A Operação Punhal Verde e Amarelo foi um plano diabólico, com condução do então presidente da república de assassinar o presidente eleito, o vice e um ministro do STF. Tem um vídeo de 1999 em que Bolsonaro fala claramente a favor da tortura e assassinato feito pelo estado e que a ditadura matou foi pouco, que deveria fazer mais e que se ele se tornasse presidente fecharia o congresso no dia seguinte.
Uma coisa ninguém pode negar, Bolsonaro não tentou enganar, ele sempre deixou claro seu jeito violento, truculento, estupido e o Brasil resolveu apostar que a proposta de uma violência estatal poderia ser uma saída.
O plano foi discutido com 35 membros das forças armadas e sua discussão aconteceu na casa do General Braga Netto, candidato a vice de Bolsonaro. Planejaram, orçaram gastos, mobilizaram, no caso do assassinato de Alexandre de Mores chegaram a ir pra rua, todavia não deu certo.
Essa gente que passa a vida inventando um inimigo imaginário, que fala em ditadura gay, de Ursal, de um conluio comunista, essa gente que constrói no imaginário popular a lenda do inimigo interno pra desviar as forças armadas da sua função de garantir a soberania nacional mediante a inimigos externos e coloca as forças de segurança pra atacar a própria população.... Essa gente planejava três AS - SA- SI - NA - TOS feito por agentes do estado, feito por gente que é paga para garantir a segurança.
No fim da história o 08 de janeiro foi o último suspiro de um plano que fracassou e tudo virou um grande tiro no pé. Os Kids Pretos, setor do exercito de operações especiais que cometeriam o assassinato, diz de uma estrutura que se manteve no exercito brasileiro pós ditadura, diz de uma democracia que se fez beneficiando seus golpistas e os mantendo no poder e quase 40 anos depois do fim do golpe militar essas estruturas que nunca foram desmanteladas não conseguiram dar um golpe de estado, mas estiveram bem próximas disso, fico me perguntando se num cenário de Trump presidente com alguma espécie de apoio norte americano isso não teria acontecido. Tudo isso fortaleceu o "sem anistia" e pra mim desceu mais alguns degraus deixando claro a necessidade de desmobilizar toda estrutura que se manteve no exercito e permitiu que ficasse abrigado ali um ovo de serpente que só esperava a sociedade ficar pronta pra chocar. No fim da história a única inteligência de Bolsonaro foi ler o seu tempo e entender que as igrejas evangélicas já tinham criado um espaço pra que esse universo paralelo que rolava no exercito visse pro centro da cena, juntando o inútil ao desagradável.
Essa gente tem que ser punida, cabe a essa geração fazer o que a anterior não fez e pressionar a classe política pra que puna e elimine todo e quaisquer movimento antidemocrático sem manter nenhuma regalia ou condição especial que possa fazer ele prosperar. Parafraseando o Bolsonaro devo dizer que a redemocratização fez foi pouco é preciso punir de forma exemplar os golpistas de ontem e de hoje.
Ainda falando em Brasília... Passei meu aniversário lá, foi um dia maravilho, almocei num restaurante mexicano super legal, assisti "Ainda estou aqui" no cinema e a noite fui no show de Caetano e Bethânia, naquele dia eu vivi um Brasil que deu certo, foi incrível.
Sobre o filme não há nenhum exagero midiático, tá sensacional mesmo. Acho que se alguém apenas contasse a história como aconteceu, por mais grave que tenha sido, não soaria tão bárbaro como efetivamente foi. O filme foi muito eficaz em passar a tortura psicológica, angustia, o drama! Se eu pudesse definir com uma palavra eu diria claustrofóbico. Ele é ambientado na maioria do tempo no Rio de Janeiro, numa casa grande, na beira da praia e consegue ser mais claustrofóbico do que e fossem 2 horas de uma pessoa trancada numa caixa. Walter Salles foi muito sagaz nas suas escolhas, Fernanda Torres foi de fato um show a parte, por que tudo, absolutamente tudo estava no rosto dela. Vi uma entrevista em que ela dizia que aprendeu com a mãe a ser econômica com o choro em cena, que se a personagem chorasse no primeiro momento em que havia sentido chorar, até o fim do filme ela estaria em frangalhos. Todo o sentimento do filme passa nas expressões contidas e poderosas da Fernanda.
A recepção dele no circuito de cinema europeu já no fez supor que havia chances para o americano, o estúdio investiu no filme. É como Fernanda diz, se trata de um trabalho de diplomacia tentar chegar ao Ocar, o que dirá ganhar e o elenco tem feito seu dever de casa. Funciona assim, os votantes da academia tem que escolher entre 86 filmes 15 pra uma pré lista, eles não são obrigados a ver os 86, mas são obrigados a ver os 15 pra poder votar. São muitos filmes então é importante que o filme faça uma puta campanha pra chamar a atenção desses caras pra assisti-lo e isso funcionou pq "Ainda estou Aqui" já está na pré lista de filme internacional do Oscar, concorre nesta mesma categoria no globo e Fernanda Torres de atriz, os holofotes estão em cima dele.
Nas rede sociais os brasileiros fazem a sua parte, por que sim, a gente perturba quando algum nosso ganha espaço nas colunas internacionais. É a possiblidade de ver o Brasil representado na maior premiação de cinema do mundo situação que não ocorre desse de 2008 e isso ainda ganha um plus quando a gente pensa que tem exatos 25 anos que Central do Brasil que tbm é dirigido pelo Walter Salles levou Fernanda Montenegro a ser a primeira atriz Brasileira a concorrer um Oscar e agora isso acontece com a sua filha.
Tudo isso é muito poético, mas a verdade é que essa história só tá clara aqui, em solo brasileiro, lá é só mais um filme concorrendo e aparentemente a concorrência não está nada fácil. Comecei recentemente a maratonar a temporada de premiação 2025, não posso falar sobre como está esse bioma inteiro, mas já posso dizer que temos grandes batalhas pela frente. No campo de filme internacional Emília Perez é nosso maior concorrente. O filme francês ambientado no México todo em espanhol e inglês dirigido por um diretor que não fala nenhuma das duas línguas, a principio parece um Frankenstein, mas parece estar agradando bastante a crítica e trás Karla Sofia Gascón, uma atriz trans, forte na temporada, numa época em que a diversidade tem sido tão valorizada, temos a possibilidade de ter a primeira atriz trans a ganhar um Oscar, logo quando Fernanda Torres tbm é uma possibilidade.
Além disso temos gigantes da indústria como possíveis concorrente no páreo como Angelina Jolie, Nicole Kidman, Kate Winslet e Demi Moore. Confesso que em geral não gosto muito da Angelina Jolie atuando e nem dos filmes que ela faz parte, mas dizem que é o melhor papel da carreira dela. Demi Moore atua no queridinho do momento "A Substância". Isabela Boskovis comparou o filme com Laranja Mecânica e eu realmente não acho um exagero. Caricatural, perturbador, incômodo, a substância é daqueles filmes que veio pra marcar a cultura pop, vamos o resto da vida cita-lo quando falarmos sobre a tentativa desesperada pela manutenção da juventude, uma atuação corajosa por que nem de longe deve ser fácil para Demi Moore no alto dos seus 62 anos, vivendo o etarismo dessa indústria, emprestar teu corpo de uma forma tão exposta pra denunciar esse etarismo.
Moral da história, temos boas chances de concorrer, grandes chances de estar no tapete vermelho e uma chance mediana de ganhar, não é impossível, mas vamos entender que um filme que trata da ditadura militar, brasileiro, contando essa história para o mundo já é vitória o bastante, se a gente conseguir a estatueta, foda... mas se não conseguirmos tudo que rolou aqui tá bem legal, não tem mais como perder nessa história, já vencemos a briga agora é só pela cereja do bolo, mas se não rolar, vai sem cereja mesmo.
Há dois posts atrás eu falei sobre o fato deu estar fazendo uma leitura muito pessimista da realidade nos últimos posts aqui no blog e daí fiz uma postagem falando sobre avanços de setores mais progressistas e de figuras públicas que só poderiam existir, ocupando os papeis que ocupam e com as bandeiras que carregam, nos dias atuais.
Eis que ontem, zapeando no youtube encontrei na integra um episódio inteiro do programa Márcia de 1997. O programa de auditório apresentado pela apresentadora Márcia Goldshmidt entre os anos de 1997 e 1998 no SBT, seguia o estilo Casos de Família, era a época em que os programas popularescos explodiam e dramas da vida comum da população mais vulnerável socialmente eram explorados sem nenhuma cerimônia. Não havia nenhum pudor ou constrangimento em colocar nas câmeras qualquer conteúdo pela audiência. Se hj no Casos de Família quando há uma briga física entre os convidados a imagem corta pra plateia, lá tinha zoom.
