28.12.22

Crise da Fazenda

 


Há quem tente sustentar uma narrativa que o grande erro da fazenda 2022 tenha sido levar para edição Deolane Bezerra. Eu acho uma visão curta que não considera a decadência que o programa tem caído com o passar dos anos.

O programa de maior sucesso do gênero no Brasil é o BBB que teve sua primeira edição em 2002, nas ocasião em que a Globo anunciou que tinha comprado o formato (que já era um sucesso em vários países), Silvio Santos  meses antes estreou a Casa dos Artistas, que funcionava de forma similar, porém com famosos. O reality foi um estrondo, mas não sobreviveu muito tempo com as constantes interferências de Silvio Santos  que colocava e mantinha participantes da casa ao seu bel prazer. A vitória de Rafael Vanucci no final da segunda temporada, que tinha 3% da preferência do público contra figuras absolutamente queridas  como Joana Prado (Feiticeira), André Gonçalves, Ellen Roche e Suzane Alves (Tiazinha) foi uma das maiores zebras em reality show que eu já vi na minha vida. 




O formato com famosos deixou uma lacuna que foi preenchida pela record com A Fazenda na sua primeira edição em 2009, trazendo novamente famosos confinados. Na primeira edição ela trouxe nomes com Dado Dolabella (o vencedor), Danni Carlos, Babi Xavier e outros famosos.  Durante muitas edições eles levaram pessoas realmente famosas como o cantor Tico Santa Cruz, Monique Evans, Gretchen, Nicole Balls, Viviane Araujo, Nany People, João Kleber, Sérgio Malandro, Compadre Washigton e tantos outros. 

O programa sempre estimulou de forma muito eficiente o desentendimento entre os participantes, a fazenda sempre teve MUITO BARRACO, mas o que levou ela a virar uma grande piada e começar a perder força foi investir menos em famosos. A11ª edição, por exemplo, a pessoa mais famosa que fazia parte era Andréa de Nobrega, ex mulher do apresentador Carlos Alberto de Nobrega. Ex BBBs, Ex de férias com ex, vice Miss Bumbum, parente de famosos e muitos participantes praticamente desconhecidos foram levando  A Fazenda pro anedotário. 

A sexta edição talvez tenha sido a última edição icônica, com participantes que rendem memes na internet até hj como Andressa Urach, Rita Cadilack, Lu Eschivano e Denise Rocha. Essa edição também a baixaria tinha chegado a níveis inéditos, até aquele momento. A bem da verdade é que olhando de hj, tudo aquilo parece quase que inocente perto do que viria depois,  todavia foi nessa edição, por exemplo que Andressa Urachi falou ao vivo que não torcia pra nem Denise Rocha nem para Bárbara Evans permanecer na casa por que uma "só come e caga" e outra tava usando pomada ginecológica pra fungo na vagina sendo um péssimo exemplo pro Brasil. Também foi nessa edição a imortal briga de cuspe entre o modelo Matheus Verdelho e Andressa Urachi. 


Inesquecível em mim

Após essa edição o reality passou a somar queda de audiência ano após ano, muito pelo casting/edição e muito pelo próprio desgaste do formato, mas a bem da verdade é que comparado com gastos em produtos como séries e telenovelas o reality show é um produto barato e que não só gera audiência para o horário, mas para outros programas da emissora quando recebem ex participantes. Logo, vale a pena a atração mesmo com audiências não tão altas.

Uma prova que o desgaste estava no formato são os baixos índices de audiência do próprio BBB, que só foi recuperar o fôlego em 2020 com o advento da pandemia. naquele ano todos os olhos se voltaram para casa mais vigiada do Brasil. O BBB quase foi interrompido no meio, mas a edição optou por manter e trancados em casa, se vendo obrigados a usar máscaras, milhares de Brasileiros acompanhavam festas  e pessoas se abraçando naquele universo paralelo. A fazenda também apostou no momento e fez um grande investimento para edição de 2020, levou pra casa Jojô Toddyinho.



A edição foi um sucesso muito agarrada no carisma da vencedora. Na casa uma das participantes, Raíssa, tinha episódios de surto em função de transtorno de humor, o que gerou bastante crítica, mas Jojô realmente segurou a edição. No ano seguinte mesmo com o hype do ano anterior a record apela novamente e faz questões de saúde mental e até criminais de entretenimento. Nego do Borel na ocasião sofria um processo por estupro por parte da sua ex namorada, entra na casa e sai expulso por assediar sexualmente uma mulher bêbada em rede nacional. As brigas eram intermináveis, os participantes usavam de toda opressão possível como munição nas discussões.. Houve etarismo, racismo, machismo, xenofobia e o diabo. 

Em 2021 a grande aposta era a influencer Delonane Bezerra, ela ficou famosa após seu namorado, um cantor de funk em ascensão se matar, se jogando da sacada de um hotel da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Deolane manteve seu nome na mídia muito em torno de polêmicas defendendo pautas progressistas. Era queridinha do público, mas a edição foi puro Chernobil. Do lado de dentro os enfrentamentos eram repletos de violência e ameaças, do lado de fora a família de Deolane seguia na mesma linha com as famílias de outros participantes. A edição perdeu muita audiência, era comum ouvir até de comentaristas a frase "só estou vendo a fazenda pelas páginas de fofoca", ninguém mais via o programa. A Fazenda enfrenta uma crise similar a que o BBB tbm teve em 2022, a manipulação narrativa do lado de fora estava sendo mais bem sucedida que a edição. Foi dessa forma que Mayara Cardi fez de Arthur Aguiar Campeão mesmo com baixíssima popularidade. Atualmente Arthur, menos de um ano depois de vencer a edição só aparece na mídia sendo comentado como ele, diferente de outros participantes, não é convidado pra absolutamente nada. Porém durante o programa Mayra, a frente da torcida de Arhur, definia semanalmente quem seria eliminado, num jogo de cartas marcadas. 

