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30.9.24

Brigitte Vasaloo and me


Certa vez em uma entrevista Clarice Linspector falou sobre o fato de que não escrevia na esperança de que algo se alterasse, pq no fundo nada se altera e aí ela fecha dizendo "agente quer desabrochar de um modo ou de outro". Eu poderia citar diversos pensadores, de Paulo Freire a Sócrates, que vão defender a premissa que o processo de aprendizagem não tem a ver apenas sobre como aquilo está sendo passado, mas sobre como a minha experiência empírica vai me fazer absorver aquilo. Eu lembro que quando li Regina Navarro Lins fiquei extasiado ao me reconhecer no conceito de poliamor, mas a bem da verdade é que aquilo já estava muito claro pra mim, Regina trouxe complexidade, estabeleceu fluxos, relações de causa e efeito, lançou luz sobre corredores escuros e me espantou fantasmas, mas eu já sabia. Talvez você que esteja lendo suspeite que possa ser uma arrogância da minha parte ou a tentativa de querer passar uma imagem de "sabichão", mas a maior prova do que estou falando tá aqui nesse blog mesmo. Conheci o trabalho de Regina em 2013 quando li seu primeiro livro, mas em fevereiro de 2012 fiz um post aqui intitulado "conselhos para um gay iniciante", que dentre outras coisas escrevo: 

"Tb não me caia na esparrela de achar que um dia vc vai encontrar o homem certo e ai vc vai desejar apenas ele... Isso é uma grande tolice... Continuará desejando tantos qtos parecerem interessantes pra vc... Talvez vc entre numa relação onde consiga dar vazão a isso (e eu recomendo isso mesmo, desde que haja maturidade pra entender o quão seria é uma relação ainda que aberta)... Mas talvez não, o que tb não tem problema, faça o que suporta... Em todo caso tente ser honesto dentro daquilo que vc se propôs... (mais um gole d’água) ... As vezes vc não vai conseguir... Não precisa se matar por isso, só tente não fazer disso um hábito... Um minuto.. Preciso encher meu copo!!!"

 Eu já sabia, mas de maneira alguma diminuo a importância das contribuições de Regina pro meu autoconhecimento. Onze anos depois de conhecer ela conheci o trabalho de Brigite Vasaloo autora do livro "O Desafio Poliamoroso". Quem me apresentou foi um boy que eu fiquei alguma vezes numa viagem que fiz a Brasília (que vou chamar aqui de Poeta). Ele me recomendou o livro, mas acima de tudo ele trazia um debate muito sólido sobre poliamor, com percepções muito específicas e que estava muito calcado nas suas vivências, mas também na sua leitura/identificação com Vasaloo, o que me deixou tão curioso pra ler o livro que acabei comprando ainda quando estava lá. Eu me encantei muito pela leitura de mundo que o Poeta trazia, não só pq ele era lindo, generoso, inteligente etc etc etc... Mas pq ele também acendeu holofotes em outros corredores escuros que foram se criando com minha vivência com o poliamor em todos esses anos. Você deve está se perguntando o que de tão novo ele e Vasaloo traziam pra mim. 

Pois bem, o Poeta dizia que o que mais pegou ele no livro não foi as percepções dela da monogamia/poligamia, mas sobre como uma série de lógicas que são formadas e formadoras da monogamia influenciam nas relações não monogâmicas, fazendo com que a autora questionasse uma série de conduções de relações poliamorosas. O que pegava nesse livro não era sobre eles, era sobre nós. 