O episódio em questão tratava de crianças perseguidas na escola, de cara já chama a atenção que a expressão "bullying" provavelmente não existia, ou pelo menos não era popular, aliás parece que nada existia, não havia conselho tutelar, não havia nenhum debate sobre racismo, homofobia, gordofobia nem bosta nenhuma, só havia a barbárie mesmo, papo de lei da selva. Crianças tratavam de temas ligados a preconceitos graves ouvindo a opinião de idosas da plateia.
A primeira convidada era uma menina de 11 anos que era chamada de macaco por um coleguinha loiro na escola. Os comentários da plateia eram inacreditáveis, Márcia já falava de racismo, mas em todos os casos segurava muito uma narrativa que esse tipo de situação era parte constituinte da vida escolar, que as vítimas não deveriam se importar tanto assim e que os algozes era mais fortes por resistir melhor a pressões. Neste caso a coisa ainda escalona quando a mãe do menino entra no palco por que era supervisora escolar do colégio. A cereja do bolo é a interpretação feita pela apresentadora que na verdade o menino fazia isso por que gostava da garota, que isso guardava uma feto contido, tese amplamente defendida pela plateia, inclusive pela mãe da menina que estava na ocasião. O rapazinho negava veementemente e dizia que chamava de macaca por que ela era preta mesma, Márcia advogava dizendo que ela era linda e nem tão preta assim.
No segundo caso dois garotos perseguiam um outro afeminado, dizendo que não gostavam do jeito dele e que ele era viado, quando o garoto falou que falavam isso e ele não era a plateia caia na gargalhada. O menino contava ainda que os meninos colavam papel nas costas dele dizendo que ele gostava de dar o c*, e ele n deveria ter nem 14 anos. Quando ele fala que chama a ele de "Vera Verão" (personagem vivido por Jorge Lafont anos na televisão, negro, gay e afeminado), Márcia diz que pelo menos comparavam com um famoso. me lembrei de como sofria com personagens gays na televisão de todas as vezes que eu rezava pedindo a Deus pra que determinadas novelas acabassem logo por que não suportava as brincadeiras que me chamavam pelos nomes daqueles personagens na escola.
No terceiro caso a mãe foi com um menino de 06 anos (pasmem) que gostava muito de comer hambúrguer e batata frita e que por ser gordo os colegas colocavam apelidos como gorducho, elefante sem rabo, baleia fora d'água e baleia assassina. A mãe diz que ele até já queria sair da escola e que um colega já até bateu nele.
No último caso dois garotos que ficavam perturbando um ao outro e soava meio que ok perto dos casos absurdos, mesmo eles falando de "brincadeira" violentas entre si.
No fim do programa a coordenadora do programa de saúde de adolescente da secretaria da escola foi coroar o festival de horrores. No primeiro caso ela dizia que o menino deve buscar outras formas de expressar seu afeto e que a vítima de racismo tem que aprender que no mundo as mulheres são vítimas de violência e ela precisa aprender a se defender melhor, já o menino tem que ficar ligado que um dia alguém pode responder com violência. No caso de homofobia ela fala sobre a pluralidade o mundo, mas que a vítima pode ter um jeito que incomoda e que pode deixar ele triste, logo ofereceu tratamento psicológico pra ele e pros meninos, caso eles queiram. No terceiro caso ela começa com "ser gordo não é fácil", aponta que acha errado os apelidos, mas que ele também precisa emagrecer e parar de comer tanto hambúrguer, tanta batata, tanto refrigerante e que a hora boa pra tentar emagrecer é agora.
Gente.. Na boa.. Um festival de horrores... Hor-ro-res... Dia desses a atriz Eliane Giardino reproduzia um discurso que setores mais progressistas da sociedade já vem falando a muito tempo. O mundo não ficou mais chato, ele já era muito chato pra pessoas que se calavam e tratavam com normalidade as opressões que eram submetidas. O programa, além de todo o absurdo e exposição de crianças de todas as formas, trazia uma dinâmica de culpabilização das vítimas, completamente legitimada por uma profissional da área da saúde mental no canal aberto. Todos os episódios de opressão eram tratado como naturais da escola, da vida infantil, do mundo... As crianças eram a todo tempo convidadas a repensarem seu hábitos pra lidar com essa dinâmica por que elas pareciam impassíveis de seremm mudadas, é tudo assim mesmo.
Quando comecei a escrever esse blog foi um período de virada em que debatíamos muitos na blogosfera sobre o mundo não ter ficado pior quando as pessoas passaram a ter que se preocupar mais com o que falam e sobre como isso chega na outra ponta. De um jeito ou de outro, no final da década de 2000, início da de 10 , era bem comum blogs que eu gostava e de pessoas que traziam debates importantes, terem falas extremamente homofóbicas e eu e mais dois colegas comumente acionávamos uns aos outros pra podermos defender uma ideia sem estar sozinhos, sem sermos atacados por todos com o discurso do mimimi e isso mais de dez anos depois do famigerado programa da Márcia.
Lamento em informar pra quem acha natural os episódios narrados, mas a única coisa mais chata do mundo é a insistência de determinados setores de quererem manterem a realidade como ela era as custas o sofrimento do outro.
Pra quem tiver interesse, segue o episódio, que vale a pena ser visto e debatido sempre como retrato de um mundo que não queremos mais, a violência ainda existe, mas não ter uma chancela de normalidade por parte da sociedade muda tudo. Não gosto de comparar o ruim com o pior ainda, temos muito a avançar e n estamos nem perto do razoável, mas pra mim que vinha numa onda de postagens tão pessimista foi importante lembrar do mundo tão pior que eu cresci, tudo mudou tanto que a gente até se esquece do tamanho do absurdo que era antes.
Nos últimos posts aqui no blog acho que eu vim com muito pessimismo e não é em vão, pensar o mundo em 2024 é uma ocasião que merece.
Dia desses uma amiga disse que sempre que lê autores indígenas tem um sentimento de esperança muito positivo e que sentir esperança é decolonial. Acho que faz muito sentido, nada mais mantenedor do que a descrença e a certeza de que nada vai mudar; o capitalismo precisa disso pra se manter. Os povos originários tem clareza que somos apenas parte do mundo e que a natureza é maior, ela se refaz, ela toma de volta pra si o que é seu. Então no fim acho que acaba a gente, mas fica o mundo e isso me parece bem otimista até.
Mas quero ser ainda mais e dizer que se a extrema direita avança a resistência tbm. Se Nicolas Ferreira é uma produção típica dos tempos atuais Erika Hilton tbm é. Em que outro momento da história desse país teríamos uma mulher preta, trans e periférica sendo deputada, jantando esses escrotos diariamente?
Só nesses tempos um deputado poderia enaltecer um torturador da ditadura que torturou a "ré" durante um processo de impeachment, fato! Mas tbm é só nesse tempo que um homem preto gay estaria lá pra cuspir na cara dele na mesma ocasião.
Trump é o capeta, mas a possibilidade ter uma mulher preta sendo presidente dos EUA é o céu e eu poderia levar horas comparando Silas Malafaias com Padres Julios Lancelotes ou Ricardos Sales com Marinas Silvas, mas vou ser resumido e apenas reforçar que tbm temos conquistas e avanços... E que se a frase famosa de Che Guevara é que "há de se endurecer sem perder a ternura" a nossa é de resistir sem perder a beleza, pq sim a crise é estética. Se imagens como essa são produtos dessa era:
Erika Hilton ganhando prêmio da geração glamour tbm é:
E é isso, permaneceremos aqui, não toleraremos o mal gosto e pra cada Marçal que surgir é uma caldeirada que estaremos prontos pra entregar! E tenho dito!
Eu não tenho um pingo de vergonha nessa minha cara, só e apenas por isso voltei mesmo. Disse que não voltava, soube que ele voltou e não baixei, mas quando o meu marido falou "já está funcionado", eu:
Vamo pro óbvio da vida. Xandão tá certo e ponto! Elon Musk é abaixo do nível do aceitável... "Ahh pq liberdade de expressão..."
Toma tua liberdade de expressão!
É claro que as pessoas tem que ter o livre direito de se manifestar, mas a gente vive em sociedade, porra! Existem regras, existem leis, os países tem soberania! No início disso tudo, quando tudo era mato, muito dessas empresas cheias de usuários no Brasil, quando eram acionadas pela justiça brasileira para buscar informações de criminosos, redes de pedofilia e o diabo, respondiam que respeitavam todas as normas dispostas no vale do silício... Então ofereça seu serviço apenas no vale do silício, cara pálida!
O Brasil é o quarto país em número de usuário no twitter e Elon Musk achou que o país todo ia fazer VPN
Atrás dessa tal liberdade ele manteve diversos perfis de gente espalhadeira de ódio e fake news e o problema pra mim nem são esses perfis em si, mas o quanto isso fortalece pra que as pessoas não se preocupem com o que estão falando. Além disso as mudanças de identificações, as muitas propagandas, o jogo do tigrinho a cada post.. O Twitter só foi piorando, mas devo assumir que ele é muito eficiente em ser esse espaço que reúne coletividade, faz com que a sociedade elabore coisas juntas, faça catarse em massa e não tem koo e blue sky que entregue da mesma forma infelizmente.