A Fazenda era um solo muito fértil pro mesmo movimento, primeiro por que sim, há uma nova era em que esses programas precisam aprender a domar a internet, segundo por que a bagunça do programa, a falta de clareza e a clara manipulação facilita para que participantes e familiares encontrem na falha da emissora liberdade pra poder se empoderar e foi assim que aconteceu. Dentro da casa Deolane e seu grupo batem de frente com a produção do programa, do lado de fora as movimentações da família culminam nas irmãs de Deolane na porta da emissora, levando uma multidão de pessoas, disposta a tirar a irmã de dentro. O resultado disso foi uma edição com dois participantes expulsos, dois sendo retirados da casa pelas família e a pior audiência de todas as edições. A vencedora da temporada que terminou agora em dezembro, tem menos de dois milhões de seguidores em redes sociais. Isso é quase a mesma coisa do que o primeiro eliminado do BBB 22, isso por que ela é atriz e já foi paquita, ele era apenas anônimo. No fim do programa Adriane Galisteu fala que para quem duvidou a próxima edição estava renovada. A comemoração traz consigo uma mensagem implícita muito clara: A manutenção do programa era digna de dúvidas, tamanho  fracasso da edição.

Fica no ar a pergunta: Até quando, Galisteu?



27.12.22

Gkay: Até Quando?

 


Honestamente... Um mundo que existe Gkay é um mundo em caos. Eu sou de uma época (odeio essa expressão) que o ícone da futilidade era a figura do ex BBB. O cara que chega na fama sem nada, ele só é famoso, alguém que tá em evidência, sem isso acontecer como consequência de um trabalho ou de um talento e isso parecia bastante impressionante e inusitado nos anos 2000, mas o mundo não perdia por esperar.

Ainda nessa vibe de reality surgiu ex coisa muito pior.. Tipo "ex a fazenda" ou  "ex de férias com o ex".. O BBB em 23 edições ganhou status de clássico, um produto sério num nicho que nada parece tão sério assim... Mas aí, pior do que "ex qq reality" vieram os influencers. Uma galera que consegue arrebatar milhões de seguidores, muitas vezes por não fazer nada. Até existe pessoas que estão dentro de um nicho tipo culinária, moda, maquiagem, que ok! Começaram  ter seguidores a partir da visualização de tutoriais ou qualquer destaque, mas tem gente que se destaca basicamente por mostrar a vida ou no caso de Gkay, por fazer vídeo de humor duvidoso.

O grande feito a influencer foi "A Farofa da Gkay", basicamente é uma festa voltada pra influencers em que ela foi muito visionária em nadar de braçada no gênero "festa istagramável". A expressão instagramavel é usada para lugares que tem como estratégia criar espaços para fotos que vão ter boa saída em redes sociais (sobretudo instagram). Existe uma série de alternativas pra isso, Gkay fez uma festa fechada pra famosos na internet, com presença cativa de blogueiros de páginas de fofoca com milhões de seguidores que durantes fazem da festa notícia. Reza a lenda que o valor das famosas publis dos influencer durante a farofa chega a quintuplicar.  

Além da vibes Instagramável Gkay freta avião, fecha hotel, cria todo um burburinho midiático quanto aos convidados da farofa e catalisa para seu evento boa parte da atenção da mídia. nesse ano ela teve o evento transmitido pela focker multishow. A Farofa é um sucesso, sobre tudo pras novas gerações, eu pessoalmente confesso que acho mais interessante as notícias dos preparativos da farofa do que da farofa em si.. Que basicamente é "A beijou B", "que beijou C", "que beijou D"... Acho bem "grandes merdas".

É bem verdade que a moça acaba carregando o peso de ser ícone de toda essa onda influencer vazia. Pq é importante destacar que influencers como Felipe Neto, Jout Jout ou Maria Boop ue usam sua fama pra somar de alguma forma não vão a farofa... A coisa é de Tirulipa Junior pra baixo! Daí Gkay vira meio que a encarnação de um movimento, além de ser uma mulher a frente de um espaço em que pessoas exercem sua liberdade sexual, há muito sexismo no hate a Gkay. 

Só que não dá pra negar que ela também não se ajuda! Gkay volta e meia dá uma bola fora (típico de quem chega na fama num estalar de dedo).  Durante a pandemia levou um monte de ex BBB pra sua casa pra fazer dancinha, volta e meia dá uma declaração cagada... Só esse ano a influencer foi no programa da Tatá Werneck e deu uma entrevista constrangedora de ruim, uma tentativa desesperada de ser engraçada que fracassou miseravelmente (vide a foto de ilustração do post).  Tbm gravou um especial para netflix que foi um fracasso de crítica e público além de inúmeras falas de que ela é super grosseira com as pessoas com quem trabalha e por fim deu um chilique com Fábio Porchat que fez piada com a entrevista dela na Tatá durante os melhores do ano (aliás ele, o Paulo Viera e a Própria Tatá fizeram piadas). Gkay apelou e o Fábio hoje respondeu dando uma voadora que olha... Coitada!

Eu não vou entrar de forma rasa numa conversa mega complexa que é a cultura do cancelamento na internet, ou mesmo próprio hate, não é um assunto mole, fato é que eu não sou favorável a linchamentos virtuais, mas também não dá pra esquecer que ano passado usando oportunamente de sua fama Gkay tava pedindo aos seguimores pix por que ficou endividada pós Farofa, no ano seguinte ela estava fretando um avião pro mesmo evento, então eu acho que é sempre bem vindo a reflexão sobre pra quem a gente tá dando audiência.



Voltei (pela vez de número 1477 do malote 18)

 É isso!

