Tava pensando duas vezes antes de fazer esse post com medo de espantar o menino.. Do mesmo jeito que a gente não deve mandar 37 menagens pro cara quando acaba de conhecer pra que ele não se sinta pressionado, fazer um post de bom retorno para alguém que estava há sete meses sem escrever pode dar efeito reverso, mas sabe?? Fiquei tão feliz que transbordou.. Acontece!!!!
Quando eu entrei em blogsville achei esse grupo espetacular.. Ok, quase cinco anos depois continuo achando um recorte privilegiado e que tem muito a me dizer, mas a verdade é que com o tempo, por muitas e muitas vezes, o que observei foi a ignorância bem escrita... O mesmo espetáculo de homofobia, machismo, preconceito de classe, xenofobia e outros bichos, delicadamente colocados, cheios de firulas e rebuscamentos.. Uma linda sensibilidade de direita, que fundamenta com muita graça o por que não se gosta de afeminado (e segrega), ri divertidamente de qualquer coisa que tenha algum apelo popular (e segrega) e segue segregando tudo que gente vê ai fora e critica sem refletir em que momento Marcos Feliciano grita dentro de nós.
Nesse contexto então encontro Foxx e Cara Comum... Acho que o que me uniu a esses meninos talvez seja uma forma mais generosa de ver o outro... Sem nenhuma falsa modéstia me coloco nesse lugar... Não que queira ser bonzinho ou fofinho, mas gosto de olhar para as pessoas e busco ser solidário a elas.. Ouvir, ver e tentar, na medida da minha humana limitação, respeitar o outro. Quando a gente se desprende de preconceito para olhar as pessoas, para além do que buscamos ver, a paleta da aquarela quadruplica.
E foi nesse espaço de tantas telas e visão tão turva que nos enxergamos... Nesses sete meses em que o Cara Comum esteve fora mantivemos contato, mas não era igual a quando o acesso se dava via um lugar que nos privilegia proporcionando um contato cosntantemente de dentro pra fora.
No seu retorno o Cara Comum diz que durante esse tempo se repaginou, reviu a autoestima, volta mais inteiro, mais maduro... Confesso que fiquei meio ressabiado por que gosto desse nick. Num grupo em que o objeto de desejo também é o padrão de beleza que busco pra mim a sensação que tenho é que as pessoas tentam competir umas com as outras mesmo na hora de flertar... Nego tem que provar pra quem deseja que é mais pica do que ele pra ver se também é desejado e ai nesse movimento vindo de ambas as partes a gente entra no looping eterno da ostentação. É assim que todos passam a viver uma paranoica busca de ser o mais lindo, mais pauzudo, mais macho, mais tanta babaquisse que no fim, PRA MIM, quem se destaca é quem quer ser apenas o Cara Comum... Aquele que quando é convidado a mostrar alguma coisa não coloca instagram na vida e só tem a dizer acerca da batalha da vida diária.. Gente que trabalha, que acorda cedo pra sobreviver, que tem problemas de relacionamento, que as vezes dorme com fome com preguiça de esquentar comida, que briga com a balança, tem uma unha encravada, uma tia meio sem noção.. Gente de verdade.. Gente comum para além de um mundo em que todo mundo quer ser muito foda e precisa sempre pisar na cabeça de alguém.
Todavia conheço o amigo que tenho e percebendo que na vida mais importante ainda que as ideologias são os fins (afinal a melhor das intenções pode ter uma finalidade perversa) compreendo o movimento que o leva a questionar o significado de "comum" para si... Para se adotar essa alcunha sem maiores prejuízos é preciso excluir todo e qualquer caráter banalizado dela.
É nesse contexto que esse Cara Brilhantemente Comum retorna a arena e eu, cheio de alegria, parafraseio a mim mesmo que lhe disse um dia "minha casa se enche de luz em receber você", dizendo: Minha vida se enche de luz em te ter de volta neste espaço.
Será um privilégio, Cavalheiro!!!!
"Num deserto de almas também desertas uma alma especial reconhece de imediato a outra"
Caio Fernando Abreu