Pra mim ele não prega nó sem estopa, hj o povo do assunto estava dizendo que há rumores que ele estuda uma tecnologia que impeça que o sinal do twitter seja bloqueado e aí ele finalmente vai alcançar o que queria quando comprou o twitter por um valor muito maior do que ele poderia dar de lucro. Musk queria poder irrestrito e tá encontrando como pedra no teu sapato as soberanias nacionais e suas leis. Se ele tem condição de criar tecnologia que drible isso tudo e faça com que ele medie de forma irrestrita um espaço estratégico para construção da opinião pública? Eu não tenho dúvida disso... Só acho que no fim vai acabar comendo a própria bunda.
A primeira vez que ouvi a expressão "comer a própria bunda" foi numa entrevista da Elke Maravilha em que a diva falava sobre o crescimento de programas popularescos na TV e ela refletia que a busca por audiência a qualquer preço faria com que o instrumento televisão comesse a própria bunda e que ela já via marcas não querendo associar sua imagem a televisão e só anunciavam pela internet (final da década de 90, início de 2000)... O que a diva disse é o elementar da vida, as pessoas tendem a compulsão mesmo... A querer mais e muito daquilo que lhe dá prazer, mas é natural que o uso indiscriminado e irrestrito crie padrões insuportáveis, que no fim nego já não tá aguentando o que ele mesmo quis, é tipo comer big mac todo dia, o dia inteiro, o tempo todo. A irrestrição total faria o twitter virar uma porra de deep web só que aberto pra todo mundo, com as maiores bizarrices ever e aí era uma questão de tempo até ele se implodir. Só que até isso acontecer, muita merda rolaria, né? Tá aí uma geração inteira com a noção de afeto/sexo formada por Gugu Liberato, que não me deixa mentir.
Honestamente eu olho com muito pessimismo pra tudo, eu n sei o que fazer, então me resta é colocar meme e aguardar essa onda. Já disse aqui que tenho um sentimento de que todo inferno que a gente viveu até agora com a ascensão da extrema direita e discursos que vem junto com ela como esse da liberdade de expressão a qualquer preço é só o começo... A gente ainda tem potencial pra viver muita, mais muita merda! Crises climáticas, migratórias, humanitárias, sociais, políticas, econômicas... É o capitalismo na sua maior efervescência, buscando se manter a todo custo, tendo as instituições que são pilares da civilização vilipendiadas pela sua própria usura... É o capital comendo a própria bunda e pra mim o fim disso ou é apocalipse (literalmente em função de questões ambientais) ou é caos nível queda da bastilha, quebra-quebra, morte, pancadaria... E é isso, gente... Elon Musk é um cavalheiro do apocalipse e o fim do mundo já começou. Então deixa eu ri no twitter enquanto ainda dá.
Domingo após o resultado das eleições eu morria de rir com os memes sobre a derrota de Pablo Marçal, cheguei a publicar no blue sky que queria apenas me divertir, no dia seguinte eu refletia o cenário, pq sim, eu sabia que não era nada favorável e ia doer.
Marçal é uma figura que veio pra mostrar que a extrema direita não está na mão de Bolsonaro, qualquer um com algum investimento, projeção e disponibilidade, mergulha nesse mar e nada de braçada. O cenário após o primeiro turno é grave. A esquerda repleta de seu discurso progressista sempre teve melhor desempenho nos grandes centros. O PT surgiu e cresceu fazendo trabalho de base, dialogando com sindicatos, associações de moradores, 3º setor e com a sociedade civil organizada em geral. A extrema direita constrói sua capilaridade em diálogo com as igrejas evangélicas que estão em todos os espaços trabalhando em prol de um projeto político ideológico. A direita tradicional nunca foi muito eficaz em ganhar as ruas, essa sempre foi uma arena da esquerda, as passeatas, as mobilizações, os motins, tudo coisa de esquerdista. A direita se garantia comprando... Comprando voto, comprando apoio, comprando pessoas. A extrema direita de fato mobiliza, as pessoas vão por ideologia, por acreditar num projeto, por medo de um inimigo imaginário.
Em 2024 o interior continua sendo uma arena da direita e centro-direita e os grandes centros se tornaram um espaço de disputa importante da extrema direita brasileira. No primeiro turno o PL (partido de Bolsonaro) ganhou 3 prefeituras de capitais e em torno de 500 no Brasil inteiro, alguns analistas falam que eles são maior expressão da direita, eu discordo, eles são a expressão da ultra direita , que é um espectro político que dialoga com a direita tradicional.
Vamos separar aqui os conceitos de ultra, extrema e direita radical. Eu vou chamar de extrema direita um espectro político que dialoga com os valores da direita no seu extremo (como o nome sugere), então eles são muito conservares nos costumes e muito librais na economia, são contra políticas afirmativas, defendem o desenvolvimento econômico em detrimento a questões ambientais e organizam para que o poder permaneça na mão de quem sempre esteve.
Chamo de direita radical quem radicaliza mesmo, quem rompe com o diálogo e parte pra violência, seja no discurso ou física mesmo. Falo aqui de neonazistas, de supremacistas brancos e etc.
E a ultra direita eu vou usar como uma expressão guarda chuva pra quem faz as duas coisas (o que é bem usual).
A representante da extrema direita da França Marine Le Pen, há alguns anos atrás fez críticas a Bolsonaro exatamente por que ela tem ares de extrema direita enquanto ele, na sua tentativa de romper com a constitucionalidade, dialoga com a direita radical.
Fato é que os pensamentos formadores da ultra direita sempre estiveram aí, mas foi a presença e Trump na política institucional em 2016 que foi um trampolim para que ideias que estavam a margem da sociedade desde o fim dos regimes totalitários na década de 70/80 entendessem que poderiam ocupar os espaços de poder e que a sociedade estava pronta pra recebe-los. Inclusive em vários países filhos e netos de pessoas vinculados a esse regime disputam espaço, é o caso da Keiko Fujimori (filha do ditador Alberto Fujimori que quase ganhou as últimas eleições presidenciais no Peru) e da deputada alemã Beatrix Von Stoch (neta de um ministro nazista).
Não precisa ser nenhum experiente analista político pra perceber que Bolsonaro não é nenhum gênio estrategista, ele só é um cara controverso que fez uma trajetória a margem e foi sagaz o suficiente pra saber a hora de ganhar os holofotes. Bolsonaro, na minha opinião, foi (e ainda é) o maior fenômeno eleitoral da história desse país. Ele levou consigo uma série de figuras bizarras para o legislativo e pro executivo e articulou em uma única eleição uma base política que vai ser força nesse país por muitos e muitos anos. Foi assim que figuras como Witzel no Rio e Zema em MG saíram do quarto lugar nas pesquisas para tornarem-se governadores em 2018. Completos desconhecidos que ganharam pelo simples apoio de Bolsonaro.
Mas Marçal rachou o Bolsonarismo em São Paulo e fez isso por que nunca foi sobre Bolsonaro, ele é apenas um agente de um projeto muito maior, é sobre uma sociedade que está pronta pra aceitar regimes totalitário, valores antidemocráticos e antirrepublicanos. O maior plano da ultra direita é reeditar a realidade, reescrever a história e eles são efetivos nisso, é em função disso que muito do que nos constituiu enquanto civilização é posto em cheque... As instituições garantidoras da democracia, a ciência, a imprensa, tudo isso é descredenciado.
Nesse caldeirão, ano passado uma pesquisa realizada pela Open Society Foundations (OFS) em mais de 30 países (dentre eles o Brasil) revelou que 42% das pessoas entre 18 e 35 anos preferem um regime militar do que a democracia como forma de governo. Percebam que quando a media é feita com a população de uma forma geral 86% preferem viver num estado democrático enquanto 20% acreditam que regimes autoritários estão mais aptos a satisfazerem seus desejos. Então o que fica claro é que a geração que está se formando num mundo de ascensão da ultra direita está perdendo a democracia como um ideal.
Isso nos faz entender que não é sobre Bolsonaro, é sobre uma ideologia e foi nela que Marçal surfou, mesmo sem o apoio de Bolsonaro. Nos EUA depois da saída do Trump o cenário que ele deixou permitiu que as leis de aborto andassem pra trás, no Brasil depois da saída de Bolsonaro Pablo Marçal nasceu. Ele nem tem um discurso tão religioso assim, mas se diz cristão e fala o que eles querem ouvir, daí que assistimos na paulista no domingo uma cena muito parecida com as que vimos com a derrota de Bolsonaro em 2022, só que dessa vez o líder enviado por Deus era coaching e não capitão. Mesmo sem apoio de Bolsonaro sofrendo críticas duras de Silas Malafaia.