Eu nem sei mais o que dizer! Escrevi esse blog gloriosamente entre os anos de 2009 e 2014.. Sempre amei escrever e sempre gostei da leveza e informalidade de escrever um blog. Durante esses anos qualquer evento que acontecia na minha vida eu tinha uma necessidade visceral de correr aqui e dividir com os meus seguimores (quando nem existia a expressão seguimores, quando não existia blogueirinha).  A blogosfera era um espaço legal de gente muito legal que eu adorava ler e ser lido. Tudo isso passou, o modelo blog caiu em desuso e eu nunca mais consegui manter o hábito, talvez exatamente pelo fim da blogosfera, pela falta de reforço dos comentários. Ninguém mais quer lê nada, textão caiu em desuso e os amigos blogueiros todos pararam de escrever. Sempre que volto aqui vejo tanta poeira que sinto minha rinite atacada. Há sempre comentários de gente totalmente aleatória que acha textos antigos meus no google (quase sempre os mesmos) e uma lista de blogs que indico sem nenhuma atualização e nenhum engajamento. Acho que de alguma forma eu insisto por que pra mim escrever é catarse e aparentemente ter um leitor é secundário (APARENTEMENTE MESMO, NÃO TENHO CERTEZA DESSA INFORMAÇÃO).  Fato é que pensando em termos de diário esse blog sempre foi uma excelente válvula, volta e meia me lembro de coisas que escrevi, procuro textos antigos para enviar pra amigos  e dizer "olha como eu pensava em 2010, 2011, 2013..." Gostaria de ter registros do hoje em 2033 e gostaria de me manter motivado. Voltar a escrever blog é uma coisa parecida com voltar a academia. Você precisa pegar no tranco, quando a coisa engata vai (inclusive precisava pegar nos dois trancos, já faltei a academia hoje).

Todas as vezes que tentei voltar (eu falo todas pra trazer uma carga dramática, mas foram duas) eu pensei, refleti, considerei estratégias, dialoguei com meu marido... Enfim, parecia que eu estava escolhendo onde investir milhões. Dessa vez eu estava mexendo no celular, vi algo que lembrei do blog e pensei "porque não?".  Tenho expectativas positivas com coisas que começam repentinamente numa terça feira nublada de verão.  Vai que agora engate? Vem o Oscar aí, BBB, Rupaul.. Coisas que eu gosto de falar sobre, meu tempo tá um pouco mais possível, acho que dá pra tentar. 

Pra você que não tá lendo ou pra mim mesmo em 2033.. Seja bem retornado!


Uma Nova Mulher




19.8.20

Analisando as Delícias!

 Hey que na minha última publicação eu retomei a tag delicias da vida a dois em que falo sobre situações inusitadas da vida de casal. O último post que havia escrito sobre isso foi em dezembro de 2014, quando tínhamos 03 anos de casados, o primeiro foi em setembro de 2011, quando tínhamos aproximadamente um mês. Da última postagem pra cá um hiato de seis anos. Durante 3 anos narrei 26 situações engraçadas e inusitadas e depois de ter feito esse último post resolvi reler cada uma delas. Muitas, naturalmente eu não lembrava, outras lembrava perfeitamente. Foi uma delícia rir de novo, tudo isso hoje, quando completamos 09 anos em baixo do mesmo tempo.

O que eu tenho a dizer sobre esses nove anos é que tanto tempo de casamento você constrói muita coisa do lado de alguém, na verdade você constrói uma relação. Por que não vem pronto, nós sempre fomos muito diferentes e a cada ano que passa as diferenças vão dando lugar a uma série de afinidades, as distâncias vão diminuindo quando abre-se um leque de vivencias em parcerias... Foram viagens, filmes, encontros, festas, tragédias, sofrimentos, comemorações, 09 anos de história em conjunto que passam a disputar lugar com as diferenças.

Olhando os posts antigos eu reencontro diversas situações que hoje não aconteceriam por que estamos em outro lugar nesse casamento, mas ainda sim consigo encontrar a personalidade dele e a minha, lá no mês 01, super presente ainda hoje. Curiosamente no aniversário de 09 anos eu retornei com a tag e isso não foi proposital, talvez tenha sido só uma sinalização do destino querendo deixar em letras garrafais para mim que o melhor desa relação permanece intacto... O bom humor. 

Se eu pudesse dar uma única dica para desejosos de uma relação sólida e prospera eu diria: Case-se com um homem que te faça rir, da mesma forma que o calopsita sempre soube me fazer. 


Exagerei na "idosisse" da ilustração, mas vamos encarar isso como uma profecia! Amém!



Delícias da Vida a Dois XXVII - Sou estranho e ofereço doces

 Aí que saudades de escrever esse "quadro"...


Marido ia sair de casa para vir no centro basicamente comprar um mamão desidratado com limão e maracujá que vende numa loja de grão perto do meu trampo e o apresentei há umas semanas atrás e ir nas americanas comprar bala finy (V-I-C-I-A-D-O define). Estou desde cedo falando que não tem cabimento ele gastar de uber pra vir, muito menos vim ao centro no meio da pandemia para comprar um mamão quando eu posso faze-lo, mas daí ele insiste que ele também quer vir nas Americanas. Num dado momento, no meio da tarde, eu consigo dar uma fugida do trabalho e mando uma msg:

 

H - Amor, você vem?

M - Não sei, estou com um pouco de preguiça, tô participando de uma reunião on line também. Estou pensando que de repente dá pra ir nas Americanas do Shooping quando você chegar!

H - Beleza, eu compro o mamão aqui pra você, chegando em casa tomo um banho, mudo de roupa, pego o carro e a gente vai no shopping pra você comprar as suas balas.

M - Você falou igual uma atendente virtual, senti ironia aí... Fala logo!