O Poeta trazia uma percepção das relações poliamoristas numa perspectiva de rede de apoio, tem um trecho do livro em que Brigitte fala sobre como as pessoas se questionam sobre questões frívolas da estrutura das relações não monogâmicas preocupando-se com coisas banais como quem vai sentar do lado de quem na cadeira do restaurante, mas sem ter nenhum questionamento sobre quem vai ser o acompanhante no hospital quando um adoecer. Brigitte parte de aspectos muito estruturantes para poder se embasar, reflete, por exemplo, sobre como o exclusivismo (a lógica que vc deve "pertencer" exclusivamente a um individuo) se constrói numa ideia muito mais ampla de que aquilo que não pertence a todos tem valor e isso é uma pedra angular do capital. A coisa deixa de ser valorizada pelo que efetivamente trás de benefício para o individuo, mas sobre o quanto os demais não podem ter, sobre o quão exclusivo aquilo é, um bom exemplo disso é o mercado de pedras preciosas. Diamante só vale o que vale pq é raro e a gente resolveu valorizar por isso, não é pelo benefício que ele pode trazer pra você. Por tanto, partindo do pré suposto, um parceiro que tem um sexo acessível para outros indivíduos, não tem nada de raro pra me entregar, não é exclusivo. Essa e muitas outras coisas me pegaram bastante, mas a coisa da rede de apoio me pegou mais, talvez por que eu tivesse vivido algo muito recentemente que vinha bem de encontro com o debate. 

Um ano antes disso acontecer o Calopsita (meu marido) conheceu um boy e ele começou a ficar muito próximo dele (vou chama-lo aqui de Sr Centro do Mundo, ou só Centro). Logo que ele me apresentou Centro me encantei, pq ele era um querido, um gostoso, bom demais de cama, valia cada segundo. Eles dois tinham uma puta conexão e eu começava a me entender com Centro. Nós passamos a virar um trio e eu meio que passei a tentar mediar um pouco a relação com o marido dele, pq sim ele era casado e esse debate do poliamor era bem rudimentar para eles. Identifico que muito da nossa aproximação com o marido dele foi em função exatamente dessa lógica da rede de apoio. Centro tinha graves questões de saúde mental, o que gerava problemas sérios, crises graves e o marido dele não tinha muito com quem contar, entendia que toda essa galera com quem ele tinha apenas relações fundamentadas em sexo, não chegavam junto pra nada nos momentos de fragilidade dele e foi nessa brecha que a gente entrou, foi entendendo que nós éramos apoio que ele começou a abrir essa porta. Daí que volta e meia ele ficava preocupado, mandava msg pra saber se Centro estava lá em casa e ficava tranquilo de saber que estava. Também houveram momentos de crise de Centro que ele nos ligou e nós prontamente corremos pra lá pra ajudar. Tudo corria bem quando em maio de 2023 ele nos pediu em namoro e nós aceitamos de pronto. A questão é que com muito pouco tempo as coisas entre eu e ele passaram a ficar mais nebulosas, eu viajava muito a trabalho, estava mais fora do que dentro, isso gerou uma aproximação forte entre ele e o meu marido, mas comigo além de haver menos afinidades, havia um incomodo meu em ter que estar sempre em volta dos problemas dele quando eu estava no meu pouco descanso em casa. Pq na minha leitura, quando estávamos com ele, tudo era sobre ele, sobre como o humor dele estava, sobre o quanto ele tinha que ser atendido para não desestabilizar e sobre o quanto toda precaução do mundo muitas vezes não era suficiente. Na contrapartida meu marido foi se sedimentando ainda mais como uma rede de apoio importante pra ele. Cada vez mais limitado, deixando de fazer coisas em função da sua saúde mental e precisando de companhia pra uma série de  coisas, Centro demandava e meu marido sempre estava lá pra segurar sua mão. Num determinado momento o marido dele deixou de trabalhar e dali pra frente ele passou a ter mais dificuldade de administrar esse tempo e se antes ele vivia lá em casa, ele começou a diminuir bem esse ritmo, mesmo morando há poucas quadras. Calopsita sentiu a falta, eu senti alívio! Até que um belo dia o meu marido teve uma apendicite, quem já teve sabe como tudo acontece mega rápido nesses casos. Numa sexta ele sentiu a dor, no sábado operou, domingo estava de alta, porém foi um período bem complicado, por que eu continuei trabalhando, tinha todos os cuidados de casa e ainda precisava ajuda-lo em coisas mínimas no pós operatório. A situação começou numa sexta, mas só na segunda, diante do total silêncio do Senhor Centro do Mundo que fui perguntar pro meu marido se ele soube do ocorrido e pasmem, ele contou que estava indo pro hospital sexta passando mal e o boy não perguntou mais nada depois. A situação gerou uma crise entre os dois, naquela altura dos acontecimentos eu já estava bem afastado dele, mas não aponto de deixar de falar. Pelo whatsapp o Senhor Cntro do Mundo reverteu a situação falando: "ah desculpa, eu não to bem e blá blá blá" e para a surpresa de zero pessoas o assunto começou a ser sobre ele novamente. No dia que ele foi lá em casa conversar com Calopsita, Centro mal me olhava, desconfio inclusive que ele achava que eu manipulei a narrativa, mas também não me preocupei em falar nada pq não tinha mais nenhuma intenção de reverter absolutamente nada com ele e achava que aquilo era sobre eles, porém a conversa com eles também  não foi pra lugar nenhum, pq claro que as questões de saúde mental também justificavam uma inabilidade social e uma incapacidade de discutir problemas. Dali pra frente foi ladeira morro a baixo. A conversa nunca veio, ele já não ia lá em casa nunca, pouco tempo depois separou do marido e foi pra casa da mãe, nós nos aproximamos, ajudamos inclusive na mudança, mas nenhum diálogo com ele... Calopsita começou a namorar outro cara, eu comecei a sair com outro garoto, mas nenhum diálogo com ele... A gente começou a se reaproximar numa lógica de amizade (embora a gente ainda se cumprimentasse se beijando), mas nenhum diálogo com ele... Cheguei até tentar transar um dia, mas foi total torta de climão que se sustentava num silêncio abissal, nenhum som... Nada. Quando recebemos a notícia que precisavamos mudar de cidade, começamos a viver esse luto, organizar a mudança e falamos com ele em torno de 3 semanas antes, ele teve uma relação meio que "ok" e nunca mais nos falamos. Meu marido hoje diz que nem gosta de ver as coisas dele no instagram e eu entendo, por que ele mergulhou fundo e terminou no vazio. 

