem ser rolados, quando vai haver um sucesso, um fracasso e suas consequências. Já o universo é o mundo em que aquela trama se passa. Pode ser uma história medieval, uma história de heróis, um mundo distópico pós apocalíptico e etc.

Tem RPG de tudo, de absolutamente tudo. O mais popular no Brasil e no mundo é o Dungeons & Dragons” (D&D). Ele tá meio que na origem da coisa, O RPG de mesa tem suas raízes em jogos de guerra ( wargames) do início do século XX, onde os jogadores simulavam batalhas militares usando miniaturas e regras construídas. O grande ponto de transição para o RPG ocorreu em 1974 com a criação de D&D por Gary Gygax e Dave Arneson. “Dungeons & Dragons” incorpora elementos de fantasia e narração, permitindo que os jogadores assumam o papel de personagens em aventuras imaginárias, em vez de apenas comandar exércitos.

A partir daí, o RPG de mesa se expandiu rapidamente, inspirando a criação de muitos outros sistemas e cenários, como “Chamado de Cthulhu”, “Vampiro: A Máscara”, “Shadowrun”, entre outros. O RPG se tornou um personagem cultural, sendo adotado em vários países e comunidades ao redor do mundo, ganhando popularidade especialmente nos anos 80 e 90.

A cena mudou bastante com a popularização e  avanço dos jogos eletrônicos, não sei precisar em termos de números, mas certamente joga-se muito mais RPG por game do que o de mesa. Por mais que os games tenham avançado bastante nas suas simulações da realidade é tipo comparar livro com filme, a imaginação humana sempre será uma fonte infinitamente mais ampla de muitas possibilidades.

A dinâmica do D&D cabe bem no universo game, por que em geral ele é mais objetivo nas suas missões, outros já tem mais complexidade. Eu comecei a jogar em sistemas adaptados (aliás acho um ótimo começo). Sistemas adaptados são sistemas simplificados, com menos regras e engessamento. Em geral são mais simples, então eu jogava em sistemas similares com a dinâmica do D&D, mas bem interpretativo. Em 2018 comecei a jogar Vampiro a Máscara e desde então não parei mais. Na verdade minha relação com RPG tá diretamente ligado ao meu casamento, meu marido é um jogador veterano, orgânico, desde a adolescência. Quando casei com ele, ele veio morar comigo há mais de 700kms da sua cidade e sempre dizia "será que nunca mais vou jogar RPG?". Eu ficava com muita dó e foi assim que resolvi aprender pra poder tentar arrumar pelo menos mais um jogador e poder proporcionar isso a ele, desta forma eu fui bem atípico, pq diferente da grande maioria dos jogadores eu comecei a jogar com quase 30 anos.

A partir de então a gente passou por três grandes fases. Nosso primeiro grupo com mais dois amigos que fizemos em jogo e mais alguns que foram se incorporando, uma espécie de interlúdio que passamos quando mudamos de cidade e ficamos um tempo curto jogando com uns jogadores de D&D e depois com alguns amigos da faculdade dele, com quem jogamos até hj mesmo todo mundo estando em cidades diferentes. Depois da pandemia passamos a jogar on line e outros jogadores de outros lugares foram se incorporando a esse grupo. Nele rolam várias mesas, quase todos os jogadores narram alguma dentro do universo de Vampiro.

Vampiro a máscara é o jogo mais conhecido da série "World of Darkness" (Mundo das Trevas), um universo de RPGs que explora temas de terror gótico, drama pessoal, intrigas políticas e dilemas morais.  origem de "Vampiro: A Máscara" remonta à década de 1990, quando Mark Rein-Hagen, um dos fundadores da White Wolf Publishing, decidiu criar um RPG que fosse diferente dos jogos de fantasia medieval tradicionais. Ele queria um jogo que explorasse temas mais adultos, emocionais e sombrios, e que oferecesse aos jogadores a chance de interpretar personagens complexos e moralmente ambíguos. Eu costumo brincar que D&D é o ensino médio do RPG e Vampiro a Máscara a faculdade. É um jogo que te coloca diante de conflitos morais diversas vezes, te deixa cheio de dúvidas e tendo que buscar estratégias para solucionar problemas complexos. Inclusive é um bom hobbie pra você falar que tem em entrevistas de emprego, exatamente pelas muitas possibilidades de aprendizagem de forma interativa que vc tem, já aprendi boas lições com RPG.  Aliás ver jogador de RPGs conversando é no mínimo engraçado, você vai ouvir coisas do tipo: "Lembra daquela vez que a gente invadiu o castelo daquele dragão ancião", "lembra quando fulano tentou fazer aquela magia e despertou um demônio ancestral" etc etc etc...