H - Oi?! Muito difícil te agradar, hein.

M - Ahan, sei!

 

 


26.7.20

Legendary




Legendary é um reality show produzido pela HBO que estreou dia 27/05 na HBO Max e teve sua temporada finalizada em 09/07/2020. No programa 08 casas da comunidade Ballroom americana disputam um premio de cem mil dólares. A disputa ocorre através de apresentações artísticas, principalmente de Vogue. Talvez você tenha lido todo esse parágrafo e não entendido nada. Então vou explicar mais um pouco.

A cultura Ballroom  surge na década de 60 como um espaço de refugio para comunidade negra e latina LGBT+ em NY e se espalha para todo mundo. Essa cultura tinha como base bailes onde "casas" disputavam troféus em categorias de dança. Essas casas eram compostas pela figura de uma LGBT mais velha que "adotava" LGBTs mais novos, formando famílias que disputavam nos bailes com danças no estilo vogue. Coloquei entre aspas por que as adoções não eram legais, mas de fato havia uma dinâmica familiar para além das disputas nos bailes. O Vogue é uma dança com passos geométricos inspirados nas poses das modelos da revista vogue. O estilo, bem como os bailes, alcançou o seu ápice no final da década de 80 e ganhou muita notoriedade quando Madonna lançou a música Vogue. Anos depois Rupaul surge como um produto midiático internacional e também tem sua base nos bailes. Vocês consegue entender muito sobre a cena Ballroom assistido a série Pose da FX, que já tem duas temporadas disponíveis e uma terceira renovada  (a primeira temporada está no catalogo da netflix). 

O programa conta com um mestre de cerimônias, 04 jurados fixos e alguns convidados eventuais. Vamos conhece-los um pouco mais:


Dashaun Wesley - O Mestre de Cerimônia
(gostoso da porra)


 
Jameela Jamil - Jurada
Atriz e meio que a líder dos jurados



Megan Thee Satllion... A Rapper do rolê!




Leiomy Maldonado
Dançarina, modelo, ativista 
A única representante dos bailes entre os jurados



Law Roch
Estilista

Law Roach é o Simon Cowell do programa, não no sentido de ser dono, mas no sentido de fazer comentários abusivos para ser vendido pelo programa como entretenimento (sim, se eu negasse estaria mentindo, nem tudo são flores). Durante toda temporada eu podia jurar que Jameela era a dona do programa, basicamente por que ela era sempre a porta voz dos jurados e parecia ser aquela que bate o martelo, mas ela mesma já disse nas redes sociais que caso não tenha ficado claro na primeira temporada, o programa precisa se esforçar para que o público entenda que a estrela da atração é Leiomy Maldonado. 

Após muitas críticas por assumir o lugar de destaque num programa sobre a comunidade LGBT sem ser LGBT Jameela se assumiu uma pessoa queer, mas relata que não foi um processo fácil, seja por sua origem ou por hoje ter receio de soar oportunista. Jameela é inglesa, mas filha de pai indiano e mãe paquistanesa. A modelo não é mulçumana, mas foi criada na religião. É importante destacar também que Jameela é a única jurada que também assina a produção do programa, o que torna seu destaque muito orgânico.

Já Leiomy, além de ser a única representante dos bailes também é a única mulher trans e com todo um histórico de  ativismo. Daí a percepção de que ela precisa estar em um lugar de destaque, por representatividade. 

Na disputa pelo prêmio oito casas concorriam. São elas:

Casa Escada

Casa Lanvin

Casa Ninja

Casa Guucci


Casa Ebony

Casa West

Casa St Laurent

Casa Balmain


Nessa caminhada é até difícil falar em destaques sem ser injusto, mas não posso deixar de dizer que Jazzul Escada ganhou toda uma rede de fãs no Brasil e sim, ele é um gostoso,,, 

Jazzul Escada

Precisamos dizer q mãe Lanvin é uma rainha, com uma história de vida absurda e que ganhando ou não ganhando a temporada ela deixa um legado e seu rosto jamais vai ser esquecido.

Eyricka Lanvin

E que você pode até me julgar por pagar pau pro pai Gucci por que ele é bem padrãozinho, agora vê se dá pra poder passar batido a isso:

Jarrel Gucci

Ah.. Sim.. Dá pra passar batido! Beleza, vazou um nude dele, passa batido por isso

Em suma é isso, se vocês quiserem saber um pouco mais sobre minha opinião sobre legendary vocês podem ver o vídeo que eu fiz para o meu IGTV aqui. 





24.7.20

Curta Essa com Zac Efron





"Curta Essa com Zac Efron" é uma série documental, original netflix, que foi disponibilizada pela plataforma no dia 10/07/2020. Em cada um dos episódios Zac viaja para um lugar do mundo em busca de maneiras saudáveis e sustentáveis para sobreviver. A série é apresentada também por Darien Olien que é identificado como "o guru dos super alimentos".

Zac Efron e Dalien Olien nas gravações na Islândia.


A maioria dos sites que li a respeito trata como uma série sobre viagens, trata Zac como um galã, destaca sua mudança física "menos definido e mais barbudo" etc etc etc... A série é sobretudo um debate quanto ao padrão de vida ocidental (bastante focado no americano, mas que influência todo o ocidente). Junto com os debates ambientais também vem um debate social, Zac denuncia a qualidade de vida sob uma perspectiva americanizada e sobre como ele entendeu a importância de trazer outro significado para sua fama. As avaliações dos sites que destacam o físico do ator, o aspecto "aventureiro' do documentário e as 'comidas exóticas" que Zac come pelo caminho mostra o quanto o debate é pertinente. 

No último episódio um acontecimento climático acaba por atravessar as gravações e isso o torna ainda mais emocionante e pertinente. O documentário vem em 2020 (outro degrau na escada da pertinência) e a resposta da mídia nos aponta do quanto ainda precisamos caminhar. 