O Poeta e Brigitte falavam comigo sobre como tantas vezes, numa perspectiva poliamorista, as pessoas criavam relações tão frágeis que muitas vezes ela não tinham se quer com o que terminar e isso me bateu muito. Fiquei pensando não só no que tinha acontecido com o Senhor Centro do Mundo, mas todas as zilhares de vezes que eu ocupei esse lugar. O meu autoconhecimento enquanto um homem poliamorista mudou bastante com o tempo, aliás não só o meu autoconhecimento, mas a minha dinâmica mesmo. Durante muito tempo me senti muito desconfortável com a ideia de que meu marido era obrigado a se adaptar o tempo inteiro as minhas demandas e que pra mim nunca parecia estar bom, é muito recente o meu entendimento de que na verdade relação aberta não é poliamor, que ela tem uma dinâmica muito parecida com a da monogamia e que não é que ele tivesse que se adaptar sempre, eu que vivi uma frankenstein de poliamor, fazendo uma série de pactuações que não me atendiam por que de fato não iam de encontro ao que funcionava pra mim. Todavia sinto que fim de tudo gerou em mim um módus operantes que fez com que por muitas vezes as pessoas com quem eu me relacionava ocupassem lugares quase que de amantes, eram como parênteses na minha história. Certa vez fiquei com um menino lindo, encantador e negro. De pouco a pouco ele foi se esquivando  de maneira que eu não conseguia se quer conversar com ele, mas a verdade é que eu já tinha entendido tudo e já que ele não me permitia aproximação escrevi um e-mail me desculpando e falando sobre as cicatrizes que um homem preto tantas vezes carrega pelos sub lugares que ocupa e que eu me achava o ás da modernidade, mas reproduzia padrões que historicamente colocava pessoas pretas como uma relação furtiva a ser escondida. Mais uma vez repito, eu já tinha debate sobre o fato de que muitas vezes o sujeito entra numa relação poliamorista como se tivesse entrando numa "não relação", as vezes a ponto de dizer que o fazia buscando "leveza", ignorando toda complexidade existente na dinâmica da manutenção de relações livres saudáveis, mas foi com o Poeta e com Vasaloo que parei para prestar atenção em pequenos nuances que eu reproduzia e que me colocavam no exato lugar que criticava. 