Vivemos em tempos sombrios, sai ano e entra ano estamos sempre em torno do mesmo discurso de que a esquerda não sabe lidar, que a esquerda não pegou a manha das redes sociais, que a esquerda não se une e etc. Acho que quem tem identificação com a esquerda deve começar inicialmente a parar de se referir a ela em terceira pessoas. A esquerda não tem dono, é um ideal em disputa e se vc se identifica vc tbm é parte dela, se uma parcela da sociedade se entende dessa forma, acha que ela não tem manha e sabe qual é a manha, vá ocupar os espaços, vá discutir em coletividade. Natuza Nery comentou no Assunto de ontem que tinha a sensação que o Lula analisou o cenário das eleições municipais e preferiu não prestar apoios com muita ênfase pra não colar em si uma derrota, por isso teve uma participação tímida em todo processo. O sentimento que eu tenho é que todo mundo que se identifica com a esquerda tá olhando o cenário e com preguiça de lutar prefere o silêncio pra evitar a fadiga. Estamos numa disputa, a ultra direita cresce, o Lula foi apenas um tropeço num plano em escala global que segue forte. Logo se vc se identifica com a esquerda e principalmente se vc é uma minoria social que se identifica com a esquerda, entenda que existe um plano em curso que tem dentre outros objetivos fazer do mundo o lugar muito pior ou até mesmo eliminar você, mas você tá com preguiça de disputar esse projeto.
É assim que me classifico, um sobrevivente do terror que foram os anos do governo Bolsonaro no poder. Eu resolvi fazer esse post depois que um antigo leitor, da época que esse blog era mais ativo, comentar recentemente sobre o fato deu me identificar com a personagem Bree Van de Kamp a ponto de usar o sobrenome no meu pseudônimo por anos aqui no blog, sendo ela uma personagem armamentista e conservadora (situação que prontamente respondi no próprio post - três abaixo, caso alguém tenha interesse) . Ele falou sobre o vortex que rolou no Brasil nos últimos anos e que ficava se questionando essa minha identificação diante deste cenário.
Daí me dei conta que voltar aqui sem falar sobre como vivi esses acontecimentos era meio que me silenciar sobre algo que realmente nos engoliu e transformou tudo, a realidade tá muito diferente do que era em 2009, quando esse blog nasceu. É curioso que alguns analistas entendem que a gênesis da história contemporânea Brasileira foi o "vem pra rua" em 2013, época que esse blog era ativo e eu fui pra rua e comentei aqui. Outros dizem que foi o golpe em 2016, época que tentei retornar com o blog e também falei sobre isso bem aqui. Todavia em ambos os momentos acho que eu tinha um visão quase inocente da realidade dado os acontecimentos posteriores, por que verdade seja dita se meu medo em 2016 era Marina Silva como uma opção eu realmente não fazia ideia de como as coisas poderiam escalonar.
Mas voltando a 2013, me pergunto se realmente ali foi onde tudo começou, talvez possamos dizer que sim, pq aquela situação marcava um descontentamento generalizado com a classe política e na sequência abrimos um era de outsiders que vai de Alexandre Frota a Pablo Marçal. Em 2014 a derrota de Aécio e a desconfiança das eleições com o pedido pra recontar os votos foi outro tiro, que hoje Aécio já assume que não achava que tinha perdido e fez pra perturbar o PT, foi uma trollada, fazendo humor com o processo democrático.
2016 foi o golpe de misericórdia, tudo foi horrível. Há quem diga que Dilma é alguém que de fato desperta sentimentos fortes, sem meio termo, ou se ama ou se odeia e eu tô no time que ama. Me emociono mesmo, choro quando o tema vai a fundo. A ex guerrilheira, que virou presidente, saiu num golpe orquestrado e praticamente público. A carta do Temer o áudio do Juncá falando em estancar a sangria da lava jato num acordão com imprensa, supremo e tudo... Aquele circo patético com os motivos mais bizarros do mundo que foi o impetchment de Dilma e ela naquele plenário diante dos lobos, FIRME, ALTIVA... Falando que a história cobrará sobre o golpe, falando o quão classista, misógino e racista era aquele golpe. Ela sabia o quanto 12 anos de governo PT fortaleceu minorias, emancipou pessoas e como isso era insuportável pros verdadeiros donos do poder desse pais. Dilma enfrentou os torturadores da ditadura, Dilma enfrentou os abutres da democracia, Dilma é uma gigante a quem o povo brasileiro deveria ter muita gratidão.
Dilma cai e sobe Temer, sua foto com o um grupo de ministros homens brancos de meia idade já apontava para um retorno do completo controle nas mãos de quem temia perder o controle. A reforma trabalhista deixava isso ainda claro, mas lógico que eles sabiam que dois anos era nada e que Lula ia voltar gigante. Lula é preso... Surge Bolsonaro.
Eu juro que não acreditei, meu maior medo era um retorno tucano na figura do Alckimin. Eu sabia quem era Bolsonaro por ser essa figura bizarra dos programas popularescos desde meado da década. Que estava nas arenas da Luciana Gimenez que adorava propor "debates" entre pastores da universal e travestis da lapa, sabia do Bolsonaro do CQC... Não, não era possível! Eu fui inocente, Trump já tinha se tornado o trampolim da extrema direita mundo a fora, a virada da extrema direita já estava acontecendo, mas eu não acreditava.
Foi no fim do primeiro turno que a ficha caiu, eu chorei muito, muito mesmo.. Eu que sempre dizia pro meu marido "relaxa, vai ficar tudo bem", me senti vulnerável. As semanas anteriores ao segundo turno a escalada da violência foi bizarra. Num dia as mulheres estavam nas ruas gritando "ele não", no outro a recomendação era não andarem sozinhas com o adesivo na rua. Diversos amigos meus relataram agressão, gente que nem era militante, eu mesmo uma noite antes de ir votar indo num bar comprar refrigerante ouvi alguns homens falando que Bolsonaro ia acabar com essa pouca vergonha desse monte de viados, até hj não sei se era pra mim. Nessa época tbm virilizou o vídeo no metrô de São Paulo lotado, no horário do rush com vários homens batendo no teto e gritando "Bolsonaro vai matar viado" .
Eu só podia contar com o "ninguém solta a mão de ninguém", mas com um sentimento que ninguém nem nunca segurou minha mão direito. O mundo gay em que as pessoas se bloqueiam por achar seu interlocutor feio era com quem eu podia contar.
Damaris Alves, Ricardo Salles, Olavo de Carvalho... O desmonte estava armado, políticas públicas desmontadas, ataque as instituições, imprensa, ciência.. A democracia sendo golpeada dia após dia. Daí veio o Covid... Esquece! O espetáculo do desgoverno, a cloroquina, o negacionismo no talo... Os números de mortos, a vacina negligenciada, a morte em todo os lugares, Paulo Gustavo... O cheiro da morte.
Quando Lula voltou em qualquer lugar a esperança reacendeu e nós precisávamos disso, mas o cenário é a treva. A extrema direita se espalha, não acabou. Pablo Marçal é a prova de que não a acabou, que Bolsonaro pode até morrer, mas temos uma sociedade contaminada pelo o ódio e a ignorância. A crise não é só política e econômica, a crise é humanitária! Marçal um risco em SP, Trump nos EUA, Le Pen na França.. Milei levou na Argentina... Na Alemanha e na Itália os descendentes de grandes figuras dos partidos nazista e fascistas retornam pra cena.
Diante disso tudo eu penso que eu e algumas gerações depois da minha fomos criados num período que parecia que a civilização tinha chegado num porto de força e estruturação que não havia mais espaço pra que grandes absurdos como o holocausto acontecessem novamente. Nós andamos pra trás, questionamos mais vacinas, relativizamos a democracia, passamos a questionar marcos civilizatórios que nos permitiram existirmos enquanto coletividade e quando falo nós destaco especialmente a juventude que representa o futuro.
Nada tá dado, nada nunca esteve dado na verdade e se em algum momento lá na frente alguém achar isso precisamos ser memória viva desses dias pra fazer as próximas gerações se manterem atentas e fortes, por que nunca vai ter fim.
O ano é 2023, os discursos de ódio ganham lastro com a ascensão das redes sociais. Nunca tivemos tanto acesso as percepções políticos ideológicas do outro. Antes do advento das redes sociais o quanto você saberia sobre os hábitos, opiniões e gostos de pessoas totalmente aleatórias que vc só conhece? De repente você descobre através do storie do whatsapp que o motorista que tá no grupo do ônibus da sua faculdade votou no Bolsonaro, que a vizinha do 402 que você só cumprimenta no elevador tem simpatia por regimes fascistas, que a corretora que alugou a casa pra você é contra o aborto, que a mãe de um coleguinha do seu filho da escola é contra a "ideologia de gênero".