Se você quiser saber um pouco mais da minha percepção sobre a série só ver o vídeo que fiz para o meu IGTV através desse link. 

23.7.20

Autoindulgência



Tendência da pessoa que busca desculpar os próprios erros ou de aceitar com facilidade os próprios defeitos; autocomplacência. Complacência, condescendência, tolerância e indulgência consigo próprio.




O ano é 2020, o país é Brasil e a condição é negro e gay. Tem uma horda de opositores que vão detectar no início do meu texto vitimismo, por esse motivo vou aproveitar a vibes dicionário e trazer mais duas definições.

Vitimismo

Sentimento de ser vítima; sensação de quem está ou foi sujeito a opressão, maus-tratos, arbitrariedades, discriminação etc.

Consciência de Classe

Consciência de classe é um termo usado nas ciências sociais e na teoria política, especialmente no âmbito do marxismo, para designar as crenças e atitudes de uma pessoa a respeito de sua classe social ou condição econômica, inclusive quanto aos interesses e à estrutura de sua classe social.

Existe uma diferença grande entre criar pra si narrativas em que você é vítima e ter uma percepção clara das opressões que você de fato sofre e pasme, meu bem! Existem situações em que de fato somos vítimas.

Você pode até achar que minorias oprimidas brigam em prol de ter privilégios e eu vou te achar um babaca por isso, mas te acharei um babaca que está embebedecido de um discurso que ganhou muito força com a ascensão do bolsonarismo. O que você não pode negar (por que isso faria de você um babaca cego) é  que com a intenção de combater um processo ideológico que na visão bolsonarista estava em curso, o presidente (e todo seu grupo) ascendeu ideologicamente uma espécie de caça as bruxas de qualquer fagulha de discurso de empoderamento feminino, negro ou LGBT e que isso fez com que esses grupos se t ornassem ainda mais vulneráveis.

O que você também não pode negar é que as vulnerabilidades que esses grupos estão expostos ficaram ainda mais evidentes na pandemia.Há uma resseção financeira em curso e ela  vai respingar em todos nós, mas adivinha quem vai  estar mais sensível a este processo? Se os negros ocupam majoritariamente os sub empregos no Brasil, já podemos começar pensando sobre quem pode efetivamente estar em home office. A gerente do banco pode trabalhar em Home? Sim, ela pode, que ótimo! A faxineira  pode trabalhar em Home?? Não, ela não pode... Quantas gerentes de banco branca você já viu? Quantas negras?  E faxineiras.. Quantas negras? E quantas brancas? Tá aí.. Transparente como a água pra quem quiser deixar de ser babaca ver.

Quando Bolsonaro ganhou o primeiro turno o meu marido chorou e foi uma das poucas vezes em que eu não pude dizer "calma, vai ficar tudo bem... Nós vamos dar um jeito!", pq sinceramente eu não sabia se daríamos. Entre o primeiro e o segundo turno uma onda de violência passa a ocorrer para os opositores ao bolsonarismo. Um dia as mulheres encheram as praças e ruas com o #elenão, no outro a recomendação era que meninas evitassem andar com adesivo na rua. Na internet viralizava o vídeo do  metro de São Paulo abarrotado de homens gritando "Bolsonaro vai matar viado"... No segundo turno não houve nenhuma surpresa com sua vitória. o primeiro ano foi um festival de horrores. Bolsonaro leva consigo uma horda de deputados, senadores e governadores que até ontem tinham zero representação. A necropolítica vira a estratégia de um desgoverno do absurdo. Witzel orienta a polícia a mirar na cabecinha. O estado executa negros e pobres sob os aplausos de uma população sedentas por uma justiça que só tem lógica dentro da sua cabeça. Monta-se o coliseu e eu me sinto no meio da arena. No segundo ano vem o corona vírus e ele mantém a sua linha xucra e anticientificista... "A maior pandemia que o mundo já conheceu", "milhares de mortes", "dois meses sem ministro da saúde'.... "A saída de Mandeta vai implodir o governo", "a saída de Moro vai implodir o governo"... Nada vai implodir o governo, Bolsonaro gerou inimigos imaginários.. LGBTs, Esquerdistas, comunistas,, URSAL, Petralhas... Toda essa gente deve ser combatida e desfazer esse novelo requer tempo, nenhum evento por si só o fará. 

Em 2020 eu seguia com um emprego estável, de carteira assinada e diferente da maioria dos meus semelhantes, estou em home office. Porém se teve uma coisa que ficou TRANSPARENTE pra mim com o bolsonarismo é que quando você é parte de um grupo oprimido por muitas vezes o capital te faz crer que a ascensão financeira vai te blindar de uma série de opressões, mas essa blindagem é até a página 20. A minha empresa trabalhava mediante a um contrato que poderia ser renovado em agosto de 2020... Acho que nem preciso te dizer pra onde foi essa possibilidade, né? Como se colocar no mercado em meio a recessão? Onde eu jogo meu curriculum em setembro de 2020? 

Estou te contando isso tudo basicamente para dizer que eu tenho procurado ser produtivo na quarentena, fazer atividades físicas, me alimentar melhor, fazer cursos on line, ver filmes, séries , ler, etc, etc etc... Mas que também já tem mais ou menos um mês que eu não lavo o banheiro, pq estou meio de saco cheio e desmotivado pra fazer... Minha mesa de almoço virou uma versão bagunçada da minha mesa de trabalho (sorry, não tenho gavetas), minha casa está cheio de vazamentos que não estou preocupado em resolver e que quase nunca arrumo a minha cama... E sinceramente... Eu me entendo, me perdoo e me acolho. Meu banheiro tá parecendo o banheiro da Whitney Houston e se você me acha porco por isso, na boa.. Vai tomar no cu!