As novas reflexões me levaram a repensar uma outra relação, com um um boy que conheci numa viagem para Salvador, vivemos um romance meteórico e ao sair de lá ele foi taxativo em dizer que ele fazia seu destino e que não precisava haver um fim em função de uma distância geográfica. O baianinho é um querido com quem tenho muitas identificações de visão de mundo além de forte conexão sexual, mas um estilo de vida completamente distante do meu. Não se tratava apenas da distância geográfica, mas de muitas outras distâncias e todas as vezes que eu tentei apontar pra esse fato, tentei refletir com ele que por mais que a gente tivesse muito carinho um pelo outro talvez realmente não houvesse liga pra segurar uma relação ele era completamente relutante por questões que identifico serem muito dele, tinha muito a ver com o quão ele não se sente confortável em ocupar alguns dos lugares que nos distancia então talvez ele quisesse forçar uma narrativa onde coubesse sim, uma narrativa em que nem era tão distante assim ou pelo menos poderia deixar de ser, mas a verdade é que era e a coisa foi se esvaindo em silêncios e mais distância... Quando eu conheci a Vasaloo e comecei a pensar sobre essas coisas, tentei abordar, mas acho que talvez não tenha sido suficientemente posturado.

Quando estava deixando Rio das Ostras eu estava saindo com um garoto, pra esse deixei bem claro desde no início que não havia uma relação, ali não só eu já estava refletindo sobre tudo isso, como já sabia da eminência da mudança, mas olhando pra trás fico me perguntando até que ponto talvez eu não tenha dado sinais que iam em oposição a o que estava discursando pra depois colocar tudo na conta de uma interpretação equivocada dele. O Senhor Centro do Mundo foi uma ótima ilustração do que eu não queria e "o desafio poliamoroso" foi um passo importante para minha autopercepção e do quanto em muitos momentos eu me aproveito dos equívocos que as pessoas cometem quando pensam em poliamor para não enfrentar coisas que talvez não tenha coragem de enfrentar.

 Eu sou um homem poliamorista. Parceiros múltiplos sexuais são importante pra mim, afetos são importantes pra mim, cuidados são importantes pra mim, coerência é importante pra mim. Brigitte Vasaloo me fez olhar com atenção pra uma série de coisas importantes pra mim, que não quero  que sejam negligenciadas de mim e nem que sejam negligenciadas por mim.

8.2.12

Conselhos para um gay iniciante




Querido... Sente-se e preste bastante atenção nessas coisas que eu vou te falar, algumas delas incialmente vc vai estranhar e até discordar, mas se prestar atenção em algumas horas na vida vai lembrar das minhas palavrar e agradecer por de fato ter ouvido.