Num período de tanta polarização determinadas bandeiras protestam contra direitos e as vezes contra a existência de alguns seguimentos. Determinadas convivências parecem inconciliáveis e bloquear parece a única alternativa. O debate contemporâneo sobe bloqueio também não chega a um consenso sobre a construção da tal bolha. Se por um lado defende-se a ideia de que precisamos aprender a conviver e ouvir a diferença por outro entende-se a importância da manutenção de relação entre pares em prol de saúde mental. Não há como viver em constante embate ou recebendo mensagens que te crie desconforto.
Além disso tem um outro aspecto que precisa entrar pra conta. O que estar sempre bloqueando pessoas causa em você? Como diria Falcão "Também morre quem atira". Se livrar de uma pessoa que promove postagens desagradáveis aqui, outra acolá, vai gerando uma cultura do bloqueio. Em pouco tempo você está bloqueando por todo e quaisquer motivos. Em se tratando do mundo gay o bloqueio também presta um serviço de peneirar quem é interessante pra mim e neste caso não é nada incomum que os critérios de bloqueio flertem com motivações racistas, homofóbicas, misóginas, gordofóbicas, etaristas, capacitistas, psicofóbicas, bairristas, xenofóbicas, classistas e outras opressões disfarçadas de gosto. A formula é simples: Começo bloqueando o que me faz mal e termino bloqueando tudo aquilo que não quero enxergar por puro hábito, é simples e confortável fazer. A gente sabe quando a cultura do bloqueio está sedimentada quando a pessoa começa a postar orgulhosa em redes sociais que bloqueia mesmo, como se a habilidade em afastar pessoas fosse um mérito.
Minha série favorita na vida, Black Mirror, é uma espécie de scifi que mostra histórias diferentes em cada um dos seus episódios, mas sempre tratando da relação do homem com a tecnologia. Na segunda temporada ela apresenta um episódio chamado White Chritmas (Natal Branco) em que existe uma tecnologia que pode bloquear pessoas na vida real. O episódio traz reflexões importantes quando faz pensar o que significaria no presencial um hábito tão perpetuado no virtual.
Tem uma frase imortalizada por Jean Paul Sartre que diz que "O inferno são os outros". Há quem diga que a frase completa é "Se o inferno são os outros, também esta é a nossa única alternativa". Conviver é ao mesmo tempo um imperativo e um dos exercícios humanos mais difíceis que a gente não tem feito muito bem desde que existimos enquanto espécie. Eu também já bloqueei pessoas e acho que é necessário fazer eventualmente, só entendo que essa não deve ser a sua primeira alternativa e muito menos motivo de orgulho. É preciso ser refletido, é preciso se perguntar o quanto você tem utilizado desse recurso, é preciso tentar vincular gestos individuais a propósitos maiores de vida. Pergunte-se sempre a pessoa que você quer ser e como determinadas formas de se relacionar podem te afastar ou te aproximar disso. Busque ser a mudança que quer ser no mundo... E depois disso decida se bloqueia ou não. Vou concluir esse post uma frase do Pantera Negra que casa muito bem para essa reflexão:
Em tempos de crises os sábios constroem pontes, enquanto os tolos constroem muros.
O Brasil viveu o governo mais desolador da história contemporânea. Eu poderia escrever uma bíblia de motivos para confirmar essa frase. Seja por sua desonestidade, pela anticiência, pelo enfraquecimento das instituições, pelas ameaças golpistas a democracia, pelos ataques a minorias, pela o acirramento da polarização política, pelo total desrespeito as pastas ambientais, pelo desmonte da cultura, pela gestão desastrosa e corrupta da pandemia, pelo fundamentalismo religioso, pela cafonisse e pobreza de espirito... Olha... Foi horroroso, sobrevivemos a esses 04 anos de um governo medonho que foi o primeiro a não se reeleger desde a redemocratização.
A grande maioria da classe artística apoiou Lula por motivos óbvios (que não tem nada a ver com a lei rouanet). Além do desmonte da cultura desde a extinção do ministério e que seguiu de forma desastrosa na mão de figuras dantescas como Regina Duarte e Mario Frias, não dá pra deixar de esquecer o que foi a gestão da cultura na pandemia pra um setor que foi o primeiro a fechar e o último a reabrir.
Porém no que se refere ao sertanejo, poucos não apoiaram Bolsonaro, o que gerou imagens como essas aqui:
Numa análise mais simplista a gente poderia apenas falar sobre a ligação desses caras com o agronegócio que se beneficia de uma política de apoio ao desmatamentos e a manutenção de grandes latifúndios.. Mas não é só isso... Tem muito a ver com machismo, tanto Bolsonaro querendo nutrir a sua imagem como a de um homem simples com hábitos e valores interioranos como desses caras que sustentam valores patriarcais e valorizam "o homem de antigamente".
O meio sertanejo é absolutamente machistas e mesmo com o advento das femineja é muito comum a letra das suas músicas ter uma estrutura totalmente misógina e tóxica nas músicas. Claro que há avanços, mas ainda é um território muito reacionário e de difícil penetração de ideias progressistas.
É curioso que a vida inteira eu tive irritação com a figura do cowboy no reality show. Toda vez que tem um reality que tem essa persona eu já fico puto de cara, pq eu sei que o mais provável é que ele vai vomitar patriarcado na face do Brasil e vai ser comprado como o cara "coração bão" com valores do interior e mano não é, simplesmente não é. Não é por que uma pessoa tem um sotaque X ou por que lida com vaca que isso vai fazer dela um ser humano louvável, não é sobre isso. O estilo de vida por si só não deveria conferir vantagem a ninguém por que tem gente maneira e canalha em todos os lugares, é simples assim.
Ainda sobre o apoio do sertanejjo a Bolsonaro é claro que essa questão de costumes com a ao lucro que esses caras tem com o estimulo a um agronegócio predatório em todas a sua cadeia produtiva, pq se eles se sentissem lesados nos seus interesses financeiros acho que apoio não seria tão amplo, mas ainda sim ele se sustentaria em grande parte com o machismo. Um bom exemplo disso é o Ratinho que chegou a reconhecer na entrevista com Lula no seu programa que ganhava mais dinheiro durante seu governo, mas nem por isso deixou de apoiar Bolsonaro.
Eu diria até que não se trata deste setor apoiar Bolsonaro, mas do Bolsonarismo ter surgido a partir de valores nutridos neste setor. Bolsonaro existe por que o eu lírico de Vidinha de balada de Henrique e Juliano diz que tá afim da menina e que ela vai ter que ficar com ele, vai namorar e se reclamar vai casar também ou então por que Henrique e Diego em Malbec cantam que vão levar a menina pra casa, malandramente vão domina-la e com vinho Malbec ela não nega nada. É um escarnio e nós sabemos que foi do escarnio que nasceu o bolsonarismo. E sim... NUNCA ME ENGANOU!
Essa conversa de "sem foto, sem papo" é daquelas coisas socialmente aceitas que ninguém nem reflete, mas tem camadas e mais camadas de complexidade nisso. O discurso é tão aceito que é perpetuado até por quem não tem foto de rosto em aplicativos de geolocalização e nego não enxerga o tiro no pé que tá dando com isso. Comentei no post que fiz sobre o rando chat, aplicativo que costumo entrar e que é repleto de muito anonimato, que falaria sobre o fato de não pedir foto de ninguém e eis-me aqui.
Sobre o rando especificamente atribuo a falta de fotos a ter muita gente da geração z, que não é pouco comum ter problema com autoimagem e daí não tem foto, ou tem foto com pedaços do corpo, ou tem foto com cara de cachorrinho, com pintas, chifrinho, ou qq outra coisa que ajude a mostrar menos. Eu seria simplista se parasse aqui, tem muito casado no sigilão e tbm muita gente que usa o espaço como escapismo então não coloca sua imagem pra poder ter ali uma espécie de avatar no denso mar da socialização. Acho que é importante a gente entender que existem motivos diferentes pra que as pessoas não tenham fotos e isso também se expressa de forma diferente em espaços diferentes.
No grinder, por exemplo, quanto mais no interior você está, mas você encontra pessoas sem foto. Ele é um aplicativo de encontros, por geolocalização, então um espaço em que você lida com a comunidade gay local... Você pode encontrar lá seu vizinho, seu chefe, seu cliente, seu fornecedor, seu professor e por aí vai. Isso acaba limitando ainda mais as coisas. Aliás devo dizer que eu mesmo tenho um perfil de casal no grinder, mas em função de morar numa cidade pequena do interior somada a minha profissão e todo preconceito em torno de relações não monogâmicas, eu opto por não me expor. Todavia no rando que falo com pessoas do Brasil inteiro, faço sem nenhuma cerimonia.