Strogonoff de Soja



Prático e rápido e barato... Receitinha de 20 minutos que você não vai se arrepender.

Quantidades para 01 ou 02 pessoas:

100 gramas de soja texturizada 
200ml de leite de coco
80 gramas de cogumelo em fatias (mais ou menos 1/3 do pacote)
4 dentes de alho
1/2 colher de sopa de de ketchup 
1/2 colher de sopa de mostarda
1/4 de de xícara de vinho branco

Se você tiver alguma dúvida sobre a receita pode perguntar nos comentários que eu respondo, para mais receitas , clica na tag receitinhas aqui em baixo. Para ver o vídeo ensinando passo a passo é só ir no meu IGTV através desse link aqui.

Sabor - 💓💓💓
Valor - $$

22.7.20

Em Nome De Deus





A série documental original Globo Play, conta a história do médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, que foi preso por cometer crimes sexuais. João de Deus recebeu mais de 350 denúncia de mulheres que o acusam de terem sido abusadas por ele em fases diferentes da sua trajetória enquanto espiritualista. 

A queda de João começa a partir de uma denúncia de uma mulher no programa "Entrevista com Bial" na rede Globo. Pedro Bial foi responsável pela criação do documentário e narra parte dele. A série foi montada em 18 meses e conta toda história em 06 episódios a partir da perspectiva da equipe jornalística que vai desvendando os fatos. 

A direção da série é assinada por Ricardo Calil e Mônica Almeida que também dirigiu a 1ª e 2ª temporada do "Conversa com Bial"

Se você quiser saber um pouco da minha opinião sobre a série, você pode ver o vídeo que fiz pro meu IGTV no instagram clicando aqui

21.7.20

Os Melhores do Yag

Daí que eu voltei com o meu blog após um longo e tortuoso inverno. No meu post de retorno comentei que uma das coisas que trouxe de volta pra esse espaço foi a quantidade de comentários que eu tinha aguardando moderação. Eram muitos, mas 95% deles em três posts que posso desde já avalia-los como as postagens mais bem sucedidas desse blog, tamanha a quantidade de pessoas que chegaram aqui através desse debate. Hoje revelarei para vocês em primeiríssima mão os posts mais badalos do Yag.



Esse post é de fevereiro de de 2012 e nele eu falo sobre uma praia que é um espaço de pegação gay no município de Rio das Ostras (onde eu morava na ocasião) e que fica num lugar meio ermo... Daí eu, numa crise de desocupação, resolvi fazer todo trajeto fotografando e publiquei. Confesso que não é tão difícil chegar como eu pinto aqui no blog, a intenção era dar uma exagerada pra gerar humor. De um jeito ou de outro ele virou uma referência, acho que toda gay que viaja pra RDO e quer fazer uma pegação, deve jogar alguma coisa no google pra ver se cata uma referência e cai aqui. O post tem oito anos e em todos esses anos tem sempre alguém fazendo algum comentário opinando sobre o espaço, ou contando como chegou lá. Eu fico absolutamente feliz que eu esteja ajudando as pessoas a fazerem sexo... A intenção era fazer humor, mas de um jeito ou de outro a gente tá é gerando alegria na vida dos outros. Fazem muito bem, se peguem mesmo, só procurem se prevenir e tomem cuidado com violência. A praia virgem não é um espaço friendly gay, seria isso se tivesse condições de segurança e acessibilidade, ela só é um lugar deserto inclusive tem um outro post meu falando sobre isso em 2014 por que encontraram o corpo de um homem decapitado lá. Quando fui morar em Rio das Ostras eu nunca ouvi falar sobre assaltos na praia virgem, quando fui embora já tinha ouvido várias histórias tanto nela quanto na praia da Joana que fica ao lado  (e é bem mais movimentada). Então curtam mesmo, mas tomem seus cuidados.

O segundo lugar vai para o post: Esclarecimentos sobre o Homem Carioca



Dos três é o que mais me surpreende pq foi bem aleatório, mas não deixa de ser uma denúncia... No post de 2011 eu falo sobre a instituição "Macho Ixcroto" carioca e toda masculinidade tóxica que tem nesse potinho. CHU-VA-DE-CO-MEN-TÁ-RI-OS de pessoas concordando e contando experiências ruins. Sinal de que deve fazer muito sentido o que falei por aqui.

E que rufem os tambores.....


O Terceiro lugar vai para: Tatuagem x Anticoagulante


Esse eu fico muito feliz com os comentários e orgulhoso do sucesso. Pra quem não sabe eu sou trombofílico e por esse motivo faço uso de anticoagulante, o que deixa meu sangue mais ralo e isso é um problema quando o assunto é tatuagem. Quando resolvi fazer as minhas (em 2016) procurei informações e relatos na internet de quem já pudesse ter feito e não encontrei absolutamente nada. Na ocasião cheguei a escrever que estava publicando para gerar tag, pq poderia ser útil para outras pessoas. O post tem 44 comentários com os mais diversos depoimentos e eu fico muito feliz de poder ter sido útil para as pessoas por que eu experimentei a solidão de ser trombofílico e querer me tatuar. Pode parecer fútil para quem ta lendo, mas tatuagem é uma expressão de identidade, não era fútil pra mim e esse post mostrou que não é fútil pra muita gente.

Bem, nem de longe os mais badalados são meus textos favoritos, todos esses anos afastados, volta e meia eu voltava para ler algo que eu tinha escrito há muito tempo e ainda dizia tanto de mim,  mas isso já é outra história. Qualquer hora dessa faço um post com a seleção dos posts que mais fazem sentido pra mim. 