Então... (Breve pausa para beber água)... Essa coisa que vc sente ai dentro... Todo esse desejo.. Enfim, tudo isso é natural... Vc precisa compreender desde cedo que as pessoas vivem sob regras que elas mesmas não suportam e depois ficam nessa maluquice de prazer e culpa... Culpa e prazer... Você deseja homens, isso é absolutamente normal e o mais provável (praticamente certo) é que isso não mude... (mais um gole d’água)... Tb não me caia na esparrela de achar que um dia vc vai encontrar o homem certo e ai vc vai desejar apenas ele... Isso é uma grande tolice... Continuará desejando tantos qtos parecerem interessantes pra vc... Talvez vc entre numa relação onde consiga dar vazão a isso (e eu recomendo isso mesmo, desde que haja maturidade pra entender o quão seria é uma relação ainda que aberta)... Mas talvez não, o que tb não tem problema, faça o que suporta... Em todo caso tente ser honesto dentro daquilo que vc se propôs... (mais um gole d’água) ... As vezes vc não vai conseguir... Não precisa se matar por isso, só tente não fazer disso um hábito... Um minuto.. Preciso encher meu copo!!!

Veja bem... As pessoas vão tentar te convencer que o meio gay é promiscuo e tals.. Não relute, mesmo pk elas não estão erradas... É mesmo.. Não negue, não negue isso nem pra vc mesmo.. Não se negue.. Se aceite... Volto a enfatizar aqui a importância da honestidade para formação do seu caráter (pode deixar que a descendência forme o caráter dos evangélicos)... “a coisa certa” não necessariamente está fora de vc... Administre isso... Use preservativos e fique com qtas pessoas vc achar que são suficientes pra vc..(mais um gole).. Sim, sim.. Eu sei, camisinha é um saco.. Mas use... Use sim...  E, como ia dizendo, fique com qtas pessoas achar que deve, mas saiba que as pessoas mentem umas pras outras e pra si mesmas e enfim.. Dependendo de como conduzir isso elas vão  achar que vc é alguém não apta pra viver uma relação, como se não tivesse sentimentos e outras tolices (outro gole)... Não acredite nisso.. O cara que  paga boquete no banheirão tb tem sentimentos e carências e todas essas coisas...Só que nego faz todas as putarias do mundo em momentos “x’ e em momentos “y” ele vai julgar vc.. Por isso eu digo.. Aceite as coisas como são.. Mas saiba administrar... (Mais um gole d’água)

Militância é bacana sim, pelo menos eu acho.. Mas não é uma obrigação... Existem outras coisas além da sua homossexualidade.. Vivemos num dos países com a pior divisão de renda do mundo, as pessoas passam fome, sofrem dos mais diversos males.. Enfim.. Existem muitas bandeiras... A militância gay não é uma obrigação... Mas respeitar quem faz é (um grande gole d’água)... E  mais importante ainda que respeitar quem faz é entender que mesmo não indo pra passeata vc DEVE se posicionar.. Se posicione sempre contra o preconceito... Nas festas de família, nas mesas de bar, nos fóruns na internet... Se posicione, sim...  Se posicione e se policie pra não comprar o preconceito... Se posicione, se policie pra não comprar o preconceito e seja gentil com o seu semelhante... Gentileza, Querido..(mais um gole)... Gentileza é uma excelente dica...

Essa coisa do preconceito de fato é desagradável e por vezes vai te perseguir, mas não super-dimensione ele, sua dor não é a maior do universo... Não ignore tb.. Reaja... Mas cuidado com os excessos...

Ah! Uma dica importante... Algumas pessoas vão se aproximar de vc por conta dos seus dezepoucos anos... Mas depois tb vão se aproximar por estar com os 40... E vão se aproximar pk vc ocupa um cargo, ou veste um uniforme, tem um corpo.. Vão se aproximar pelos mais diversos motivos e isso é natural... Pelo menos me parece.. Ai vai muito do que vc quer...Se for só pra sua foda tah ótimo, se for pra manter as chances de dar certo diminuem, mas pode ser que de... Sempre pode ser que sim.. Ou que não.. Enfim.. Sem noia.. Por dinheiro, por idade, por roupa, ou pelo seu gosto pelo Fernando Pessoas.. As pessoas vão se interessar por algo em vc e não por vc como um todo e sua subjetividade e blá bla blá.. Isso ai vem depois.. Daí as vezes mantem.. E as vezes separa... Tudo isso é normal, Lindo!!!