Atualmente o Mundo das Treva estão lançando a sua quinta edição... E o que isso quer dizer? Quer dizer que eles estão relançando o jogo com mudanças no sistema e no universo. Há alterações nas regras do jogo e se o último contava as histórias dos seres das trevas até final da década de 90 agora avançamos até o final da década de 2000.  Uma nova edição de um RPG não diz apenas do lançamento de um livro, mas de uma coleção inteira. Tem o livro base que vai te dar o básico pra jogar, mas tem uma série de suplementos que vai te aprofundar em determinados aspectos daquele universo. No Mundo das trevas há livro base e suplementos de várias criaturas, o que tem mais complemento é vampiro, mas a editora também lançou de caçadores, lobisomens e já estão produzindo de magos. E como mercado editorial se mantém com livros em 2024? Gerando engajamento, colecionadores, fãs... Os livros são verdadeiras obras de arte e uma grana cada um deles, mas eles são lançandos devagar e a gente vai comprando devagarzinho, aqui em casa já tem uns três anos que os presentes de aniversário, natal, dia dos namorados, tudo tem sido livros de RPG e querem saber? Ficam bem lindos na minha estante. 

Pra tentar dividir um pouco dessas sensações com você que está me lendo vou contar um pouco sobre aqueles que classifico como os 4 principais personagens que joguei até hoje, conheçam os meus meninos:


                                  Galatéa Zenon 2012- 2014

Esse período é aproximado, na verdade Galatéa foi minha primeira personagem e foi com a galera da nossa primeira mesa. Os anos foram mais ou menos esses, eu n sei com exatidão, a gente foi e  voltou nesse RPG algumas vezes. Tratava-se de um sistema adaptado de D&D, Galatéa era uma anti-heroína, mas posso dizer que manteve-se assim por que tinha uma boa relação com os outros personagens da mesa, mantendo o espirito de equipe, do contrários seria uma vilã mesmo. 

Naquele universo mítico haviam quatro reinos que se destacavam, três de um hemisfério ao norte rico e um quarto no sul emergente, mais pobre que os outros três, mas muito mais rico que seus vizinhos, fazendo com que ele fosse crucial para as políticas expansionistas do reino principal. Galatéa torna-se rainha desse reino do sul e era uma espécie de "ditadora carismática". A grande mãe do sul, rainha dos apátridas, guerreira de Zeus, vários títulos que atribuía a si. Temida por aliados e inimigos só tinha uma pessoa que segurava bem sua onda, Richard Gutemberg, personagem de outro jogador que era exatamente o oposto dela, era um Paladino, um soldado disciplinado e virtuoso. Richard e Galatéa foram parceiros em muitas aventuras e ele fazia certa vista grossa pros seus métodos... Digamos.. Controverso, como ter uma sala de tortura em seu castelo, por exemplo. Outro jogador colocou o carinhoso apelido de GalaTrevas. Vilã ou não, ela era bastante carismática e tudo passava com certa leveza.

                          Logan 2019 - 2020

Logan foi meu segundo personagem no universo de mundo das trevas no polêmico "Demônio a Queda". Lembra quando eu falei que existiam diversos seres no mundo das trevas? Vampiros, caçadores, magos e e lobisomens são meio que os básicos, mas também existe suplementos para para seres como múmias, fadas e demônios. Sem menor dúvida demônios são o mais polêmicos deles e não vai haver versão dele na quinta edição, mas no grande vale tudo da década de 90 rolou e digo mais, nessa narrativa demônios são anjos que se rebelaram contra a Deus por amor a humanidade, logo us era meio que o vilão, fazia muita alusão a esse Deus maluco e vingativo do velho testamento.  Na verdade a polêmica nem para por aí, um demônio para voltar do abismo precisa de um hospedeiro e esse hospedeiro precisa ser alguém que está mal, que de alguma forma não valoriza a vida e por aí vai.