Ligue Djá: O Lendário Walter Mercado



Ligue Djá é o documentário original netflix, liberado pela plataforma em 08/07/2020 sobre a vida do ícone pop latino americano Walter Mercado. Walter é um exotérico que fez muita fama na América latina  e desapareceu no auge do seu sucesso. No Brasil ele ficou conhecido quando fez um serviço de call center com consultas astrológicas e no comercial na televisão ele falava o famoso bordão "Ligue Djá"



O documentário tem 96 minutos e foi dirigido por Kareem Tabsch e Cristina Costantitni. Ele conta de toda vida do Walter, sobre a forma que a fama aconteceu, o que levou ele a se afastar dos holofotes e os bastidores de uma homenagem feita a ele em 2019.

Se você quer saber um pouco mais da minha opinião sobre o documentário basta clicar nesse link aqui e assistir o vídeo que fiz sobre o tema no IGTV.







19.7.20

Quiche Vegano de Espinafre e Alho Poró

 

Dizem que a primeira receita publicada a gente nunca esquece... Espero que sim!

Vou publicar aqui no blog os ingredientes e se você quiser saber como faz dá um pulo lá no instagram para conferir a receita neste link aqui:

Para a Massa:

2 xícaras e meia de Farinha de Aveia
1/2 xícara de Azeite e óleo de Coco (metade de cada)
1/3 de xícara de água
sal a gosto

Para o Recheio:

1/2 maço de espinafre
1/2 Alho Poró
5 dentes de alho
1 xícara de aipim cozido
1/2 xícara de água
1 colher de chá de polvilho azedo
1 colher de chá de suco de limão
1 colher de chá de vinagre de maçã
Noz moscada, alho em pó, pimenta do reino branca e sal a gosto. 

Se você tiver alguma dúvida sobre  receita é só colocar aí em baixo que eu respondo. 
Fica ligado no blog e/ou insta que eu vou estar sempre postando receitas veganas

Sabor - 💓💓💓
Valor - $$$

Sandy Junior: A História





"Sandy Junior: A História" é a série documental da globo play que conta a trajetória dos irmãos Sandy e Junior desde o início das suas carreiras nas suas infâncias (e na minha também), passando pelas suas carreiras solos, até os bastidores da turnê "come back" 'Nossa História" em 2019 que foi a segunda turnê mais cara do mundo, abaixo apenas de Elton Jhon naquele ano.

A série conta com 07 capítulos com aproximadamente 60 minutos e foi dirigida por Douglas Avillar que era colega deles de elenco na série Sandy e Junior da rede globo e é amigo pessoal da dupla.

Era esse boy aí...


Jesus tocou


Junto com o documentário que foi disponibilizado em 10 de julho a globo disponibilizou na globo play "Estrela Guia" novela protagonizada por Sandy em 2001 e no dia 17 liberou a gravação do Show da turnê "Nossa História" em São Paulo. 

Se você quiser saber um pouco mais sobre minha opinião quanto a série você pode ver o vídeo com a resenha que fiz no meu instagram clicando aqui.

Um Vegano em construção



Talvez sejam as muitas vozes que tem me chamado para causa, talvez sejam as questões ambientais que o corona vírus me fizeram refletir, talvez seja a minha percepção de que preciso ter uma outra relação com a minha alimentação, talvez seja um pouco disso tudo que tenha me trazido até aqui.

Eu não tenho exata lembrança de qual foi a primeira vez que ouvi falar sobre veganismo, mas até uma década atrás a gente sabia que existiam pessoas vegetarianas e que elas eram  excêntricas e distantes... Ser vegetariano soava tão excêntrico quanto ser um um beduíno ou um encantador de serpente. 


O tempo passou e essa realidade começou a ficar mais próxima, mais ou menos em 2014 recebi uma amiga vegana em casa e lembro dos meus amigos comentando que só era possível ser vegano em um grande centro, onde se tem acessos.

O veganismo continua parecendo ter uma intima e triste proximidade dos acessos, mas fato é  que com o passar do tempo vencemos com bastante força a barreira da informação. Temos dados o suficiente para saber que sim, é possível. 

As questões ecológicas gritam em 2020. Tenho a sensação (talvez um pouco arrogante), de que a pandemia bateu em mim de uma forma muito diferente do que bateu pra maioria das pessoas. Essa espécie de exílio da minha vida me colocou para refletir de forma muito poderosa sobre o momento que estamos vivendo. As grandes epidemias desse século todas vieram de vírus que mutaram de animais para seres humanos. Gripe aviária, gripe suína, corona vírus... Tudo isso diz da relação que andamos tendo com a natureza e com o consumo de animais.

Os defensores irão falar sobre cadeia alimentar e do quanto isso é natural e eu acho até razoável, a questão é que quando o leão come o alce na floresta ele não coloca ele trancado dentro de um espaço confinado, onde ele passa uma vida inteira comendo, engordando e sendo hormonizado até ser abatido. O leão também não obriga o alce a se reproduzir forçadamente e arranca seus filhotes para fazer uso do seu leite ou não faz sapato com o couro deles. O mundo tem 07 bilhões de pessoas e não dá pra pensar ele com a simplicidade de uma criança no jardim de infância. Nós não comemos apenas o bicho, nós torturamos eles, proporcionamos uma vida de merda em condições insalubres para ele e para quem trata dele.

No fim o buraco é muito mais em baixo, toda industria do consumo é complicada, o capital dilacera vidas humanas ou não. O que precisa ser revisto é um padrão de consumo desenfreado, não tem nenhum sentido eu deixar de comer boi para comer soja se eu também não debato sobre os hectares de floresta são queimados para plantar a soja. 