Agora vem aqui, querido.. Chegue perto... Olhe dentro dos meus olhos... E preste muita atenção... (mais um gole)

Entenda que.. Um minuto (vira a jarra num grande gole)... Entenda que o mundo gay é um baile de máscara e vc precisa saber o que é de verdade, o que é de mentira e valorizar corretamente cada uma delas.. Veja bem... O "de mentira” não precisa ser desconsiderado, apenas valorizado na medida correta.... Perceba... As boates por exemplos... Sim, sim.. Elas são ocas e isso n significa que tenha de deixar de usufruí-las... Vá sim, nada mais básico do que o supérfluo.... Só entenda que aquilo acaba com o sol e se vc for.. sei lá.. duas vezes na semana, elas só vão estar em umas 10 horas das 168 que tem a sua semana. Outra verdade é que a vida não é um conto erótico... Não se encontra tantos 22cms qto vc lê na net e qdo encontrar não vai ser legal se ele meter de vez, a seco, sem dó... Não acredite no mito de que o “homem hetero” necessariamente é melhor de cama.. Tolice... Eles querem te convencer disso, mas é bobagem... Em todo caso se permita viver a fantasia... Se ele quer ser o macho alpha, caso deseje seja a fêmea beta.. Sem culpa, meu anjo.. Sem culpa... Finja engasgar se isso te der mais tesão, bata na cara dele se vc achar que vale naquele momento, meta sem dó se o momento pedir... Mas não se esqueça que futebol é um saco e dar uma mamada nele enqto bebe uma breja e assiste o jogo pode parecer legal, mas pode não ser o máximo se for todo domingo.. Afinidades... Afinidade são importante.... Não se esqueça que o mundo hetero costuma ser um saco com homens infantis, piadas péssimas e ele já não foi uma opção pra vc antes...

 Respeite quem passar por vc e não se permita o desrespeito sob nenhuma circunstancia.. Nem qdo vc for a merendinha, nem qdo vc for o banquete.... Saiba ser os dois... Sim, sim, sim.. É importante saber ser os dois... Merendinha e banquete....

É isso, acho que da pra termos aki um bom começo...



24.1.23

Perdón que te salPique

 

Começo de um Sonho

Aí o amor...

Vamos da fofoca que tá roubando a  atenção do mundo.. A música que Shakira fez pra rachar a cara de Pique. Eu confesso que tenho acompanhando essa fofoca muito de longe desde que o divorcio rolou. Pq eu tô numa idade que ainda gosto de fofoca, mas a fofoca tem que ser simples, ficou muito complexo eu já vou cansando. Família Poncio, por exemplo, eu corro. Toda vez que surge algo eu coço a cabeça e penso "essa é quem mesmo? A traída, a nora, a criança, a sogra pastora".. Ai eu não tenho força de ir pro google procurar e desisto.

Eles tinham separados numa separação tumultuada... Rumores de traição, uma briga por causa de um avião de 100 milhões, os Gramys de Shakira no escritório de Pique que ele não queria devolver, uma confusão em torno da mudança das crianças de país e etc .. Mas a conversa subiu três degraus quando Shakira lançou a música "BZRP (Musica sessions 53)" - Que vamos combinar com um título desses, vai ser eternamente a música do Pique - Na canção a diva colombiana taca titica no ventilador e fala da traição dele inclusive com referencias ao nome da moça.

Recentemente Shakira teria confirmado que houve traição e em um vídeo dele em casa de 2021 a amante passa no fundo, num período que Shakira estava em viagem. Reza a lenda ainda que quando Shakira retornou de viagem deu por falta de uma geleia de morango na geladeira, iguaria que ela ama e o marido não come. Eu confesso que fiquei de cara que Shakira deu por falta da geleia, várias amigas disseram que também dariam e eu respondi para todas: Por que você é pobre, você sente falta até de 0,50 ctvs que tava na bolsinha na hora de pagar a passagem, mas pra mim Shakira nem ia na cozinha, ela pedia pra empregada que servia a geleia numa taça carérrima.... Mas nossa eterna diva da copa sacou. Os outros compositores da música declararam que a letra original que ela escreveu era muito pior, que inclusive ela fala de uma IST que pegou... Baixaria mesmo...