Eu acho natural um discurso corrente que antipatize a figura do não assumido, mas a bem da verdade a mesma comunidade que pressiona seus pares por imagem, adora adular homens de 35 anos que procuram encontros no sigilão. Adora adular tudo que faz parecer não ser gay... E a contradição não para por aqui. Apesar de um tom de crítica a falta de ousadia, o que se quer mesmo é fazer uma avaliação para saber se vale a pena não só encontrar, mas manter no seu "cardápio". Enquanto um homem fora do padrão a vida inteira construí minha autoestima enviando fotos e sendo bloqueado. O universo gay nunca somou pra minha autoestima e acho que no fundo não soma com a de ninguém. Isso já rolava na era MSN e na era grinder é muito pior, por que o aplicativo bonifica quem bloqueia. Você tem uma rede limitada de pessoas, então se vc bloqueia esse cara por quem não tem interesse, outro cara aparece como uma possibilidade. No fim a bem da verdade é que a foto na era grinder vem como uma espécie de análise fria, pra avaliar se vale a pena te manter como um contato possível.
Então não me venha sustentar uma narrativa de envio de foto por uma questão de justiça em função deu estar me expondo. Pode haver isso, mas é secundário, em geral a principal preocupação é atualização do catálogo. A gente precisa parar pra perceber que o "mundinho GLS" não se restringe a pessoas gays, assumidas, profissionais liberais, de classe média, nos grandes centros. Mesmo pessoas assumidas podem se sentir expostas em aplicativos de relacionamento por que estar nesse espaço pode ser problemático em algum campo da sua vida.
A matemática pra mim é muito simples. Eu não deixo de falar com ninguém por aparência, não tô dizendo que sou uma Madre Teresa de Calcutá piranha version que se disponibiliza a ficar com qq um por empatia (embora meu filtro seja bem amplo mesmo), mas o fato deu não ter intenção de ficar com alguém não significa que tenho que fechar um canal de comunicação... Acho absolutamente arrogante a ideia de que alguém é tão feio que não pode nem me dar "Bom dia". Eu entendo que quem não tem foto, tem motivo para não ter foto e em função disso eu não peço foto. Ela pode não querer mandar por sua profissão, por problema de autoimagem, por estar numa relação, por mil motivos que não me cabem. A pessoa manda quando sentir-se a vontade pra tal e segue o baile. Lógico que não ter imagens pode restringir muito as coisas... Eu não vou, por exemplo, encontrar com ninguém com quem eu nunca tenha trocado fotos. Se for em aplicativo de geolocalização, tbm não vou fazer confissões ou partilhar fantasias com quem tá a 155metros e não sei quem é... mas ainda sim a gente pode se falar. A única coisa que realmente não faço é, nos espaços em que eu tenho foto, mandar mais foto pra quem não tem foto nenhuma. Por que aí é muito desaforo.
Outro anexo importante desse assunto é o nude, que realmente tornou-se o passaporte de qq diálogo que tenha uma intenção de encontro. Eu não gosto de enviar (principalmente em aplicativos de geolocalização) e me sinto totalmente incomodado quando me perguntam "por que". Quer saber os motivos com qual intenção? Vai sentar e refletir comigo por quais motivos eu devo quebrar meus protocolos de autopreservação pra atender a sua curiosidade? Vai para puta que o pariu, né Gente Boa!
Resumindo.. Essa conversa de "pópópó é muito chato conversar com fantasminha" é meu ovo... O que você está fazendo é só perpetuar a aspereza nesse grande destruidor de autoestimas que são esses aplicativos de geolocalização. Flertar entre gays em 2022 é um eterno se perguntar 'Tô confusa, é fã ou é hater?"
Honestamente... Um mundo que existe Gkay é um mundo em caos. Eu sou de uma época (odeio essa expressão) que o ícone da futilidade era a figura do ex BBB. O cara que chega na fama sem nada, ele só é famoso, alguém que tá em evidência, sem isso acontecer como consequência de um trabalho ou de um talento e isso parecia bastante impressionante e inusitado nos anos 2000, mas o mundo não perdia por esperar.
Ainda nessa vibe de reality surgiu ex coisa muito pior.. Tipo "ex a fazenda" ou "ex de férias com o ex".. O BBB em 23 edições ganhou status de clássico, um produto sério num nicho que nada parece tão sério assim... Mas aí, pior do que "ex qq reality" vieram os influencers. Uma galera que consegue arrebatar milhões de seguidores, muitas vezes por não fazer nada. Até existe pessoas que estão dentro de um nicho tipo culinária, moda, maquiagem, que ok! Começaram ter seguidores a partir da visualização de tutoriais ou qualquer destaque, mas tem gente que se destaca basicamente por mostrar a vida ou no caso de Gkay, por fazer vídeo de humor duvidoso.
O grande feito a influencer foi "A Farofa da Gkay", basicamente é uma festa voltada pra influencers em que ela foi muito visionária em nadar de braçada no gênero "festa istagramável". A expressão instagramavel é usada para lugares que tem como estratégia criar espaços para fotos que vão ter boa saída em redes sociais (sobretudo instagram). Existe uma série de alternativas pra isso, Gkay fez uma festa fechada pra famosos na internet, com presença cativa de blogueiros de páginas de fofoca com milhões de seguidores que durantes fazem da festa notícia. Reza a lenda que o valor das famosas publis dos influencer durante a farofa chega a quintuplicar.
Além da vibes Instagramável Gkay freta avião, fecha hotel, cria todo um burburinho midiático quanto aos convidados da farofa e catalisa para seu evento boa parte da atenção da mídia. nesse ano ela teve o evento transmitido pela focker multishow. A Farofa é um sucesso, sobre tudo pras novas gerações, eu pessoalmente confesso que acho mais interessante as notícias dos preparativos da farofa do que da farofa em si.. Que basicamente é "A beijou B", "que beijou C", "que beijou D"... Acho bem "grandes merdas".
É bem verdade que a moça acaba carregando o peso de ser ícone de toda essa onda influencer vazia. Pq é importante destacar que influencers como Felipe Neto, Jout Jout ou Maria Boop ue usam sua fama pra somar de alguma forma não vão a farofa... A coisa é de Tirulipa Junior pra baixo! Daí Gkay vira meio que a encarnação de um movimento, além de ser uma mulher a frente de um espaço em que pessoas exercem sua liberdade sexual, há muito sexismo no hate a Gkay.
Só que não dá pra negar que ela também não se ajuda! Gkay volta e meia dá uma bola fora (típico de quem chega na fama num estalar de dedo). Durante a pandemia levou um monte de ex BBB pra sua casa pra fazer dancinha, volta e meia dá uma declaração cagada... Só esse ano a influencer foi no programa da Tatá Werneck e deu uma entrevista constrangedora de ruim, uma tentativa desesperada de ser engraçada que fracassou miseravelmente (vide a foto de ilustração do post). Tbm gravou um especial para netflix que foi um fracasso de crítica e público além de inúmeras falas de que ela é super grosseira com as pessoas com quem trabalha e por fim deu um chilique com Fábio Porchat que fez piada com a entrevista dela na Tatá durante os melhores do ano (aliás ele, o Paulo Viera e a Própria Tatá fizeram piadas). Gkay apelou e o Fábio hoje respondeu dando uma voadora que olha... Coitada!
Eu não vou entrar de forma rasa numa conversa mega complexa que é a cultura do cancelamento na internet, ou mesmo próprio hate, não é um assunto mole, fato é que eu não sou favorável a linchamentos virtuais, mas também não dá pra esquecer que ano passado usando oportunamente de sua fama Gkay tava pedindo aos seguimores pix por que ficou endividada pós Farofa, no ano seguinte ela estava fretando um avião pro mesmo evento, então eu acho que é sempre bem vindo a reflexão sobre pra quem a gente tá dando audiência.
Pensando numa escala nacional foi bem movimentada essa semana que passou, seguindo bastante o ritmo que minha vida tem seguido, acho que deve ter algo de muito doido acontecendo com os astros, preciso consultar o Foxx sobre este fato.
A semana começou com as redações tendo como pauta apenas os enfadonhos 20 anos de morte dos mamonas assassinas, foi atropelada pela "prisão de Lula" e expulsão da primeira participante em 16 anos de BBB (morta por não estar acompanhando essa pérola). Todos esses elementos compondo um único cenário, gera em mim o exercício quase que involuntário de procurar uma linha entre tudo isso, (que sinceramente não foi nada difícil). O que tá mais que claro e ficou ainda mais essa semana, foi que tanto nós quanto as redações nos tornamos uma máquina "infreável" de sensacionalismo... O mundo tronou-se uma grande imprensa marrom.
Hiper valorizamos uma bandinha mequetrefe que certamente teria caído no ostracismo se não tivessem morrido, assistimos a operação lava jato com ares de reality show, formando torcida e vibrando a cada movimento, fazemos boicote no peiperviu pq a nossa jogadora foi injustiçada pela globo (quem não é?)... A sensação que eu tenho é que quem está fazendo a pauta do mundo é a Sônia Abraão.