Mas falando do Logan ele foi o primeiro personagem tanque que peguei (aquele cara que é o porradeiro, brutamontes mesmo) e eu amei a experiência. Ele tinha uma humana (Janine) que era uma amiga, alguém que ele pegou pra proteger e que de algum forma dava sentido a vida dele, Logan fazia tudo para proteger Janine, que era uma personagem super carismática que todos os jogadores amavam. Infelizmente es RPG durou apenas uma temporada. Foi uma mesa bastante diversificada de jogadores, curtinha, mas que me marcou bastante. 

                                                                                      Aisha Monforte Al-Abad 2021-2023

Aisha foi minha personagem numa versão da 3ª edição de vampiro a máscara chamada idade das trevas, voltada pra quem quer jogar vampiro na idade média. A ideia era que nós jogaríamos com nossos personagens numa trama que começaria em 1.300 e iria até os dias atuais, nesses momentos nosso personagens estariam muito fortes, daí eles se tornariam personagens do mestre nós faríamos novos personagens (já da quinta edição, por que quando começamos o dark ages ela só estava anunciada no Brasil) e nossos personagens seriam NPCs. Todavia o jogo foi até mais ou menos 1750, depois disso a trama já estava insuportável e os personagens terminariam se matando. Aisha foi a personagem que joguei por mais tempo, era a mais densa e de longe a mais difícil. Tal como Galatéa eu a fiz pra ser uma ante heroína, mas num universo tão denso e complexo como o mundo das trevas, de um ante herói para um vilão é um pulo. E olha que Aisha nem cometia erro tão graves, mas ao contrário da minha primogênita ela se virou contra os membros da mesa, virou antagonista na história e chegou a matar uma personagem. Só quem joga sabe o que significa vc investir três anos num personagem e ele ser morto, eu nunca perdi um personagem e nunca tinha matado o de ninguém, foi beeeeem pesado. Se ela mereceu? Certamente, todas elas pra quem Aisha se virou mereciam, mas o jogo realmente foi ficando muito pesado, as jogadas todas sendo feitas separadas, tava ficando bem chato e com uma jogadora a menos, com as outras querendo se matar e com mais de um ano da quinta edição lançada no Brasil o mestre resolveu encerrar a mesa e pular pra atualidade. Aisha era uma personagem que tinha consigo apenas uma certeza: "Não interessa quem iria ganhar a guerra, essa pessoa seria quem ela estaria do lado do final". Ela não tinha nenhuma ambição por poder, mas por decidir quem seriam as pessoas que estariam no lugar de poder. Cínica, manipuladora e sorrateira foi sem a menor sombra de dúvida a maior vilão que eu já interpretei. 

       Rick Cruz 2024 até o momento dessa publicação

Depois de 03 anos com Aisha eu precisava de sombra  água fresca e foi nessa pegada que nasceu Rick. Ele é um personagem de Vampiro a Máscara da quinta edição, que tem bastante dotes físicos, mas que não chega a ser o Logan, na verdade ele é acima de tudo um investigador. Além de ser um bom hacker tem várias habilidades de um bom detetive e tá entregando isso com força. Ele é apegado ao grupo, o defende com convicção e está sempre disposto a cooperar com seus parceiros, mesmo que tenha de por a vida em risco. Sua história era pra fazer dele um garoto mais descolado, mas na distribuição dos pontos na ficha sobrou pouco ponto pra carisma me fazendo interpretar mais um nerdão meio lobo solitário, mas ainda sim muito prestativo e disposto a somar.  Numa história ambientada em SP, fiz questão de fazer do Rick um personagem cheio de brasilidade.... Essa era a ideia: Gente boa e a cara do Brasil. 





Ficou curioso? Quer conhecer mais? Chama aê, até hoje jogamos on line você pode ouvir uma das nossas sessões caso deseje. Te garanto que RPG é um universo que vale toda dedicação, capaz de te gerar lazer de qualidade, boas risadas, historias pra contar e aprendizagem com prazer, como todo processo de aprendizagem deveria ser.