Inclusive lembrei desse clássico



Assim gente, Shakira tá vivendo esse divorcio com toda sua latinidade, a verdade é essa, me lembrou muita a separação de Joelma e Chimbinha com Joelma chorando nos palcos do Brasil dizendo que a lua não trai, quem trai é o homem. Shakira, que tem sua casa do lado da casa da sogra, pendurou numa sacada uma bruxa pro lado da casa da velha, aumentou os muros e deixou 24 horas a música tocando no último volume. Na Europa nem deve ter lei pra esse tipo de importunação por que eles nem sabem o que é isso.. A amante falou que ficou abalada com a música... A mulher entrou na casa de Shakira, comeu a geleia de Shakira, sentou no marido de Shakira e tá se doendo com isso.. Alguém tem que contar pra ela que do lado de cá do atlântico o povo raspa cabeça.

Pique tá sendo um escroto, na música Shakira fala que ele trocou um Rolex por um Cassio e uma Ferrari por um Twingo... Ele já esteve em dois eventos públicos com ambos os produtos. Tão mais bonito se desculpar, né? mas a gente sabe que hoje o mais importante na vida é dominar a narrativa na internet e ele precisa falar com o fandom machista dele de fãs de jogadores de futebol... é o que ele tá fazendo.

Honestamente eu não quero culpar Shakira por nada, acho até que tá bem certa em descontar o sofrimento  em sua arte, não só por que ela transforma um limão numa limonada ganhando uma grana com isso, mas por que é o que um artista faz de melhor, grandes álbuns nasceram de desilusões amorosas e acho que é o que vai rolar aqui, não é a primeira música que ela lança pra ele e é possível que faça um álbum inteiro. A música era pra ser só colaboração num trabalho e foi parar no top 10 da billboard, feito que Shakira não fazia desde beautiful liar que gravou com Beyonce em 2006. A diva disse que não acreditava que chegaria de novo a isso com 45 anos, numa indústria extremamente estarista, sobretudo com mulher. Então se gravar um álbum inteiro, tá é certa! Só torço pra que ela ao sair disso não se disponibilize a estar novamente numa relação com tantos sinais de que vai dar merda. Pique só está reagindo como a gente pode esperar de um homem que está no arquétipo dele. Se você vai se envolver com um jovem jogador de futebol branco europeu (rico e padrão) e você é uma mulher latina, saiba que existem uma relação abusiva e ancestral em muitos níveis nessa história. Esse pampeiro todo por que esse homem traiu (e sim, eles em geral são absolutamente ciumentos e infiéis) mostra o quanto ela achou que aquele homem era maior do que todos os símbolos que ele carrega e isso é tão incomum quando esses símbolos são vinculados a privilégios que dá até pra dizer que é praticamente impossível. Ele tem tudo a favor da possibilidade de viver sua liberdade sexual como quiser e ter uma parideira em casa para cuidar dos seus filhos, a estrutura coopera tanto nesse sentido que se quer se preocupou da quantidade de furos que a presença de uma amante em casa pode ter. Inclusive há boatos de que ele já traiu a amante (que virou atual) e quem esperava alguma coisa diferente disso? Então torço pra que ela repense sobre suas escolhas, ganhe debate, entenda seu lugar no mundo, não caia mais na esparrela do príncipe europeu e nunca mais coloque seus gramys em outro escritório que não seja o seu.  Uma loba como tu já tá na terra tempo suficiente pra saber onde pisa, porque se uma situação te engana uma vez a culpa é dela, se te engana duas a culpa é sua.

Deu tudo errado