Em julho de 2020, trancado na minha casa, gostando de cozinhar, me sentido desafiado a isso, entendendo que preciso rever o meu cuidado com meu corpo eu resolvi tentar. A princípio estou fazendo vegetariana e tem sido bem tranquilo. A ideia é fazer completamente vegana a partir do mês que vem, mas já tenho evitado bastante para não ser um racha muito repentino. Sempre gostei de publicar coisas que cozinho no meu isnta e depois de colocar receitas veganas recebi de muitos amigos o pedido que filmasse as receitas. Estou topando o desafio e vou linkar ele ao blog... Até onde isso vai ainda não sei, mas se de tudo nada for, estar mergulhado nessa hype em 2020 é uma forma de sentir que estou fazendo algo por mim e pelo mundo que está a minha volta e isso por si só, já é um aconchego. 

Pra fechar vou deixar o vídeo de uma pegadinha muito curiosa que vi ontem e que pelo incrível que pareça conversa bastante com esse debate. Ivo Holanda também é cultura. 

Essa gente pensa que linguiça dá em árvore?

Querida, Cheguei!



Amados, eu voltei! 

Depois de muitas voltas e reviravoltas o filho pródigo volta pra casa. Eu escrevi o Yag entre os anos de 2009 e 2013, no Brasil da inocência, quando Bolsonaro era só um cara bizarro no super pop (embora de alguma forma ainda seja). Em 2014 comecei a perder o folego... 2016 tentei um retorno sem muito sucesso.

Não há um motivo pro fim, o blog começou por uma necessidade pungente que gritava dentro de mim de falar sobre o mundo no meu em torno. Havia uma demanda quase que terapêutica de escrever aqui, tudo que acontecia na minha vida eu já ficava na expectativa da hora que iria escrever, era uma espécie de "vou xingar muito no twitter" gourmet.  A blogosfera era uma puta hype, encontrar com outras pessoas que também compartilhavam dessa mesma necessidade, ler os colegas, opinar nas suas experiências, tudo isso era uma delícia.

A tentativa de retorno de 2016 e outras tentativas de blog depois sempre tropeçavam no fim da blogosfera... Sem leitores, sem estimulo. Blogueirinha virou outra coisa, a era de ouro dos blogs morreram. 

Porém sempre esteve acesa em mim a chama da comunicação e isso tem gritado com  força ultimamente.  Seja pelas muitas vozes que sempre me dizem que eu devo buscar um canal de comunicação por que me comunico de forma muito fluída, seja pelo meu próprio desejo de me comunicar ou ainda pela certeza que o sentido da vida está nos laços que construímos eu entendo a importância de me abrir para comunicação.

Em 2013 o gigante acordou estupido e mal educado, em 2018 ele virou o meu gatilho e em 2020 me deu o tiro de misericórdia. O pior legado do bolsonarismo não está em Brasília, mas nas pessoas. Ele dialoga com a sombra que nos habita quando estimula discursos violentos, banaliza a morte e sucateia a vida. De todos os absurdos que Bolsonaro falou o que me parece mais ilustrativo para esse momento foi quando ele disse que não devíamos nos preocupar com corona por que brasileiro nada no esgoto. Ele estava certíssimo, só não sei se tem consciência de que o esgoto que faz com que as pessoas se despreocupem do corona vírus é ele mesmo.

E o que tem haver o Bolsonarismo com o meu chacra da comunicação? Bem… Se pra mim o sentido da vida está exatamente nos laços que a gente constrói, se eu acredito na lógica de Ghandhi de que o homem mais importante da minha vida é o que está ao meu lado agora e seu meus pares estão nadando no esgoto ideológico eu preciso encontrar habilidade e inteligência emocional para atravessar esse corredor estreito. Nem de longe quero fazer uma metáfora em que eu seja a tábua de salvação de alguém, eu só não quero me afogar.

Na tentativa de fazer pontes e encontrar diálogos que me permitam estar conectado com o outro sem perder minha saúde mental resolvi investir em alguns espaços em que eu possa ter um retorno ou no mínimo organize minhas ideias. Considerei criar um medium (uma espécie de blog metido a besta), mas achei o template feio e também vi uns posts que me broxaram, a galera ensinando como conseguir engajamento, como fazer pra publi bombar e zzzzz.... Deus me defenda! Ter leitores é bacana, mas não quero seguidores, quero cúmplices e se não encontrá-los vou tentando me manter motivado com a simples ideia da elaboração.

Após a desistência do medium resolvi dar uma olhada pro Yag, sempre considero entrar em outros projetos de comunicação, mas nunca considero resgatar o Yag pensando na lógica de que essa vibe já passou. Muitas coisas mudaram de 2009 pra cá e sempre penso em coisas que eu possa ter escrito e que hoje não façam mais sentido pra mim, mas na contrapartida eu volta e meia procuro um texto antigo por que me marcou de forma atroz e permanece dialogando com o homem que sou hoje. Então, devo pensar que mesmo que muita coisa tenha mudado, também tem muita coisa que ainda faz muito sentido. 

Quando entrei na plataforma encontrei mais de cem comentários feitos em todos esses anos de pessoas se identificando com textos e histórias. Foi a  gota d'água.. Ainda faz todo sentido do mundo... Nada que eu tenha feito na internet deu tão certo e funcionou de forma tão eficaz pra mim. Tá batido o martelo: Eu voltei!

Algumas coisas mudam nessa temporada, uma delas é um soprar de véu, vou vincular o blog a outras contas minhas, antes era ultra secreto, de alguma forma botar minha cara na reta ainda é um constrangimento, por que é tudo muito intimo e eu tenho uma profissão que tem toda uma cobrança moral, mas vou pagar pra vê.. Assino em baixo de tudo que falo, assumo consequências e paciência, não posso viver preso num quadrado com medo de algo que eu nem sei exatamente o que é. 

Mal comecei a escrever e já estou me coçando para falar de uma série de outras coisas, não tenho mais dúvida... O escritor acordou... Eu voltei!