Vivemos na sociedade da informação, nunca soubemos tanto, de forma tão rápida e vertiginosa. Palmas pra gente! Do dia pra noite todo mundo descobriu (ainda que de forma meio torta) o que é um partido de direita e de esquerda, mas a bem da verdade é que junto com isso, o que tbm fica claro é que a informação sem educação geram verdadeiras deformidades. Somos educados para obediência e não pra reflexão, a maior crítica que uma criança pode receber é "que desobediente", falamos isso com ares de mágoa, num jogo passional e dramatizado que constrange a criança por não seguir nossos comandos em vez de tentar faze-la entender pq não deveria ter feito "A" ou "B".
Semana retrasada nasceu minha primeira sobrinha e daqui há alguns meses meu primeiro afilhado. Tanto minha prima quanto minha irmã optaram por fazer um quarto Montessoriano o que me deixou imensamente feliz. Pra quem não conhece, o quarto Montessoriano tem como proposta seguir as premissas da linha Montessoriana de educação, que visa sobretudo a autonomia. A cama da criança é um colchãozinho no chão, prateleiras e araras são colocadas na altura delas e opções de roupa e brinquedo são colocadas numa quantidade em que ela não se atrapalhe e consiga fazer escolhas.
Quero muito acreditar que meus descendentes vão ser melhor trabalhados do que nós fomos quanto a reflexão e sobre fazer escolhas. Os itens dispostos no guarda roupa vão crescendo junto com a maturidade da criança da mesma forma que as referências vão aumentando no mundo. É preciso educar para que seja autônomo, mas sobretudo para que consiga ter lucidez em meio a grande avalanche de informações que tornou-se o mundo.
Sei que ninguém aguenta mais a falação em torno do fato de Neymar sair da copa e vou ser bem breve aqui nesse assunto, mas precisava me manifestar no sentido de fazer uma espécie de nota de repúdio ao comportamento das pessoas no instagram do cara que golpeou ele, em especial na foto da filhinha dele que tem 04 anos. É assustador onde a ignorância pode levar as pessoas.. Ai nego taxa de doido quando um fundamentalista religioso islâmico explode uma embaixada.. Veja bem, estamos falando de uma ideologia, convicção religiosa, de valores... Assustador é o sujeito por causa de uma porra de uma partida de futebol roga praga pra que uma criança de quatro anos seja estuprada!!!
Eu estou realmente espantado, me lembrei da discussão que travei aqui no blog sob o lance da psicologia das massas quando falava do comportamento das pessoas no scruff. Em meio a multidão, dentro de um pseudo-anonimato as pessoas mostram uma face absolutamente assustadora e quero muito acreditar que somos bem melhores do que isso.
Eu já falei que eu odeio críticos de cinema???Em especial os que fazem por hobbie, pq o cara que trabalhou com cinema por 30 anos e escreve pra Folha de São Paulo, DEPENDENDO DA ESCRITA, eu até respeito, só não considero tanto pq acho a experiencia com a arte algo muito particular e tenho a sensação que esse cara vai estar atento a coisas que eu que sou apenas expectador nem percebo. Se ele for um bom crítico, acho que consegue encontrar nessas partes onde só vejo o todo, os elementos que levaram uma obra a ser aceita ou negada pelo público ou por determinados setores. Quando me refiro ao bom critico estou falando mais precisamente do empático, daquele que escreve para as pessoas e consegue compreender suas expectativas com relação a obra, do que escreve para o outro e não para si, sobre si, pq esse naturalmente não está falando de nada que seja pertinente pra mim, é dele e pra ele.
E ai qual é meu medo? Ser confundido com esse babaca.. Alguém que tem um blog, uma página no facebook ou qq espaço que essa faca de dois gumes que é a democracia da internet oferece e se sente um Papa analisando as obras. "Mas qual sua diferença pra ele gato"? O Amadorismo, o total amadorismo, o pleno desejo de permanecer amador. Entendo perfeitamente Clarice Linspector quando, já reconhecida como uma grande escritora, se declarou amadora.. O expectador é amador e deve permanecer sendo, não me interessa o segredo por trás da máquina eu escrevo sobre o que sinto diante do produto final e isso é absolutamente idiossincrático. "Mas gato temos uma contradição aqui, vc não criticava o cara que escreve sobre seus sentimentos diante da obra e agora fala da idiossincrasia?? Não escreve sobre o que sente?".. No no no bambino, temos uma grande diferença aqui... O amador quando externa seus entimento diante da obra busca cúmplices, o crítico busca seguidores... Pq quando eu falo o quanto fui tocado por um determinado roteiro não estou buscando a mesma coisa de quem diz que o filme não se insere como uma grande obra.. Quem faz essa avaliação tá vendendo pro outro o quanto ele pode perceber grande obras e o quanto deve ser aplaudido por isso.
Fora as pessoas que vivem da obra, quem diabos se preocupa se ela se insere com uma grande obra? Parece coisa de uma mente megalomaníaca, nego gosta do filme, mas coloca como ponto negativo o fato de avaliar que não "se insere como uma grande obra".. Hitler deveria se preocupar com isso quando assistia alguma coisa.. Ele, Mussolini e mais uma meia dúzia de doidos.
Um hábito muito comum entre nossos críticos cult goiabinha é comentar o filme no FB enquanto estão vendo.. "Com 26 minutos de filmes já estou achando W, Y, Z..."... Sinceramente, alguém que enxerga o mundo como eu nunca na vida vai poder confiar na opinião de alguém que vê arte comentando em tempo real, pq sou passional e não dou credito a alguém que faz essa análise tão de fora, tão por cima, tão do alto, que não precisa nem terminar de ver antes de ter opinião formada.. Aliás não precisa mesmo pq já chega na obra completamente contaminado por todas as opiniões que buscou exaustivamente antes do contato.. Além de ler a opinião dos seus pares, já leu nota do diretor, do roteirista, dos atores e do caralho a quatro, por muitas vezes da opiniões veementes antes de ver qq minuto da obra. O erro!
Por tanto que fique claro.. Não sou, nunca tentei ser e nem pretendo jamais ser um critico do cinema.. Falo apenas do que vejo, do que sinto e da minha verdade diante da obra, qq coisa fora disso é equivoco de quem leu ou de quem escreveu (no caso eu).. E - QUI - VO -CO, minha verdade esta no amadorismo com que vivo a arte e a vida todo o resto é erro.
No dia internacional da mulher deste ano listei no FB uma série de itens felicitando as minhas amigas que não se encaixam neles, considerando que o contrário disso prestava verdadeiros desserviços para suas semelhantes. Dentre os requisitos listados estava: Não compra pra si o papel da maluca quando só cobra coerência. Pq, sim... É uma febre!!!
Certa vez um amigo me dizia a figura mais execrada pelo homem deixou de ser a piranha para virar a "doida", sinal de que o machismo está se sofisticando. Outrora ele só tinha como alvo mulheres que exerciam sem maiores problemas sua sexualidade, agora é para qq uma que faça solicitações que em sua avaliação são descabidas. Se olhar direitinho vai ver que há muito mais opções de minar a subjetividade feminina aqui.
Do dia pra noite parece que todas as mulheres do universo, ou a grande maioria, viraram namoradas sinistras, carentes, megalomaníacas e cobrando absurdos desses homens que precisam ser conquistados. Há um sem número de preocupações que a mulher deve ter pra não assustar um pretendente, em geral ligados a deixar claro seu desejo de ter compromisso... Tem que querer, sem parecer muito! Jamais ser carinhosa em demasia, fazer planos um pouco mais a frente, demostrar fragilidades. Me pergunto como se constroi uma relação real de companheirismo e cumplicidade onde não se pode demostrar fragilidades.
Tudo bem, eu posso assumir que de fato a mulher é criada pra neurose. A elas é delegada a vida inteira o papel de cuidadoras. Na sala de aula não é incomum professoras colocar em meninas próximos de meninos pq eles são mais agitados e elas ajudam a diluir, já as colocando, em alguma proporção, no papel de cuidadoras. No livro "Crianças Francesas Não Fazem Manha" a autora mostra como que na cultura americana, depois de ter filhos, de alguma forma, a sociedade cobra que a mulher esteja descabelada, gorda e rota para que fique claro que deixam de cuidar de si para cuidar de sua prole.Historicamente as fêmeas sempre precisaramm lançar mão de subterfúgios para ter direitos, precisavam comer pela beirada, ir pela tangente, daí essa atmosfera ardilosa, como se fosse uma sucuri, se enrolando pra dar um bote no frágil coelhinho... Uma sucuri doida e desgovernada. Poderia levar horas apontando por A + B que a maneira da mulher se relacionar se faz diferente da do homem, mas que ele também tem complexas especificidades e afinar esses caminhos é papel de ambos.
Ando acompanhando de perto uma história onde o gajo faz mil declarações para namorada, escreve mensagens públicas apaixonados, publica diariamente foto dos dois, tem tido uma série de comportamento pra lá de namorada sinistra e fica chamando a menina de doida no privado com os mais próximos. Demasiadamente ciumenta, chegada a desagradáveis manifestações públicas de afeto, insegura, são algumas das críticas proferidas pelo boy, mas minha dúvida é: Como posso cobrar qq coisa contrária disso quando sou quem mais nutre toda essa onda?
Outra figura muito comum é aquele cara que vive dizendo que só namora com maluca - acho uma graça dessa gente que tem um problema recorrente na vida e NUNCA olha pro próprio umbigo - Qual é o momento que eu me pergunto até que ponto não sou eu que estou melindroso demais ou que ainda provoco isso nas mulheres com quem me relaciono? Não é possível que em nenhum momento essa criatura não estranhe esse papel que deu pra si de são em meio as loucas. Minimamente deveria pensar sobre suas escolhas e rever afinal de contas quem é o inseguro dessa história.
Alienar alguém para descredenciar seus dramas, suas solicitações e não questionar acerca do funcionamento das coisas é uma estratégia histórica que está ai desde que mundo é mundo e que agora tomou um tom lúdico entre aqueles que brincando, brincando não abrem mão de uma série de privilégios. A piada reforça uma cultura que engrossa um caldo perigoso, através dele também boia uma postura inapetente da segurança pública diante da violência doméstica por exemplo, ou ainda da violência sexual contra mulheres. Lembrei de certa vez que denunciei um louco que parou com o carro na porta da minha casa e espancou a mulher enlouquecidamente, quando a policia chegou eles já tinham ido, ao explicar o que aconteceu me pediram para descrever o casal e com a descrição veio uma reação de "aahh.. a maluca de novo". Ela que já deve ter sido protagonista de diversos episódios anteriores e não conseguiu seguir a diante com suas denúncias era motivo de piada entre os policiais que já banalizaram a violência sofrida pela vítima, um caminho triste e infelizmente rotineiro.
Quando se vive em sociedade é preciso se pensar que nosso comportamento na esfera privada sempre está construindo ou destruindo algo maior no público e em se tratando deste assunto a posição de avaliador da sanidade alheia tem sido uma posição comoda e covarde que nossos machos tem comprado pra si e infelizmente nossas fêmeas tem assinado em baixo.
E foi hoje que fiquei sabendo que a moça que costurou a popoca no Xereca Satanik já é famosa por usar as genitálias para fins alternativos. A figura em questão tmb teria se masturbado com uma imagem santa durante uma das Marchas das Vadias e enfiou um crucifixo (de madeira, grande, grosso e quadrado) no toba do namorado. É possível identifica-la pela tatuagem na perna.
A Marcha das Vadias aconteceu em Copacabana, em meio a Jornada Mundial da Juventude, no ano passado. Na ocasião, um pequeno grupo de manifestantes realizou um protesto contra o evento católico. Algumas das participantes chegou a introduzir um crucifixo na popoca além de quebrar imagens de N. Sra entre outros santos católicos. O ato foi realizado quando milhares de fiéis ocupavam a praia para esperar a passagem do Papa Francisco. O protesto provocou enorme revolta na sociedade em geral.
Se a pessoa faz isso com a popoca dela e com o toba do namorado, imagina o que faria com o meu.. Fico me perguntando o quão uma ação dessa diz da ideologia de alguém e o quanto diz do seu momento, seu estado de espirito, da sua capacidade de converter seu barulho em som.
A Polícia Federal abriu inquérito para apurar uso de droga, álcool, orgia e ritual satânico na Universidade Federal Fluminense (UFF) de Rio das Ostras. Reitoria também abriu sindicância no pólo. A Polícia Federal ressaltou que eventos dessa natureza não podem ser realizados em um espaço público, sendo, portanto, necessária uma apuração detalhada para levantar o que aconteceu e identificar os organizadores do evento. E ai me pergunto: Qual o credito disso? Qual valor tem um movimento que tem a pretensão de ser de base, afastando a base? Quantas pessoas de fato leram essa mensagem como um alerta contra o patriarcado? Sabendo que a costureira de popoca é linha de frente desse movimento quantos passariam a ir depois disso, quantos deixariam de ir? E se a base não tem essa audição ninguém foi alertado e se ninguém foi alertado qual a função??? Tá gritando o que pra quem essa moça???
Esse foi o nome da festa organizada pelos alunos de Produção Cultural da UFF no município de Rio das Ostras, onde por um a caso resido. Tá dando um rebucetê do cacete...
A festa teve mais de dois mil convidados, 322 confirmados e até agora ninguém divulgou ao certo o . número de participantes, reza a lenda que o correu no campus da universidade. Segundo informações o que teria começado como uma espécie de performance terminou com várias pessoas nuas e uma mulher tendo a vagina costurada. Segundo relatos as principais ações teria sido feitas por um grupo de teatro de Juiz de Fora, ninguém da universidade teria de despido, obrigado a participar de nenhuma performance ou ainda costurado a pepeca. Minha mágoa? Não ter sido convidado.. MENTIRA.. hihihiihhiihih...
Não se fala em outra coisa, fotos no evento distribuídas pelo whatsapp, várias nao FB e o estudantes da UFF se digladiando com a população nas redes sociais. Nessa altura dos acontecimentos é difícil vc separar o que de fato aconteceu dos boatos, mas da pra gente tentar umas apostas.
A UFF, universidade megapolitizada, com marxismos na veia, este campus em especial um dos poucos no Brasil que tem o curso de produção cultural.. Um curso que coloca em voga mesmo as relações humanas, comportamento, cultura, sociedade... Claro que há algo de ideológico nisso, em especial por terem sido exclusivamente mulheres envolvidas nas "performances".. Há uma questão acerca da liberdade de usar o próprio corpo da maneira que julgar pertinente, de ter liberdade na sua sexualidade. A gente respeita a intenção da galera, mas lógico que houve excesso... Numa análise rápida sobre a repercussão que está dando encontramos duas pontas:
Representantes de uma acadêmia sempre muito petulante e afastada da ponta, pensam num evento desta natureza por terem uma discussão avançada sobre sociedade, mas na hora de lidar com o assombro da comunidade diante da atração agem de forma áspera e quase que surpresa. Nas discussões no facebook os alunos da UFF que vem na defensiva se colocam muito veementemente e faltam pouco chamar seus antagonistas de boçais. Lembro muito de uma professora da época de faculdade que tinha como bordão "isso não é do meu mundo", acho ela um ícone da acadêmia, essa ilha fora da realidade.. Quando perguntávamos sobre algum assunto polêmico da vez, fosse ele um crime bárbaro comentado nos noticiários ou algum tema da novela, ela vinha com a máxima. Na época eu já tinha crítica a isso pq eu queria ser o profissional do mundo real, hj (que já sou) vejo o quanto de fato não estava equivocado na minha avaliação. É o depoimento da Xuxa dizendo que foi abusada no fantástico, a bulímica no Big Brother, os gays da novela que são norte para discussão de temas e inclinam o trabalho pq ditam e sistematizam comportamentos para uma sociedade. A acadêmia vive numa bolha vaidosa e não sabem lidar com a realidade.. A prova tá ai.. O tamanho da repercussão e a forma despreparada que os alunos estão lidando com ela... Se de alguma forma a intenção era rever padrões que esta revisão contemplasse a ação depois do escândalo.. Pq lógico que teria escândalo.. Era uma boa oportunidade pra se levar para a comunidade um série de pautas.
Do outro lado o povo... O povo escandalizado, horrorizado com os satanistas uffianos, falando em fechar a faculdade, fechar o curso, prender responsáveis.. Enfim.. Fico imaginando que isso vai ser tema de tudo quanto é púlpito da cidade e o quanto isso descaracteriza as intenções. Os setores mais conservadores fortalecem seus discursos xiitas neste excesso, lançam-se boatos mentirosos, perde-se credibilidade e afasta-se ainda mais da sociedade. Esta UFF que encabeçou o projeto "Chega de Estupros" formando um dossiê falando sobre os casos de estupro na cidade, puxou um fórum de enfrentamento a violência sexual contra crianças e adolescentes, vai as ruas manifestar contra a cultura de culpabilização da vítima e precisa de credibilidade... Claro que são grupos distintos e situações distintas, mas na cabeça da população os mesmo que estão falando sobre a marcha das vadias protagonizaram o xereca satânik e como dar crédito a isso? De que adianta uma marcha das vadias se a sociedade não adere?
Eu tenho um carinho muito especial por festa que o povo fica pelado, por mulheres que tem uma crítica afirmativa acerca do uso do próprio corpo e toda essa vibe iconoclasta. Todavia faltou maturidade, faltou direcionamento, faltou muita coisa e sobrou mais um monte de outras... Existem diversas formas funcionais de se criticar o sistema e proporcionar uma discussão que seja fértil para o coletivo.. Costurar a pepeca da colega num evento dentro do campus da universidade não é uma delas. Dada toda repercussão, não da pra negar que o tiro saiu pela culatra, da minha parte fica meu respeito a intenção e a torcida que da próxima haja mais bom senso.